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México – DF – Museu Frida Kahlo e Casa Museu Leon Trotsky

16 fevereiro 2014

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Ir à Casa Azul, que serviu de morada por tantos anos para Frida Kahlo e o rechonchudo Diego Rivera, no bairro residencial de Coyoacán, era um dos pontos altos do roteiro traçado para D.F.

Chegar lá não é complicado: escolhemos o meio mais fácil, indo de metrô até a estação Coyoacán na linha 3. Após uma caminhada de uns 15 minutos se chega ao destino final, na Calle Londres, 247. (veja mapa abaixo)

O Museu, que fica aberto de terça a domingo, das 10 às 17h45m (às quartas abre uma hora mais tarde), tem entrada a 80 pesos mexicanos, e inclui uma visita ao Museo Diego Rivera, em Anahuacalli.

Vários objetos originais, além de fotografias e vestimentas, se encontram em exposição nos aposentos do casal, sempre muito coloridos e característicos da alma sofrida da dona da casa (na verdade, a casa pertenceu a seus pais e foi aqui que ela nasceu).

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Nascida Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón, teve poliomielite aos 6 anos e aos 18 sofreu grave acidente quando o bonde onde viajava foi atingido por um trem, deixando-a em coma por vários meses e com sequelas para a vida toda.

Casou-se aos 22 anos com Diego Rivera, um casamento extremamente tumultuado, sendo abalado, entre outras coisas,  por um caso entre Diego e a irmã mais nova de Frida.

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Infelizmente as fotos no interior da casa são proibidas, mas o exterior também é digno de nota. E no site do museu você pode fazer um tour virtual bem bacana.

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A maior surpresa do dia, no entanto, foi a visita a Casa de Leon Trotsky, que fica próximo à Casa Azul, na Avenida Rio Churubusco, 410.

Confesso que desconhecia o fato de que este personagem da história havia vivido seus últimos dias aqui na Cidade do México, muito menos os detalhes que levaram a sua morte. E, para falar a verdade, nem tinha tanto interesse assim: fui até lá porque estava perto.

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O Museo Casa de Leon Trotsky fica aberto de terça a domingo, das 10 às 17h e a entrada custa a bagatela de  40 pesos. O ingresso já inclui uma visita guiada e ficarei torcendo para que você tenha tanta sorte como nós, de poder se aprofundar na história de um importante personagem do século passado: nosso guia era tão bom que pude sentir como se os fatos estivessem acontecendo ali , naquele momento!

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Trotsky, cujo verdadeiro nome era Lev Davidovich Bronshtein , adotou este pseudônimo em homenagem ao carcereiro que permitiu a sua fuga da prisão em Odessa, quando ele tinha apenas 18 anos. Foi um dos fundadores do Partido Comunista russo, juntamente com Lênin e Stalin e teve papel importante nos acontecimentos daquele país no início do século passado, culminando na criação da República Soviética da Rússia.

Com a morte de Lênin em 1924, a briga pela sucessão entre Stalin e Trotsky acentuou ainda mais as diferenças entre os dois, culminando com a expulsão deste último da União Soviética em 1929, função do processo de difamação imposto pelo primeiro, já então governante.

Sem opções, só restou a Trostky se exilar sucessivamente na Turquia, França e Noruega, até 1937, quando se deslocou para o México, vindo a morar justamente na Casa Azul, com Diego  e Frida, com quem supostamente teve um caso. Enquanto isso, na União Soviética, Stalin perseguia e matava todos os parentes diretos de Trotsky.

Depois de desentendimentos com Rivera, Trotsky finalmente se muda para a casa onde hoje fica o seu museu.

No México, Trotsky continuava escrevendo e incomodando Stalin, mesmo à distância. A primeira tentativa de assassinato aconteceu em maio de 1940, quando Stalin confiou em um artista mexicano simpatizante chamado David Alfaro Siqueros para cumprir esta tarefa.

Como não possuía perfil de assassino, David contratou alguns pistoleiros que invadiram a casa na madrugada e abriram fogo contra a casa, ferindo o seu neto e levando um de seus guarda-costas americano como refém, Robert Harte, depois executado pelos sequestradores. Ele mereceu até uma placa em sua homenagem.

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Depois se descobriu que o guarda-costas havia justamente permitido a entrada dos pistoleiros e que teria sido executado numa queima de arquivo.

Abaixo se pode ver as marcas dos tiros dentro da casa.

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Poucos meses depois, a segunda tentativa foi um pouco mais profissional. Desta vez foi utilizado um espanhol de nome Ramón Mercader, recrutado durante a Guerra Civil Espanhola.

Infiltrado como amante de uma das serventes da casa, aos poucos foi conquistando a confiança de Trotsky, sem, no entanto, nunca lhe ter dirigido a palavra.

Em uma rara ocasião, conseguiu um momento a sós com o patrão e o acertou na cabeça com um golpe de picareta de alpinismo, que não foi ainda suficiente para uma morte instantânea.

Tudo isto aconteceu no escritório mostrado abaixo e conservado quase que intacto até hoje.

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Segundo relatos, ainda conseguiu balbuciar para os guarda-costas que não matassem Mercader, pois ele teria muito o que contar.

Trotsky acabou falecendo no dia seguinte. Seu túmulo se encontra no local.

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A casa está preservada praticamente nas mesmas condições do dia do assassinato e  Esteban Volkov, seu neto, sobrevivente de uma das tentativas de assassinato de seu avô, é um dos participantes do conselho que hoje administra o Museu.

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Se for até Coyoacán, não deixe de combinar os dois passeios. Será um incrível recuerdo que levará deste país!

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6 Comentários leave one →
  1. 17 fevereiro 2014 10:36 am

    Oi, JB. Tudo bem? 🙂

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Natalie – Boia

  2. 18 fevereiro 2014 9:39 am

    Ola,

    Infelizmente qdo estive na Cidade do Mexico so deu tempo de ir ao museu de frida kahlo, mas ficou a curiosidade de conhecer a casa onde Trotsky morou e acabou morrendo…
    Muito bacana!

    Abs

  3. Cida Werneck permalink
    11 janeiro 2017 6:46 am

    Olá, tive a oportunidade de também conhecer as 2 casas em visita à cidade do México. Sua descrição me trouxe ótimas recordações. Estivemos primeiro na casa de Trotsky, sem expectativas, procurando a localização da casa Frida a pessoa nos indicou e recomendou esta por estar no caminho. Foi uma grata surpresa, de fato o guia da casa relata os fatos com muito entusiasmo que desperta e mantém o interesse dos visitantes. Ótimo passeio visitar estes locais.

    • 11 janeiro 2017 5:06 pm

      Oi Cida,

      Que legal que vc gostou. O guia é ótimo mesmo, não?
      Apareça sempre!

      Abs
      JB

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