Skip to content

Coreia – ida a Panmunjeom

16 julho 2013

DSC03367

Um passeio que fiz questão de fazer aqui na Coreia foi a ida até a Zona Desmilitarizada, mais conhecida como DMZ. Claro que isto não estava nos planos de Bia, sendo praticamente a única concessão que ela me fez durante a viagem.

Zona desmilitarizada é um nome enganador, já que há presença das forças norte-coreanas e da ONU para garantir a paz. Na verdade, esta presença garante mesmo é um estado de tensão latente que iria nos acompanhar por toda nossa visita. E não ajudou nada ter que assinar um documento isentando todos de qualquer acidente que pudéssemos vir a sofrer, por estarmos em uma zona em que poderia acontecer algo a qualquer momento.

A DMZ é uma área que acompanha a fronteira dos dois países, estendida por 2 km adicionais de cada lado, conforme pode ser visto no mapa abaixo. Nesta área foram achados 4 túneis, escavados pelos norte-coreanos para fins nada edificantes. Alguns deles podem ser visitados em um tour mais completo.

Mapa da DMZ

Mapa da DMZ

Dentro da DMZ fica Panmunjeom, ou Joint Security Area (JSA), uma área de formato circular com 800m de diâmetro e considerada neutra, onde efetivamente há o encontro das forças norte-coreanas e da ONU. Sendo a única “estrada” ligando os dois países, aqui foi assinado o armistício em 1953 entre as forças comunistas e o Comando das Nações Unidas (United Nations Command, ou UNC).

gh

Mapa mostrando a área da JSA – a fronteira entre as duas Coreias está em vermelho

Existem algumas poucas agências que fazem este passeio e os preços são padronizados, portanto não se preocupe muito em escolher uma, desde que tenha boas avaliações. As opções também não mudam: há um passeio simples, outro que inclui a ida a Panmunjeom (meio dia) e o completo, com a inclusão do Terceiro Túnel.

No lado norte-coreano, algumas poucas agencias de viagem, incluindo a Koryo Tours, fazem o mesmo passeio, com outra ótica, claro. Cerca de 100 mil turistas visitam esta área todo ano.

Escolhemos a Seoul City Tours, mas, independente de qual empresa você escolha, parece que todas saem do Hotel Lotte, no centro da cidade. Optei pelo pacote de meio dia. Pagamos cerca de US$ 80 por pessoa, com guia e o almoço incluído.

Nosso ônibus tinha uns 20 japoneses e 6 outros estrangeiros que entendiam o inglês. Por conta disto, foram necessárias 2 guias de turismo para contar toda a história, uma de cada vez, nos dois idiomas, o que consumiu a totalidade dos 70 minutos de viagem desde Seul.

Existem alguns protocolos a serem seguidos em relação à visita, como evitar usar jeans rasgados, não falar nem encarar os oficiais norte-coreanos, não usar roupas ou cabelos espalhafatosos e ter acima de 11 anos. Fotografias só podem ser tiradas quando o militar da UNC que acompanha toda nossa visita assim o permitir.

O tempo neste dia estava horrível, nublado e com aquela chuva chata que penetra nos ossos e prejudica qualquer tentativa de tirar fotos decentes.

A primeira parada foi no Camp Bonifas, onde assistimos um vídeo com uma palestra sobre o local e assinamos o tal documento mencionado acima. Depois fomos transferidos para um ônibus da UNC, indo direto ao Conference Building, uma construção utilizada para as reuniões diplomáticas entre os dois países.

Este foi um dos poucos locais onde nos permitiram entrar, ainda que por meros 5 minutos. Suficiente para as fotos típicas com os mal encarados seguranças (repetidamente nos diziam para nem sequer olharmos para eles!) e com a tão esperada “travessia” para o outro lado da fronteira, que passa literalmente pelo meio da sala (a Military Demarcation Line, ou MDL), ou entre os dois prédios (como na foto abaixo à esquerda).

DSC03359 DSC03362

bgzcxvb

Paramos também em Imjingak, um centro construído em 1972 na esperança de que a unificação fosse possível e onde há um museu e um observatório com vista para terras norte-coreanas (quando não está chovendo e com neblina). Vários monumentos ligados à história destes 2 países estão por ali, incluindo tanques e outros armamentos utilizados na guerra. O centro pode ser visitado sem passar por nenhum controle militar.

DSC03381

DSC03379DSC03382

DSC03380

A famosa “bridge of no return” fica logo ali. Esta ponte foi utilizada para a troca de prisioneiros entre as Coreias e dizem que tem este nome devido ao fato de que os capturados norte-coreanos poderiam escolher se queriam ficar no sul, mas se atravessassem a ponte não poderiam mais voltar. A MDL passa no meio da ponte.

Bridge of no return

Bridge of no return

DSC03383

Também no local se encontra a Gyeongui Train Line, destruída em 1950, durante o conflito.

DSC03384

DSC03386

Abaixo estão duas recordações que levamos do passeio: à esquerda a declaração que assinamos, ciente dos perigos da visita. À direita, um conjunto de notas norte-coreanas que compramos na loja de souvenires.

sgsf

Declaração

dfsd

Notas

A última atividade do passeio foi o almoço, num restaurante bem simples, mas com comida bem gostosa. A única opção era bulgogi, em porção mais do que suficiente para dois, ainda mais levando-se em conta que Bia quase não comeu.

Para falar a verdade, achei os acompanhamentos, principalmente os dois à frente da foto, bem melhores do que a comida principal.

DSC03390

DSC03391

Depois do almoço voltamos para Seul, chegando pouco antes das 15h.

Confesso que achei tudo muito corrido e o tempo não ajudou muito, mas, sem dúvida, é uma oportunidade única para sentir um pouco da tensão entre os dois países, que nunca deixaram de estar em guerra desde 1950.

Anúncios
8 Comentários leave one →
  1. 18 julho 2013 8:14 am

    Oi, JB. Tudo bem? 🙂

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Natalie – Boia

  2. 18 julho 2013 11:28 am

    Ola! Cheguei aqui pelo site do VnV. Achei muito interessante seu post! Eu ficaria com medo de visitar essa fronteira das Coréias, mas que é interessante isso é, sem dúvida eu faria.
    Quem sabe quando eu for para
    Seul.
    Apesar do tempo ruim, as fotos ficaram boas!
    Parabéns,
    Erika.

    • 18 julho 2013 9:00 pm

      Oi Erika,

      Acho que o medo vem de tudo o que a gente lê antes de ir para lá, mas confesso que dá para levar numa boa. Caso contrário, não haveria tantos visitantes assim, não é?

      Valeu pela visita e volte sempre!

  3. 18 julho 2013 1:56 pm

    Super legal JB, estava mesmo esperando essa postagem sua. Eu tenho muita vontade de ir à Coréia (só que do Norte), mas estou enfrentando um pouco de resistência em casa, já que a Talita acha isso uma loucura. rsrsrs.
    Mais uma vez parabéns pelo excelente blog.

    Abs,

    Felipe

    • 18 julho 2013 8:58 pm

      Fala Aspirinha,

      Tava sumido, hein? Dou a maior força para vc fazer esse passeio. A visita à Coreia do Norte não é tão difícil assim, mas você tem que ir preparado para a quantidade de regras.

      Se vc quiser um relato super completo, vá até o blog “Gabriel quer viajar” que logo vc já vai estar fisgado por este destino incomum.

      Abração

  4. 18 julho 2013 4:09 pm

    Eita JB, que passeio legal, acho que o Kiko ia ficar com pé atrás de fazer isso, mas estando na Coreia, não dá para não fazer, né?
    Mas me explica esse negócio de “não usar roupas ou cabelos espalhafatosos”… muito bom!!!! Será que podemos fazer isso virar lei em todos os lugares turísticos? ahahaha
    abs

    • 18 julho 2013 8:55 pm

      Oi Mirella,

      Exatamente: é do tipo de passeio q não dá para não fazer. Em relação às regras da visita, não sei qual a definição deles para “espalhafatoso”, mas tinha uma chinesa que havia passado um pouco dos limites e nada aconteceu com ela.
      Bjs

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: