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Portugal – Vale do Douro – visita à Quinta da Pacheca

6 dezembro 2018

 

A região do Douro é conhecida mundialmente pela qualidade de seus vinhos e existem inúmeras quintas (como aqui são chamadas as propriedades dedicadas à produção de vinhos) espalhadas pelas encostas do rio até quase a fronteira com a Espanha.

Um dos passeios mais recomendados nessa região é a visita a uma dessas quintas, mesmo para quem não é profundo apreciador dessa bebida.

Escolhemos a Quinta da Pacheca que fica a uma curta caminhada da cidade de Régua, mas que também pode ser acessada de táxi (cerca de €15 ida e volta) ou com carro alugado.

A Quinta da Pacheca é uma das mais antigas da região, tendo sido propriedade da família Pacheco Pereira desde o início do século 18, quando a viúva decidiu iniciar a produção de vinhos e modificou o sobrenome para destacar que o negócio era (bem) administrado por uma mulher.

No início do século 20 a propriedade foi vendida a outra família que iniciou diversos melhoramentos no local, como a construção da residência principal, hoje transformada no hotel.

No início deste século, passou para as mãos de outra família Pereira (sem relação com a primeira), que construiu os simpáticos quartos em forma de barril de carvalho, sem dúvida a forma mais charmosa de se hospedar na propriedade.

Nossa visita começou nos tanques onde são colocadas as uvas para o processo de pisa, que ainda hoje é utilizado nessa propriedade, por acreditarem que sua pequena produção pode se beneficiar em qualidade com essa antiga técnica.

Nosso guia Hugo nos explicou o processo de fabricação do vinho do porto.

A fermentação para a fabricação de vinho do porto é interrompida depois de 3 dias (nos vinhos normais, a fermentação completa dura cerca de 8 dias) e adiciona-se uma quantidade de aguardente vínico (feito com a casca da uva) na proporção de para kg de uva. Com isso garante-se que parte do açúcar não se transformará em álcool, gerando um vinho ao mesmo tempo doce e forte – o teor alcoólico final fica entre 19 e 22 graus.

Depois passamos para o local onde ficam armazenados os barris com vinho do Porto.

Nos barris pequenos ficam os do tipo tawny que, por terem uma grande área de contato, promovem uma maior oxidação e portanto garantem uma coloração mais próximo do âmbar, já que ficam ao menos 6 anos nesses barris.

Os do tipo ruby, ao contrário, vão para os barris maiores onde ficam por pouco tempo, mantendo sua coloração violeta.

Os vinhos do tipo vintage são escolhidos pelos enólogos, nos anos em que se acredita que as condições meteorológicas foram excepcionais para o cultivo de uvas. A prova desse vinho deve ser então enviada ao Instituto de Vinho do Porto para que eles atestem a qualidade do produto e concedam o título de vintage. Quando isso acontece com pelo menos 50% das amostras em um ano em particular, diz-se que o produto é um vintage clássico (como foi o ano de 2016). Caso contrário, o título é dado apenas àquelas quintas que obtiverem a aprovação.

Caso o produto enviado não seja aprovado, ele continua mais um tempo nos barris e vira um LBV (Late Bottled Vintage).

Além desses dois tipos, também temos o porto branco e, mais recentemente, o Pink Porto (ou Porto rosé).

Outra opção mais exclusiva seria a produção de vinhos com 10 20, 30 e até 40 anos de envelhecimento, com maior qualidade e consequentemente preços bem mais altos.

A degustação foi feita na área externa de frente para os vinhedos e foram servidos 4 vinhos, sendo dois exemplares de vinho do Porto.

Inicialmente provamos um vinho branco 2017, corte das uvas cerceal, malvasia fina, gouveio e moscatel que não me agradou muito e um tinto Grande Reserva Touriga Nacional que estava muito bom.

Ao final, pudemos provar um exemplar do Porto Tawny 30 anos e um Vintage 2016 que eram tão distintos quanto bons no paladar.

Considerando que os vinhos do Porto servidos eram de qualidade superior, essa degustação por si só já valeu o preço do ingresso!


QUINTA DA PACHECA

Endereço: Rua do Relógio do Sol 261 Cambres – Lamego

Horário: todos os dias das 10 às 19h

Preços: A visita e degustação custam 9 e devem ser reservadas com antecedência.


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One Comment leave one →
  1. 22 janeiro 2019 6:03 am

    Fiquei curioso. Não conhecia essa quinta e estou interessado na visita e respetiva degustação.

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