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Santiago – Passeio no Tren del vino – Vale de Colchagua

23 setembro 2015
tripadvisor.com

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Fazia tempo que estava querendo visitar o Vale de Colchagua, uma das principais regiões viticultoras do Chile, berço dos mais famosos tintos do país.

As vinícolas do local ficam situadas ao redor da simpática cidadezinha de Santa Cruz. Para chegar até lá existem várias formas (preços de setembro de 2015):

  1. Ônibus direto de Santiago (duração: cerca de 2h30, preço: 12.000 pesos ida e volta)
  2. Trem da Terrasur até San Fernando (1h50, 15.200 pesos ida e volta) + ônibus até Santa Cruz (50 minutos, 2000 pesos ida e volta)
  3. Trem metrotren até San Fernando (2h10, 3.900 pesos ida e volta) + ônibus até Santa Cruz (50 minutos, 2000 pesos ida e volta)
  4. Tren del vino (49.900 pesos)

Não recomendo a opção 3: o trem é desconfortável, sempre lotado e sem banheiro.

O Tren del Vino, apesar de muito mais caro, oferece alguns atrativos: inclui um lanche + água e café à vontade, tem degustações na ida e na volta, ganha-se uma taça de brinde, o trecho de ônibus entre San Fernando e Santa Cruz, além do transporte até uma vinícola, com visita e degustação incluída.

A primeira dificuldade: o passeio só é comercializado em sábados alternados (melhor checar os dias neste site); se você tiver sorte de estar em Santiago em uma das datas, reze para conseguir comprar o pacote pela Internet – o meu cartão foi inapelavelmente recusado e grande chance de acontecer o mesmo com você se o seu não tiver sido emitido no Chile.

Como estávamos no inverno, conseguimos chegar um pouco antes à Estación Central (também conhecida como Alameda) e comprar o passeio por 50mil pesos no salão comum (existe um salão preferente por 10mil pesos a mais).

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Saímos em um trem curto, com quatro vagões, pontualmente às 09:50 e algumas poltronas vazias. A maioria dos turistas era do Brasil, até aí nenhuma novidade…

O trem era confortável, embora sem luxos. O vagão preferente parecia melhor, mas não sei se valem os 10mil pesos extra.

IMG_20150905_093618790_HDR IMG_20150905_094038836Logo na saída, ainda em velocidade reduzida passando pelos subúrbios da capital, já ganhamos nossa taça de degustação, um kit lanche e uma rodada de vinhos rosé das vinícolas Viu Manent e Montgras.

IMG-20150905-WA0028 IMG-20150905-WA0030Também começou a música ao vivo (ao meu ver, totalmente dispensável, mas estava incluída, fazer o que?). Primeiro com um saxofonista roqueiro e depois com uma cantora muito simpática e um pouco melodramática. E a velocidade do trem aumentava, chegando quase a 100km por hora.

As paisagens não tinham maiores atrativos: riachos quase secos, vegetação castigada pelo clima árido.

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Chegando na monótona San Fernando, fomos divididos em três grupos de cores diferentes (ficamos no verde), um em cada ônibus, e seguimos para Santa Cruz, nosso destino final.

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Santa Cruz se parece com todas as cidades do interior, com uma praça central arborizada onde fomos deixados. Tínhamos 2h30 para turistar e almoçar antes da visita à vinícola.

Aí mora uma das desvantagens deste passeio: a vinícola escolhida para o grupo verde foi a pequena e desconhecida Montgras, a mesma dos vinhos que viemos degustando no trem (e que viríamos a degustar na volta…overdose!!). Os outros grupo tiveram mais sorte e visitaram a Viu Manent (seria a minha escolha, caso o passeio tivesse sido feito por conta própria) e a Casa Silva.

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Decidimos investir grande parte do nosso recreio conhecendo o incrível Museo de Colchagua, uma verdadeira joia perdida entre os vinhedos.

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O Museu (com entrada a 7000 pesos) tem várias seções: paleontologia, fósseis, arte pré-colombiana, arte litúrgica, metalurgia, carruagens (fantásticas) e armas. Fica aberto todos os dias, das 10h às 18h (19h no verão).

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Há também um pátio interno com exposição de máquinas agrícolas e outras dedicadas à produção vitivinícola.

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Seu principal atrativo, contudo, está na exposição O Grande Resgate, uma minuciosa reconstituição  do resgate dos 33 mineiros que ficaram setenta dias presos em um desabamento de uma parte de uma mina localizada no norte do país, em agosto de 2010.

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A reconstrução está muito bem feita e pode-se sentir um pouco da agonia que deve ter sido para eles passarem aquele tempo presos a quase 700 metros abaixo da superfície.

IMG_20150905_135234135 IMG_20150905_140010294Depois da visita ao museu, restavam parcos 45 minutos para o almoço. Encontramos o simpático e acolhedor restaurante La Famiglia, um dos melhores da cidade, e ficamos encantados. O atendimento era muito bom, nossa pizza chegou em poucos minutos e o preço não assustava ninguém. Um verdadeiro achado a poucos passos da praça principal e ótima dica de um jantar romântico para quem pretende pernoitar na cidade.

Partimos então para nossa esperada visita. A esta altura, o sol pálido da manhã já tinha dado lugar às nuvens e ao ventinho frio.

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IMG_20150905_154907051_HDREm 10 minutos já estávamos a postos aguardando nosso guia para a visita à vinícola – bastante didático e simpático, ele fez uma bela introdução à cultura do vinho e as diferenças entre as uvas para os não iniciados.

Após a palestra sob frio e chuviscos, fomos para o local onde são armazenados os barris: vimos os de aço onde estavam armazenados os brancos e os barris menores, próprios para o envelhecimento dos tintos.

A vinícola tem atividade bem recente, com ênfase no cultivo de cabernet sauvignon e syrah.

Existem várias atividades distintas: pode-se fazer uma degustação às cegas, criar o seu próprio vinho e até experimentar uma degustação com petiscos. Além de atividades ao ar livre como mountain bike, trekking e cavalgadas, tudo isto se o clima permitir, claro.

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Nossa experiência se resumiu à ótima explicação do guia e à prova de 3 exemplares da vinícola: o bom e premiado sauvignon blanc Amaral e os inexpressivos merlot e um blend de 4 uvas chamado, imaginem, Quatro.

IMG_20150905_163505292 IMG-20150905-WA0040Perto das 18h30 já estávamos no ônibus de volta a San Fernando para a viagem de quase 2 horas até Alameda.

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IMG-20150905-WA0047Minha opinião: este tipo de passeio atende um público específico, que gosta de pacotes all inclusive (neste caso apenas o almoço era por conta do passageiro) e não tem muito conhecimento sobre vinho.

Para aqueles que dispõem de mais tempo, o ideal mesmo é passar uma noite na cidade, aproveitando para visitar diferentes vinícolas e curtir o clima do interior, inclusive reservando um almoço em alguns dos elogiados restaurantes – minha sugestão é o bem conceituado Rayuela da vinícola Viu Manent. Também sugiro dar uma passada na Casa Lapostole (uma das mais premiadas da região) e/ou na Viña Montes, por sua arquitetura moderna, perfeitamente integrada com o ambiente, além dos grandes vinhos.

Caso o tempo seja escasso, grandes são as chances do passeio não estar sendo oferecido durante a sua estada. Não se desespere: faça tudo por conta própria. O trem a San Fernando sai mais cedo do que o Tren del Vino (e volta mais tarde) e leva as mesmas 1h50 até lá (opção 2 no início do post). Tomar um ônibus até Santa Cruz é tarefa fácil, já que a estação rodoviária fica a apenas duas quadras da ferroviária. Em 50 minutos é coberto o trajeto de cerca de 40 km. Depois é só escolher a vinícola e contratar um transporte até lá (a Viu Manent fica na beira da estrada entre as duas cidades, facilitando a logística).

Enfim, escolha o que for mais prático, porém não deixe de visitar uma delas e degustar o delicioso vinho chileno.

 

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4 Comentários leave one →
  1. lenamax permalink
    24 setembro 2015 11:01 pm

    Detalhadinho, JB! 🙂 Acha que dá pra visitar as vinícolas de bike a partir de Sta Cruz?
    Bj

  2. Alexandre permalink
    25 setembro 2016 8:35 am

    Parabéns pelo post. Estou pensando em fazer a rota 2. Vc saberia dizer se existe alguma opção de almoço mais barata? É possível descer do ônibus à altura da vinícola Viu Manent (sem descer na cidade)? E como seria feito o deslocamento entre as vinícolas? Obrigado.

    • 25 setembro 2016 5:24 pm

      Alexandre,

      Na cidade pode-se encontrar opções mais baratas para o almoço, sim. Em relação ao ônibus, não fiz este trajeto, mas como a Viu Manent fica na beira da estrada, dá pra descer em frente à vinícola.
      Já o deslocamento entre vinícolas deve seguir um planejamento mais criterioso, levando-se em conta quanto tempo você vai ficar na região. Caso seja apenas um dia, sugiro que os deslocamentos sejam feitos com transporte particular para não perder muito tempo.

      Abs, JB

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