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Europa 2016 – Suíça – Lugano

12 fevereiro 2017

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A cerca de 40km de Como, onde fizemos base, Lugano é a personificação da mistura da “alegria-de-viver” dos italianos com a “ordem-e-progresso” suíços, criando uma cidade encantadora e que merece uma atenção especial se você passar por esta região.

Maior cidade do cantão de Ticino, onde ficam os quase 10% dos suíços que falam italiano, a cidade fica à beira do lago de mesmo nome, o que lhe confere um ar ainda mais bonito, especialmente com as montanhas ao fundo. É também a maior cidade fora da Itália com população que fala majoritariamente italiano – na sua região metropolitana estão 145.000 habitantes.

Escolhi esta cidade para devolvermos o carro que alugamos, já que pela Hertz não haveria cobrança de adicional por devolução em outro local, desde que fosse no mesmo país. Como esta região é uma das minhas preferidas na Suíça, foi a desculpa perfeita para voltar a Lugano depois de quase 20 anos!

Saímos cedo de Como e enfrentamos um pequeno engarrafamento até atravessar a fronteira. Fizemos a última recarga de combustível bem próximo da cidade (a gasolina é um pouco mais cara aqui do que na Itália). Deixamos o carro na Hertz ao lado da estação ferroviária (Bahnhof) e em menos de 5 minutos (juro!) estávamos livres para iniciar a exploração da cidade.

A Bahnhof fica na parte alta da cidade e os pontos de interesse ficam nas proximidades do lago. As duas partes da cidade são ligadas por um funicular, mas preferimos descer a pé mesmo.

O centro histórico é bem compacto e fácil de se locomover. Um dos pontos mais conhecidos é a Piazza della Riforma, onde fica o edifício da Prefeitura e local de festivais, cinema ao ar livre e até feiras livre (às terças e sextas).

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Passamos pelo Cassino, de onde se pode ter uma bela vista do lago, mas não conseguimos entrar. Seguimos então na direção do parque da cidade, passando por esta bela escultura abaixo, chamada Eros Vendado, do artista polonês Igor Mitoraj, inaugurada em 1999.

Aparentemente a mesma escultura pode ser encontrada em outras cidades do mundo como Cracóvia, Roma e Vancouver.

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Construída em 1602 em estilo barroco, no local onde havia outra igreja consagrada a San Biagio, vemos abaixo à esquerda, a Chiesa di San Rocco.

Vale lembrar que 68% da população da cidade é católica.

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Chegamos então ao Parco Civico Villa Ciani, um dos locais mais agradáveis de Lugano, em uma localização perfeita. Seus jardins são meticulosamente arranjados para serem os mais coloridos possíveis e sua decoração muda a cada ano!

Dividido em duas áreas distintas: a primeira próxima ao Museu de Belas Artes, com jardins de inspiração inglesa e italiana; a outra parte, mais afastada e depois de um riacho, tem um aspecto mais natural e contem espécies de vegetação nativas, além de um playground infantil.

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O Museu de Belas Artes Villa Ciani é um dos dois museus do parque (o outro sendo o Museu Cantonal de História Natural) com obras de alguns impressionistas e de vários artistas da região, abrangendo outros períodos.

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O  portão acima traduz a era de ouro da aristocracia, quando o parque era propriedade privada da família Ciani, obviamente.

Da beira do lago se tem uma linda visão de parte da cidade.

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O passeio junto ao lago é bem agradável de se percorrer. Durante os fins de semana no verão, o tráfego é fechado para que possam ocorrer concertos e outros eventos. A ideia futura é barrar os carros nesta área, o que a tornaria ainda mais atraente.

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Passamos por esta simpática praça abaixo, que se chama Piazza Alessandro Manzoni.

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Decidimos fazer um passeio pelo lago, aproveitando que a previsão de chuva fina parecia se concretizar. Tomamos o barco que sai do cais na beira do lago, um pouco adiante da praça acima.

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O passeio básico, de uma hora de duração (custando 26,40 CHF) fazia a volta pelo lago, nos levando até Gandria, uma pequena vila de pescadores que fica aos pés do Monte Brè, um dos mais conhecidos da região.

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A vila é charmosinha, com ruelas íngremes e restaurantes românticos debruçados sobre a água, onde algumas pessoas desceram.

Por conta da chuva fina, decidimos continuar até o fim do loop. Daqui, pode-se retornar a Lugano também de ônibus.

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Antes de chegar a Gandria, passamos por uma cidadezinha chamada Campione d’Italia (literalmente “amostra da Itália”), pertencente à província de Como e um enclave italiano no meio da Suíça, separada do resto da Itália pelas montanhas que a circundam – é necessário uma volta de 14km até chegar na cidade italiana mais próxima!

A cidade desfruta de particularidades interessantes: as placas dos carros, o sistema telefônico e de saúde e até a moeda são suíços, mas a polícia é italiana.

A principal atração da cidade é o Casino di Campione, esta construção esquisita e de péssimo gosto, mostrado na foto abaixo. Na cidade, as leis que regem o jogo são menos rigorosas do que na Itália ou na Suíça, além de não haver a aplicação do imposto VAT.

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Na volta do passeio marítimo, continuamos seguindo pela orla até chegar à Chiesa Santa Maria degli Angioli, essa mostrada na foto abaixo.

Não se deixe enganar pelo aspecto humilde de sua fachada, construída em 1499: o principal tesouro fica mesmo do lado de dentro.

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Um lindo afresco chamado “Paixão e Crucificação de Cristo” vem a ser um dos mais importantes não só da Renascença mas também do país.

Obra do artista milanês Bernardino Luini, considerado por muitos o “Rafael do Norte“, desde 1529 adorna uma parede que separa a nave do altar e, como o nome diz, retrata as fases da Paixão de Cristo, tendo a Crucificação como tema central e o uso frequente de simbolismos – note, ao pé da cruz, o crânio, o fêmur de Adão e sua costela, de onde Eva teria sido criada.

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É uma obra fascinante, daquelas em que os olhos às vezes buscam os inúmeros detalhes, e depois apenas contemplam o afresco como um todo.

Ficamos tão magnetizados pela obra que até deixamos seu belo altar injustamente em segundo plano.
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Decorando a parede esquerda da nave, outras três pinturas, do mesmo artista, compõem a versão dele para a Última Ceia.dsc06707

Por todos estes motivos, considero que a visita a esta Igreja foi o ponto alto do dia.

Como a chuva insistia em cair, procuramos abrigo na próxima atração: o Centro Cultural LAC – Lugano Arte e Cultura, que ficava alguns metros adiante.

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Este espaço é dedicado às artes plásticas, música e performances e abriga o MASI – Museo d’Arte della Svizzera Italiana, dedicado às obras contemporâneas de diversos artistas da região.

Além do museu (que juntou peças de outros dois museus – o da “Cidade de Lugano” e do “Cantão de Ticino”) há um auditório com capacidade de 1.000 pessoas servindo para concertos, shows e peças de teatro. Em suma, é mesmo o centro cultural da região.

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Situado na beira do lago, onde ficava o Palace Hotel, seu projeto arquitetônico foi escolhido em 2001 dentre 130 concorrentes – o vencedor foi o local Ivano Gianola, que já demonstrava uma preocupação de adequar seus projetos às requisições ambientais.

Finalmente em 2010 foi iniciada a construção deste belíssimo espaço e o material escavado foi jogado diretamente no lago, onde plantas aquáticas floresceram, criando um ambiente propício para a proliferação da vida marinha.

Enfim, foi um ótimo lugar para se abrigar da chuvinha e revelou-se também perfeito para fotos, especialmente ao final da tarde.

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Continuamos nossa caminhada pelo centro da cidade seguindo a Via Nassa, agora em busca de um local para jantar. Acabamos escolhendo um restaurante italiano com preços razoáveis para a cidade – comi uma pizza que custava o dobro do que se estivesse em Como!

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Depois do jantar seguimos então para a estação ferroviária de onde partiria o nosso trem de volta à Como.

Esta visita, embora tenha sido de apenas um dia, mostrou uma faceta da cidade que não havia experimentado há 20 anos. Pude percorrer suas ruas com calma e aproveitar toda a tranquilidade e beleza de sua localização. Lugano é imperdível!

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