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Patagonia – Cruzeiro Australis, dia 3

25 junho 2014

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O terceiro dia revelava emoções fortes, com a ansiedade a mil sem saber se o desembarque no Cabo Horn seria possível. Havíamos recebido a previsão meteorológica no dia anterior que parecia otimista, mas neste canto do mundo as condições de tempo mudam a cada hora.

Como a travessia noturna transcorreu sem maiores oscilações, concluí que o tempo estaria favorável ao desembarque.

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Eu estava certo: logo às 7h pouco antes do sol nascer já nos avisavam pelos alto-falantes que dentro de 15 minutos éramos esperados no nosso ponto de encontro habitual. Era, sem dúvida, o ponto alto da viagem para mim: realizar o sonho de desembarcar no mítico Cabo de Hornos!

O cabo fica na Ilha de Hornos, território pertencente ao Chile. Atua como divisa também entre os Oceanos Pacífico e Atlântico.

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Embarcamos no Zodiac e logo chegamos a uma baía abrigada – as condições de mar estavam boas para os padrões locais.

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Subimos os 170 degraus até a parte superior da ilha e o vento forte e constante ajudou a nos sentirmos realmente em um lugar inóspito, fim do mundo indeed!

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 DSC00945DSC00949Diferentemente do que se pensa, não é aqui o ponto mais meridional da América do Sul, primazia que cabe às Ilhas Diego Ramírez, cerca de 100 km mais ao sul. Mas toda a fama fica mesmo com o Cabo de Hornos, então, para efeitos práticos, só a Antártida fica mais ao sul!

DSC00928 DSC00939Antes da abertura do Canal do Panamá, aqui era passagem obrigatória para as embarcações que transitavam entre o leste e o oeste do continente americano. Devido às condições extremas de vento e ondas, foi palco de um sem número de naufrágios, famosos ou não.

No meio da ilha existe um Memorial com uma grande escultura no formato de um albatroz, feita pelo artista chileno José Balcells, em homenagem aos muitos marinheiros que perderam a vida tentando “dobrar o Cabo”.

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O caminho até o Memorial é fácil de percorrer, desde que os ventos não estejam a quase 80km/h, como foi o caso no dia em que estivemos lá.

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Depois de sofrer com o vento e a chuva fina, fomos conhecer a residência onde um militar da Marinha chilena e sua família (que, neste caso, incluía um cachorro poodle) passam um ano em regime de revezamento.

A vida por lá não deve ser fácil, mesmo porque o contato com outras pessoas só é feito durante estas visitas de navios de cruzeiro, que só ocorrem no verão e, mesmo assim, quando as condições de mar permitem.

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Há uma pequena loja de souvenires, mas esqueci de trazer dinheiro e acabei não comprando nada (no final do cruzeiro recebemos o certificado de desembarque no Cabo de Hornos assinado pelo capitão).

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Também subi até o pequeno farol, onde há várias bandeiras de todo o mundo deixada por turistas como recordação (inclusive uma do Corinthians!).

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Voltamos ao navio para o café da manhã e depois assistimos a um documentário sobre Shackleton e o seu sofrimento, tentando escapar dos perigos antárticos quando buscava atravessar o continente gelado a pé. Sua tarefa foi realmente hercúlea!

Na parte da tarde desembarcamos na Baía Wulaia, na parte oeste da Isla Navarino, e local de um massacre de marinheiros ingleses pelos Yamanás em 1859.

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A Baía é também famosa por ter sido um ponto de desembarque de Charles Darwin e sua expedição em 1832.

O local era refúgio da tribo dos Yamanás contra o inverno rigoroso e na Casa Stirling (fotos acima) temos um pequeno museu com alguns artefatos da vida na época, como um exemplar das canoas utilizadas pelos índios.

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Depois de visitar o Museu, iniciamos uma trilha de dificuldade média até um mirante de onde se descortinava uma vista completa da baía.

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O caminho é belíssimo e mais bonito ainda é a visão que temos da Baía, principalmente ao final da tarde com o por do sol tímido.

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E com essa imagem abaixo voltamos para o navio para aproveitar a última noite a bordo.

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Veredito final?

O cruzeiro é fantástico para quem gosta de natureza e aprecia especialmente o cenário patagônico, desolado e ao mesmo tempo imensamente bonito. As excursões são bastante didáticas e informativas, a vida a bordo não tem maiores luxos (propositalmente, já que a ênfase é mesmo nas atividades ao ar livre) e, se você tiver a mesma sorte que tivemos com as condições do tempo, pode conseguir desembarcar no Cabo Horn, uma experiência absolutamente inesquecível.

Vale cada centavo investido!

* O blogueiro viajou com cortesia da Cruceros Australis

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6 Comentários leave one →
  1. Carmem permalink
    14 julho 2014 8:20 pm

    Li seus relatos sobre Cruzeiro Australis e gostaria de saber qual é a melhor alternativa para chegar em Punta Arenas, via Santiago ou Buenos Aires,estou pensando em fazer o cruzeiro em março de 2015.

    • 17 julho 2014 7:03 pm

      Oi Carmem,

      O melhor caminho é por Santiago pela LAN/TAM. Vc também pode tentar a ida até Ushuaia pela Aerolineas – há saidas do cruzeiro por lá também.

  2. Carmem permalink
    19 julho 2014 8:34 am

    Obrigada JP, acho que vou seguir a dica de Santiago e aproveitar para conhece-la, vou ler suas dicas sobre a cidade.

  3. carmem permalink
    15 janeiro 2015 7:39 pm

    Olá JP tudo bem!! Será que vc poderia me ajudar, pois vou fazer o cruzeiro no final de janeiro e gostaria de saber se é mesmo necessário usar botas de caminhadas ou da para fazer de tenis normal.Obrigada.
    PS; parabéns pelos posts não perco nenhum

    • 16 janeiro 2015 9:06 pm

      Oi Carmem,

      Eu sugeriria usar um tênis com solado anti derrapante, não precisa ser necessariamente uma bota.

  4. carmem permalink
    18 janeiro 2015 9:38 am

    Ok Obrigado pela dica.

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