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Lituânia – ida a Trakai

13 outubro 2018



Trakai é uma linda cidadezinha a 28 km de Vilnius com pouco mais de 5.000 habitantes mas que recebe muitos turistas o ano inteiro por conta de sua principal atração, o Castelo.

Pode ser facilmente alcançada em pouco mais de meia hora de ônibus ou trem desde Vilnius.

O ticket de trem custa 1,80 . Veja os horários aqui.

De ônibus, a passagem comprada online vale 1,90 (2 se comprado na hora). Veja os horários e compre sua passagem aqui.

Fomos de trem e seguimos pela rua principal da cidade (Vytauto g.) na direção do Castelo, que ficava a 2,5km.

Tendo sido habitada por povos de diferentes nacionalidades, já foi lar de russos, poloneses, tártaros, judeus e dos Karaims, um povo de origem turca que foi realocado da Criméia para cá pelo Grão-Duque Vytautas em 1398. Tinham um governo independente e fizeram da cidade um importante centro religioso e étnico, apesar do florescimento de outras culturas e religiões, mas no século 18 existiam apenas alguns poucos representantes dessa etnia.

Uma de suas heranças arquitetônicas são as casas de madeira com três janelas viradas para a rua.

Hoje pode-se encontrar alguns restaurantes na cidade que vendem o Kïbïn, uma iguaria típica do povo Karaim. Apesar do nome lembrar o nosso quibe, ele se assemelha mais a uma empanada. Tentamos comer um no restaurante abaixo, mas não havia mais.

A cidade ainda oferece alguns passeios ao ar livre: pode-se alugar bicicletas ou mesmo fazer um passeio nas águas tranquilas do lago Galvė.

Ou simplesmente apreciar a vista sentado no gramado em frente ao lago.

Mas a principal atração é mesmo o Castelo de Trakai.

Construído em estilo gótico em uma das maiores ilhas do lago Galvė no começo do século 15 pelo Grão-Duque Vytautas (sempre ele!), sua função inicial era defensiva mas a partir de 1410 foram construídos aposentos para a família real (o Palácio Ducal) e o local recebia visitantes ilustres de várias partes da Europa.

Seu prestígio caiu no início do século 16 quando perdeu suas funções militares e residenciais e logo se transformou em prisão para os nobres mas o pior ainda estava por vir: após a invasão dos russos, o Castelo foi incendiado e com ele veio o declínio da cidade de Trakai.

Somente no século 19, quando artistas pintaram quadros tentando evocar a beleza original do Castelo, houve uma onda de renascimento da história lituana. Vários projetos de recuperação do Castelo foram feitos e, de 1924 a 1941 algumas obras foram levadas a cabo, supervisionadas por um arquiteto polonês.

O processo de restauração mais pesado continuou após a segunda guerra, desta vez sob supervisão de arquitetos lituanos. Foram recuperados a estrutura do Castelo, os muros defensivos, as casamatas e o Palácio Ducal.

Atualmente o local é a jóia da pequena cidade de Trakai e um testamento à história desse pequeno país. Vários concertos e festivais são realizados ali anualmente.

O Castelo hoje abriga o Museu de História de Trakai contendo vários artefatos arqueológicos, manuscritos e outras publicações e inúmeros objetos que dão uma ideia da história do lugar e sua importância no desenvolvimento da cidade.

 


INFO – CASTELO DE TRAKAI

Horário: De maio a setembro o Castelo abre todos os dias das 10 às 19h;

Em março, abril e outubro, de terça a domingo das 10 às 18h

De novembro a fevereiro, de terça a domingo das 9 às 17h

Ingresso: 8 ; 1,5 extra se quiser tirar fotos no interior dos edifícios


Foi um passeio bastante agradável e só sentimos não ter ficado mais tempo e aproveitado mais o dia lindo que fazia.

Voltamos a Vilnius próximo ao por do sol, o que, nessas bandas, significa quase 21h nessa época do ano. Resolvemos, pelo horário, tomar um ônibus de volta.

A dobradinha voo de balão (veja o post) e visita à cidade e ao Castelo fizeram desse um dia perfeito!

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Lituânia – passeio de balão

7 outubro 2018

Vou confessar: gosto de passeios radicais, que permitam usufruir da paisagem de outros ângulos. Já pulei de paraquedas na Nova Zelândia e andei de parapente aqui no Rio de Janeiro. Andar de balão, portanto, já estava há muito tempo na minha wish list e um dos melhores países para esse tipo de aventura é a Lituânia.

A quantidade e experiência das agências fazem com que esse seja um dos mais seguros locais para o balonismo. E a concorrência mantém os preços bem acessíveis (um dos menores do mundo) – nosso voo custou apenas 95 por pessoa!

Escolhemos a Hot Air Balloon logo assim que chegamos ao país para que pudéssemos ter maiores chances de encontrar condições meteorológicas favoráveis. Essa agência (e quase todas as outras) oferece a alternativa de voos ao amanhecer ou próximos ao por do sol. Também podemos escolher sobrevoar a cidade de Vilnius ou o castelo em Trakai.

Escolhemos um voo ao cair da tarde com vista do castelo e da cidade de Trakai. A ideia era visitar no início da tarde a charmosa cidade à beira do lago (e seu castelo não menos famoso) e finalizar com o voo de balão. Parecia perfeito, não?

Infelizmente, por condições meteorológicas adversas, só conseguimos voar nas primeiras horas da manhã.

O preço mostrado acima já inclui o transporte em van até o local da decolagem, onde é montada toda a parafernália para o voo. Fomos buscados às 5 da manhã no nosso Airbnb em Vilnius para uma viagem de menos de 30 km até Trakai que durou o suficiente para vermos o sol nascer.

Estacionamos em uma área com um gramado extenso e os preparativos começaram.

Ajudamos a esticar nosso balão…

… e o preparamos para a etapa posterior…

… que o preenche com ar quente até que, alguns minutos depois, já estávamos prontos para embarcar.

 

 

 

Nosso piloto se chamava Vytas e, além de nós, havia mais uma passageira estrangeira, o que foi suficiente para encher o pequeno cesto e manter todos com pouca margem de movimentos.

E lá fomos nós seguindo o vento. Essa foto mostra o segundo balão, ainda em terra, que sairia logo depois e que levava a namorada de um dos rapazes da agência.

Fomos levados na direção do lindo lago Galve

…até encontrarmos sua maior atração: o Castelo de Trakai.

Com cerca de 700 anos, esse castelo já foi a moradia dos Grã-Duques do país e fica em uma das ilhas do lago.

A visão dessa belezura do alto é impressionante, ainda mais com a iluminação dos primeiros raios do sol da manhã.

Passamos sobre a cidade de Trakai, uma pequena jóia que fica a 28 km da capital e que deve fazer parte do seu roteiro na Lituânia.

Pousamos suavemente em um gramado do outro lado da cidade, onde fomos agraciados com uma taça de espumante.

Como éramos marinheiros de primeira viagem de balão, fomos devidamente batizados.

O ritual é um pouco estranho e envolve água e fogo.

A “água” no caso era um pouco do espumante que foi jogado em uma mecha de cabelo e depois aceso com um isqueiro. Parece mais amedrontador do que realmente foi…

Depois do batismo até pensamos em ficar na cidade para turistar mas as visitas ao Castelo só abririam dali a 3 horas e não havia nem um café aberto para aguardarmos, por isso resolvemos aceitar a carona e voltar para Vilnius com nosso piloto (desta vez, de van).

O voo durou pouco menos de uma hora, foi bastante tranquilo e silencioso e incrivelmente bonito.

Precisa de mais recomendação?

Portugal – Lisboa em um dia

30 setembro 2018





Na viagem para a Rússia em abril desse ano tivemos uma conexão de quase 18 horas em Lisboa o que nos proporcionou um passeio nostálgico por algumas de suas inúmeras atrações.

Aterrissamos na capital portuguesa antes do sol nascer, às 4h45 de um sábado, e em poucos minutos nos livramos dos entraves burocráticos e estávamos livres para explorar a cidade, mas tivemos que aguardar alguns minutos até que ela “acordasse”.

O metrô só inicia as operações às 06h30 da manhã. Compramos um cartão Viva Viagem por € 0,50  (sempre bom lembrar que esse cartão não pode ser compartilhado) e colocamos um bilhete diário que custou € 6 – hoje custa € 6,30.

Esse bilhete nos dá direito a viagens ilimitadas no metrô (que aqui perde o acento circunflexo: diga “metro), ônibus (ou autocarros), bondes (aqui chamados eléctricos) e até os elevadores (ou ascensores) da região da Baixa.

Considerando que só o elevador Santa Justa, um dos mais famosos da cidade, cobra mais de € 5 para a viagem de ida e volta (ou seria de sobe/desce?) o preço do bilhete diário é uma pechincha e altamente recomendável para um city tour independente.

Tomamos o metrô no aeroporto, trocamos de linha na estação de Alameda  e descemos pela linha verde até Rossio, saindo próximo à Praça da Figueira, onde fica a estátua de D. João I.

Resolvemos entrar na tradicional Confeitaria Nacional, que já estava lotada a essa hora da manhã – tomei um cappuccino e comi um mil folhas de queijo e presunto, tudo por menos de € 5.

Seguimos pela rua Áurea até o Elevador de Santa Justa que eu ainda não havia visitado.

Pegamos uma fila de turistas madrugadores que tiveram a mesma ideia nossa e esperamos quase 45 minutos para finalmente entrar no elevador que nos levou até o Bairro Alto.

Com 45 metros de altura e tendo sido inaugurado em 1902, serve mais como atração turística do que propriamente transporte. Sua arquitetura lembra um pouco a da Torre Eiffel, o que parece natural, já que seu construtor era discípulo do famoso francês.

Saímos no elevador no Miradouro de Santa Justa, de onde pudemos admirar parte da cidade, incluindo a Baixa e o Castelo de São Jorge. É de lá a foto que abre esse post.

Saímos ao lado das ruínas do Convento do Carmo e continuamos explorando um pouco as ruelas do boêmio Bairro Alto.

Descemos até a Praça do Comércio de onde se vê o Arco da Rua Augusta. Pode-se subir para uma vista linda da praça e do Tejo e também ver uma exposição contando a história da cidade (Lisboa Story Center). Compre o ingresso conjugado e economize alguns euros.

Repleta de gente como nunca havia visto, foi a confirmação de que Lisboa está mesmo no topo da preferência dos turistas.

Nosso próximo destino era o bairro de Belém e para isso tomamos o eléctrico 15E com dezenas de turistas que se amontoavam no ponto. Cerca de meia hora depois descíamos quase em frente ao Mosteiro dos Jerônimos que tinha uma “pequena” fila para a entrada, desestimulando a nossa visita.

A quantidade de pessoas na pastelaria onde são vendidos os famosos pastéis de Belém também era impressionante.

Spoiler: não vale a pena entrar na fila se ela estiver desse tamanho. Tem coisa mais barata, menos lotada e igualmente saborosa (veja mais embaixo) na cidade.

Nos contentamos em passear pelos Jardins da Praça do Império

… até chegar no monumento Padrão dos Descobrimentos, na beira do Tejo e erguido em 1960 em formato de caravela e com estátuas representando as figuras históricas dos descobrimentos portugueses.

Continuamos caminhando pela beira do rio aproveitando o lindo dia de sol de primavera e chegamos à Torre de Belém, que também apresentava uma pequena multidão em seu entorno.

Classificada como Patrimônio Mundial pela Unesco, a torre foi erguida em 1514 e tinha como função principal a proteção da bacia do Tejo e, pelo visto, continua sendo um dos locais mais visitados da cidade.

Voltamos de ônibus até a região da Ribeira e descemos no Mercado Time Out, também conhecido como Mercado da Ribeira.

Recentemente remodelado, continua com a venda de produtos alimentícios, mas ganhou uma pavilhão inteiro com vários quiosques, onde os melhores cozinheiros portugueses apresentam alguns de seus pratos mais famosos.

Por ser novidade e em Lisboa, o local estava insuportavelmente lotado, e o fato de ser um sábado ensolarado só piorou o cenário. A luta aqui é para conseguir um lugar nos grandes balcões comunitários, por isso, se estiver em grupo, o único remédio é deixar alguém marcando o lugar.

As opções são bem diversas, indo do onipresente bacalhau e outros frutos do mar, até o hambúrguer e comida tailandesa.

Os preços estão um pouco acima da média, mas vale a visita. Escolhi um prato de cogumelos com ovo de codorna frito e presunto de parma, acompanhado de um bom cálice de vinho branco nacional.

Do lado de fora do Mercado descobrimos a Manteigaria, uma pastelaria que vende deliciosos pastéis de nata (só devem ser chamados pastéis de Belém aqueles vendidos em… Belém, oras!) por apenas €1.

Não devem nada aos originais, ainda mais com um pouco de canela por cima.

Voltamos de metrô até o Rossio novamente e encontramos o centenário Mercado da Baixa Pombalina a todo vapor.

Ocorrendo normalmente no último fim de semana de cada mês (de quinta a domingo), vende uma grande  variedade de queijos e embutidos além de chocolates, bebidas e até lembrancinhas. A animação era grande, com música ao vivo e muita comilança, mas havíamos acabado de almoçar e ficamos só no cheirinho.

Nesse ponto começou a chover e como já estava anoitecendo, resolvemos tomar o metrô e voltar para o Aeroporto e aguardar nosso voo.

Pelo fato de haver metrô e o Aeroporto ficar bem próximo das atrações da cidade, é perfeitamente possível escapar em um stopover de 6 horas ou mais (não recomendo sair do aeroporto se o tempo for menor do que isso) e curtir um pouco dessa cidade adorável.

Aguarde mais posts de Lisboa e Portugal até o fim de 2018.

Fim de semana – Recife – domingo

24 setembro 2018




O dia amanheceu nublado na capital pernambucana mas a tarde prometia sol, o que garantiria ótimos passeios pelo centro histórico de Recife.

Tomamos um Uber (aliás, recomendo usar esse meio de transporte por aqui – não tivemos qualquer problema e os deslocamentos até o centro eram mais baratos que o táxi) até o Marco Zero da cidade (item 1 no mapa acima), que fica na praça Rio Branco.

Lá também fica o painel com o nome da cidade, agora item onipresente nas áreas turísticas em qualquer canto do país.

O Marco Zero foi instalado na praça em 1938 pelo Automóvel Clube de Pernambuco e como se pode ver na foto, é dali que se contam “todas as distâncias para todas as terras de Pernambuco”.

A praça é banhada pelo Capibaribe, um dos rios principais da cidade, que fica protegido por um dique que o separa do mar e onde fica o Parque das Esculturas com a famosa Coluna de Cristal, de 32 metros de altura. Há barcos no pier da praça que fazem a travessia por R$10.

Como já tínhamos tido uma overdose de Brennand no dia anterior, continuamos desse lado do rio.

A praça também possui várias opções culturais como o o Santander Cultural, a Caixa Cultural, vistos na foto abaixo.

Também encontramos ali o Armazém do Porto com diversas opções gastronômicas e, na Avenida Rio Branco, uma das estátuas que homenageiam o bloco Galo da Madrugada, o mais famoso da cidade e considerado o maior do mundo em número de participantes.

 

Imperdível mesmo é o Centro de Artesanato de Pernambuco (item 2 no mapa), mais uma atração na mesma praça.

É um dos maiores do país e um ótimo lugar para comprar aquela lembrancinha típica, com preços bem camaradas.

Andando mais um pouco encontramos a Igreja Madre de Deus (item 4 no mapa), uma das mais importantes e antigas da cidade, tendo sua construção sido completada em 1709, com uso de arenitos dos arrecifes em sua fachada.

Infelizmente ela estava fechada à visitação no horário que passamos por lá.

Atravessamos então a ponte Buarque de Macedo para continuar nossa exploração do centro histórico. Essa ponte tem uma parte bloqueada para uso de bicicletas nos domingos.

Aliás fiquei surpreso com a quantidade de bicicletas nesse dia. Parece que esse meio de transporte é bastante utilizado pelos locais e turistas para explorar as belezas históricas da capital.

Famílias inteiras passeavam tranquilamente pelas ruas, a maioria das quais fica fechada ao tráfego aos domingos.

Da ponte Buarque de Macedo (foto acima) pudemos avistar a ponte Maurício de Nassau (foto abaixo), uma de muitas que cruzam o Rio Capibaribe e que deram à capital pernambucana o exagerado apelido de “Veneza Brasileira”.

Acabamos parando na Praça da República, uma das principais da cidade e que possui 3 edifícios importantes ao seu redor.

O Palácio de Justiça (item 5 no mapa), inaugurado em setembro de 1930 é um deles. Tendo o terreno sido propriedade de Maurício de Nassau, que decidiu construir um palácio no local com duas torres: uma era usada como observatório astronômico e outra como um farol. Foi tomado pela insurreição pernambucana e usado como quartel, sendo demolido em fins do século 18.

Ao lado fica o Teatro Santa Isabel (item 6 no mapa), que parece um pouco malcuidado no exterior. Esse teatro tem seu nome em homenagem à Princesa Isabel e foi o primeiro teatro do Brasil projetado por um engenheiro civil, no século 19, tendo recebido visitas ilustres como D. Pedro II e Castro Alves.

 

O terceiro prédio é o Palácio do Campo das Princesas (item 7 no mapa), que é sede administrativa do Poder Eexecutivo do estado.

Construído em 1841 por ordem do governador Francisco do Rego Barros, serviu de base para o governo da república em 1967 na época do Presidente Costa e Silva.

Atravessamos outra vez a ponte e fizemos um pit stop no bar Bodega de Véio (item 8 no mapa), instituição bastante conhecida na cidade. Comemos um petisco de carne de sol e macaxeira, um bom caldinho de feijão e continuamos nossa andança.

Passamos por vários exemplares de street art, dos quais esse abaixo me chamou a atenção.

Nossa próxima parada foi na Praça do Arsenal, que também possui várias atrações em seu entorno, uma delas a Torre Malakoff (item 9 no mapa).

Construída no século 19 e tombada pelo Iphan, o prédio serviu como portão monumental do Arsenal da Marinha e tem toques orientais em sua arquitetura.

Transformada em centro cultural no ano 2000, tem salas de exposição e até um anfiteatro e pode ser visitado gratuitamente de terça à sexta das 10 às 17h. Sábados de 15 às 18h.

Já  o observatório astronômico funciona aos domingos de 16 às 19h30, e o cesso é restrito a 20 pessoas a cada meia hora. A entrada é gratuita.

Na beira do rio fica o novíssimo e exuberante Cais do Sertão (item 10 no mapa) um museu interativo sobre o sertão e Luiz Gonzaga que ocupa o espaço de um antigo armazém no cais do porto.

O Museu, cuja curadora é a mesma do Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, propõe uma viagem pelo universo sertanejo, fonte de toda a obra do Luiz Gonzaga com recursos tecnológicos diversos.

Abre de terça a sexta das 9 às 17h (fins de semana abre às 13h) e a entrada custa R$10.

Caminhamos então na direção do Paço do Frevo, que também fica na Praça do Arsenal.

Fizemos um almoço leve na lanchonete do local, o Malakoff Café: comi um wrap misto com molho pesto e um suco de graviola. De sobremesa, provei uma cartola deliciosa, a primeira e única da viagem.

O Paço do Frevo (item 11 no mapa) é um espaço cultural para a difusão, pesquisa, lazer e formação nas áreas da dança e do ritmo ícone do estado: o frevo.

Até 1973 o prédio, construído em estilo neoclássico, abrigou a Western Telegraph Company e está tombado pelo Iphan desde 1998.

O espaço atual é resultado de uma parceria entre a Prefeitura do Recife, a Fundação Roberto Marinho, o Iphan e o Governo Federal.

Nos seus quatro andares, possui uma escola de dança e de música, um centro de documentação e exposições que contam a história desse ritmo contagiante e que personifica a cultura pernambucana.

As visitas ocorrem de terça à sexta das 9h às 17h; sábados e domingos, das 14h às 18h;  A entrada custa R$8 (grátis às terças).

A partir das 16h o agito começa a se formar no centro histórico e assim que ouvimos os batuques sentamos em um barzinho ali mesmo na Praça do Arsenal para observar o movimento.

Fomos agraciados com um ensaio bem animado do grupo Tapirapé de caboclinhos, que utilizavam o arco e flecha como percussão e entoavam um canto hipnótico.

Logo depois veio um grupo ainda mais animado dançando frevo, no evento que é denominado Arrastão do Frevo e que (depois viemos a saber) faz parte do calendário cultural semanal do Paço do Frevo, ocorrendo sempre aos domingos a partir das 16h.

Contando com estudantes do próprio Paço, o grupo também tem a presença ilustre de alguns convidados que dão um espetáculo à parte.

E que espetáculo! Acho o frevo um ritmo verdadeiramente contagiante, com suas alegorias coloridas e alegria por toda a parte. Impossível não se deixar levar e principalmente admirar a destreza e flexibilidade dos dançarinos.

Recomendo fortemente que sua estada no Recife inclua pelo menos um evento de frevo!

Para o jantar, escolhemos uma pizzaria que ficava próxima ao hotel, a Don Lucchi.

Comandada por um vero italiano, a casa tem pizzas bem gostosas e com coberturas inusitadas. Provamos uma com berinjela e gorgonzola.

E assim terminou nosso fim de semana prolongado em Recife.

Com certeza há muito o que ver na cidade e proximidades, mas dá para cobrir bastante terreno em 2/3 dias.

E você, já foi a Recife? O que gostou mais? O que sugere visitar?

Fim de semana – Recife – sábado

18 setembro 2018

No sábado, logo depois do café da manhã, seguimos para o bairro de Várzea, onde ficam a Oficina Francisco Brennand e o Instituto Ricardo Brennand. Os dois artistas são primos, mas dizem que não se dão muito bem.

Não confunda os dois: enquanto a oficina tem ênfase nas esculturas, o instituto guarda diversos tipos de armas, além de grande variedade de arte decorativa. Como ainda queríamos ir até Olinda, tivemos que escolher uma das duas atrações.

Optamos pela Oficina.

O bairro fica a 15 km de Boa Viagem, passando por avenidas com trânsito pesado, o que faz o percurso durar quase uma hora de carro. Felizmente o local estava relativamente vazio, já que chegamos pouco depois do horário de abertura.

Projeto do artista recifense Francisco Brennand e instalado desde 1971 em uma antiga fábrica de tijolos e telhas herdada de seu pai, fica junto a trechos de mata atlântica. O local é deslumbrante.

Na chegada, nos jardins externos, pudemos ver alguns exemplos das esculturas insólitas do artista.

Grande parte do acervo fica em um imenso salão convenientemente chamado de Salão das Esculturas que contém, além de inúmeras esculturas, vários painéis em azulejos.

A imagem mais conhecida do local é mesmo a visão do Templo Central que impressiona com suas colunas e temática com clara influência de Salvador Dalí.

Mais adiante ficam lindos jardins desenhados por Burle Marx com direito a um cisne negro.

 

Também há um cine teatro com capacidade para 128 pessoas e a Accademia, que contém desenhos e pinturas do artista.

Ao final da visita, vale dar uma passada no café/loja onde podem ser adquiridas obras do artista.


INFO – OFICINA FRANCISCO BRENNAND

Endereço: Propriedade Santos Cosme e Damião s/n- Várzea

Horários: Segunda à quinta, das 8 à 17h; Sexta das 8 às 16h: Fim de semana das 10 às 16h. Consulte os horários nos feriados pelo telefone (81) 3271-2466.

Entrada: R$10





Depois da visita, seguimos de carro para Olinda em um percurso de quase uma hora por conta do trânsito e  estacionamos ao lado da Igreja da Misericórdia (item 1 no mapa acima).

Resolvemos almoçar no Beijupirá (item 2 no mapa) que, além do cardápio delicioso, misturando frutos do mar com frutas e sabores doces, fica em uma linda casa com vista da cidade. O salão do restaurante pode ser acessado por um bondinho que desce a encosta e que dá um charme todo especial ao lugar.

Pedimos um queijo de coalho com orégano e azeite de entrada, que foi degustado com um espumante Rio Sol Brut, originário do sertão pernambucano.

O meu prato principal foi o Camarão Oui:  camarão com queijo de cabra, arroz de  e batatas assadas que estava delicioso. Esse e outros pratos do cardápio podem também ser pedidos para duas pessoas.

O Beijucastanha, prato de peixe com crosta de castanha, arroz de espinafre e batatas gratinadas, que foi pedido por dois amigos, também parecia muito gostoso.

A sobremesa – Beijubocado – foi o ápice do almoço e dividida entre todos (pedimos duas para os cinco!). Vejam só a descrição: um bolo de milho e coco com sorvete de café e calda de chocolate. Insuperável!

A chuva que começou a cair durante o almoço ainda persistia e tivemos que esperar alguns minutos até que ela parasse.

Seguimos então um roteiro circular pelo centro histórico de Olinda começando pela Igreja da Misericórdia.  Em seu prédio anexo funcionou o primeiro hospital do país, fundado em 1539: a Santa Casa de Misericórdia de Olinda.

Seguindo pela rua Bispo Coutinho passamos pela Casa dos bonecos gigantes do Alto da Sé (item 3 no mapa), que apresenta alguns dos famosos bonecos do carnaval pernambucano. Fica aberto todos os dias das 9 às 18h. Ingressos a R$10.

Ali ao lado fica o elevador panorâmico do Alto da Sé (item 4 no mapa), que oferece vistas em 360 graus da cidade e até do Recife. Com o tempo fechado e chuva, contudo, achamos que não valeria a pena subir até lá. Abre todos os dias das 8 às 18h (a partir de quinta até às 20h). Ingresso a R$5.

wikipedia

Nossa próxima visita foi na Catedral da Sé (item 5 no mapa), que começou como uma capela de taipa simples e frágil, erguida em 1540, mas que logo mostrou sinais de que não resistiria por muito tempo, sendo substituída por outro templo em 1584, com constantes melhoramentos até o incêndio devastador de 1631 que destruiu grande parte da igreja.

Sua reconstrução só foi possível após a expulsão dos holandeses e posteriormente a igreja foi elevada à condição de catedral. Algumas intervenções posteriores descaracterizaram a sua arquitetura, cuja forma original (entre a renascença e o barroco) foi finalmente restaurada em 1976 através de um incentivo governamental.

Seu interior ainda possui alguns painéis de azulejos belíssimos, como o mostrado abaixo.

Descemos pela Rua de São Francisco até a Igreja do Carmo (item 6 no mapa), que fica na praça de mesmo nome. Antigo Convento de Santo Antônio do Carmo de Olinda, sua construção se iniciou em 1580 e, como tantas outras igrejas, também sofreu danos com a invasão holandesa em 1631.

Várias construções e danos se alternaram até 1968, quando foram realizados restauros pelo Iphan. A igreja se encontra atualmente em obra e não pode ser visitada.

Seguimos pela Avenida Liberdade até encontrar a pequenina Igreja de São Pedro Apóstolo (item 7 no mapa), de torre única e interior simples, datando do início do século 18. Ao lado dela fica essa bela casa de tons avermelhados que, dizem, foi moradia de Maurício de Nassau. Pura balela de guia turístico: essa construção não existia naquela época, tendo sido construída no início do século 19, portanto, bem depois da expulsão dos holandeses.

Nossa próxima parada foi no Convento de São Francisco (item 8 no mapa), o mais antigo do país, tendo sua construção se iniciado em 1585 e que teve destino semelhante a outras igrejas da cidade durante a invasão holandesa.

No interior da igreja, na sacristia e na capela, é impressionante o rico trabalho de madeira no teto,  além das lindas pinturas que datam do século 18.

O claustro e a sacristia são famosos por conter uma série de painéis de azulejos portugueses.

Há ainda uma biblioteca no mosteiro, local onde foi instalada a primeira biblioteca pública do estado, com um importante acervo de obras raras.

Desnecessário dizer que todo o conjunto – assim como várias outras construções do centro histórico de Olinda – foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

Continuamos andando pela Rua de São Bento, passando em frente à casa de Alceu Valença (item 9 no mapa) e, mais  à frente, pelo Museu do Mamulengo (item 10 no mapa – entrada a R$4), um espaço cultural devotado à arte dos bonecos populares, possuindo um acervo de mais de mil exemplares.

Começamos a subir lentamente a Ladeira da Misericórdia (item 11 no mapa), bem íngreme, até voltarmos ao ponto inicial.

De lá de cima temos uma vista privilegiada da Igreja do Carmo, no meio da vegetação, e do litoral.

Olinda é uma cidade fascinante, com um riquíssimo acervo histórico e construções que remontam ao início da colonização do país.

A foto ao lado mostra o contraste entre suas ladeiras com casas coloridas e o skyline de Recife ao fundo. Uma beleza!

Reserve um dia no seu roteiro para pelo menos explorar o centro histórico.

Mais tarde, fomos jantar na Tasquinha do Tio, simpático restaurante português na Avenida Boa Viagem, em Pina.

Esse restaurante fica no térreo do edifício Oceania, que ficou conhecido como o prédio do filme Aquarius, com Sonia Braga.

Típica tasca portuguesa, possui pratos com preços bastante convidativos, principalmente quando se considera que o forte da casa são os frutos do mar. A comida e o atendimento estavam acima da média. Altamente recomendável!

O prato de bacalhau a lagareiro estava lindo (foto abaixo) mas, como estava com pouca fome, pedi apenas uma panelinha de polvo que estava deliciosa.

E para a sobremesa pedimos a Torta Diva: recheada de doce de leite e coberta com crocante. Fechou a noite com chave de ouro!

Deixamos para explorar o centro de Recife no último dia – os domingos na cidade são bem animados, me disseram…

Fim de semana – Recife – ida a Porto de Galinhas

14 setembro 2018

De volta ao projeto “Fim de Semana”, a capital escolhida dessa vez foi Recife, cidade que não visitava há quase 10 anos. Retirei uma passagem com milhas em um voo direto do Galeão e consegui uma folga do trabalho na sexta feira, podendo assim viajar na quinta à noite.

Como estávamos em um grupo de 4 pessoas, preferimos ficar em um hotel que incluísse o café da manhã para maximizarmos o tempo de turistagem.

Escolhemos o Hotel Vila Rica, no bairro de Boa Viagem, de frente para a praia. Embora um pouco antigo, tinha um café da manhã muito bom, com tapiocas e omeletes feitas à escolha, além de fatias finas de um delicioso bolo de rolo, iguaria muito famosa no Nordeste.

Na praia em frente, eram frequentes os avisos para tomar cuidado com o banho de mar por conta de ataques de tubarão que ocorreram naquela área.

A ideia do fim de semana prolongado era aproveitar um dia para visitar Porto de Galinhas, que fica a menos de 60km da capital, interligada por uma nova estrada pedagiada e que diminuiu em meia hora o trajeto entre as duas cidades.

A sexta feira amanheceu ensolarada e após alugar um carro, seguimos pela PE-009, rodovia que também dá acesso ao complexo portuário de Suape. A estrada está em ótimas condições e é pedagiada (R$7,30 por trecho).

O trânsito intenso dentro de Recife foi o responsável pela viagem de quase uma hora até chegarmos à entrada de Porto.

Na chegada, ainda longe da praia, começamos a sentir o assédio intenso aos turistas, problema constante em Porto. Informações erradas de que as ruas estavam interditadas e que deveríamos estacionar o carro onde eles indicavam, ofertas insistentes para passeios de bugue ou de jangada, foi bastante difícil o trajeto até a bela praia do centrinho de Porto.

E que praia!

Considero essa uma das mais bonitas praias urbanas do país, com um visual adornado por recifes e coqueiros e de águas mornas, claras e tranquilas.

O comércio de bebidas e comidinhas é bem variado, sendo possível encontrar até uma bomba de gasolina com chopp!

Para culminar, em época de lua cheia ou nova, a grande amplitude entre as marés alta e baixa é suficiente para descortinar algumas piscinas naturais repletas de peixinhos.

Para chegar até elas é preciso contratar um passeio de jangada que tem preço tabelado de R$25 (preço de setembro de 2018) e que te leva até lá em um percurso que dura 5 minutos.

Você terá então 40 minutos para desfrutar daquele paraíso antes de voltar para a praia.

Pode-se comprar o ingresso diretamente no quiosque da associação na pracinha em frente à praia ou sucumbir a um dos inúmeros “agentes” que te abordarem na praia – nesse caso, eles ganham uma comissão de R$2 por passageiro.

Uma das piscinas naturais tem um formato que (dizem) se assemelha ao mapa do Brasil. Veja a foto abaixo e tire suas próprias conclusões.

Como dito anteriormente, é apenas nas luas cheia e nova que o espetáculo das piscinas acontece. Para saber se sua visita coincide com o período favorável, acesse o site da tábua das marés e escolha o período em que a maré baixa fique abaixo dos 50cm. Pesquise por Recife, o local mais próximo de Porto de Galinhas com dados de maré.

Apesar da proximidade da areia, não é aconselhável ir nadando até as piscinas por conta da quantidade de ouriços. Aliás, deve-se tomar cuidado ao caminhar de sandálias na área das piscinas pelo mesmo motivo.

A praia estava relativamente cheia apesar de ser uma sexta feira e o sol estava bem agradável para um banho de mar, mas a fome bateu e decidimos procurar um local para comer. Acabamos não resistindo ao charme da Patrícia que nos ofereceu um cardápio convidativo do restaurante que ficava na rua paralela à praia.

O restaurante se chama Borges, é pequeno mas charmoso, apesar de ficar em um local sem janelas, no piso inferior.

A própria Patricia nos brindou com uma das melhores caipirinhas que já havia tomado, com o detalhe que fez a diferença: a adição de mel de engenho no interior da taça. O melhor de tudo era o preço: simpaticíssimos R$8!

Tomei duas!

O cardápio tinha opções com camarão a preços acessíveis, além de pratos que podiam ser divididos por duas pessoas. Escolhi um espaguete com camarões no azeite e brócolis que estava muito bom.

O tempo resolveu mudar enquanto almoçávamos e ainda estava garoando quando seguimos pela rua atrás de uma boa “cartola”, uma sobremesa que adoro e que não havia no cardápio do restaurante em que estávamos.

Para quem não conhece, a cartola é feita com banana, açúcar, canela e queijo coalho derretido. Infelizmente esse exemplar estava abaixo da média, por isso não vou nem recomendar.

Voltamos para Recife, não sem antes parar na praia de Muro Alto, onde ficam alguns dos melhores resorts do local como o Nannai e o Summerville.

A praia é quase uma grande piscina, com águas super tranquilas, mas as construções de cimento estragaram um pouco o visual e o vento constante não incentivava o banho de mar.

Chegamos na capital na hora do rush, mas conseguimos escapar dos piores engarrafamentos.

Para o jantar, rumamos para a rua Capitão Rebelinho, no bairro de Pina, ao norte de Boa Viagem e que é conhecida pelas boas opções gastronômicas.

Escolhemos o Hotspot, pequeno e sóbrio, onde comi um saboroso filé ao molho de queijo com risoto de alho poró.

O filé ao molho de malbec com risoto de alho poró também estava com uma cara ótima!

Pedimos uma garrafa de malbec argentino que era barato, mas insosso. Foi a única pedida errada do dia.

Rússia – Moscou – Visita ao Kremlin

29 agosto 2018

 

Considerado o coração da atividade política na Rússia com importância histórica indiscutível, principalmente no século 14 com Ivan, o Grande, que o tornou sede do Estado Russo, o Kremlin foi também a residência de diversos reis, patriarcas e políticos, inclusive sendo hoje a residência oficial do Presidente Putin.

Ocupando cerca de 27.000 metros quadrados, pode ser considerado um dos maiores museus do mundo, com a maior parte de sua área aberta aos turistas.

A primeira coisa a definir é quais atrações você vai querer visitar para comprar acertadamente os ingressos correspondentes (que também podem ser adquiridos online).

A bilheteria local fica ao lado dos Jardins de Alexandre, do lado oeste do Kremlin (a Praça Vermelha fica a leste) e a entrada se dá pela Torre Kutafya e posteriormente pela Torre da Trindade – duas das 20 torres no total. Na foto abaixo, pode-se ver mais duas delas.

A Torre do Salvador mostrada na foto abaixo (e cujo relógio foi atingido durante a Revolução de 1917) é considerada a entrada principal do local, mas só é usada em grandes cerimônias e restrita aos políticos importantes ou chefes de Estado.

Minha sugestão: visite a área conhecida como Praça das Catedrais (incluindo várias Catedrais construidas no fim do século 15 e início do século 16 por arquitetos italianos, além dos jardins, o sino e o canhão do Czar) e principalmente garanta seu ingresso ao Palácio do Arsenal do Kremlin onde poderá apreciar a maior coleção de ovos Fabergé do mundo. Veja os detalhes na seção INFO ao final do post.

 

Também chamada de “Cidade de Deus”, a Praça das Catedrais é indiscutivelmente o centro do Kremlin, ladeada por seis edifícios, sendo 3 importantes catedrais – a da Assunção, da Anunciação e do Arcanjo.

Havia 11 igrejas no interior do Kremlin mas, devido a reconstruções nos séculos 18 e 19, apenas 6 atualmente permaneceram.

A Catedral da Assunção (mostrada ao lado) foi durante 6 séculos, a principal igreja do país, sendo palco de coroações e atos políticos e local onde os patriarcas moscovitas estão enterrados.

Originalmente foi erguida em 1326 por ordem de Ivan I, mas foi substituída pela atual em 1479 depois do desabamento da antiga. Seu interior é belíssimo, contendo diversos ícones mas as fotografias são proibidas (nesta e em qualquer outra igreja do Kremlin).

 

A Catedral do Arcanjo, por sua vez, é o local onde os príncipes e czares (incluindo Ivan, o Terrível) eram enterrados até o fim do século 18, quando a capital mudou para São Petersburgo.

Suas paredes estão repletas de pinturas retratando importantes figuras políticas da cidade. Suas cúpulas representam Jesus e seus 4 evangelistas.

A Catedral da Anunciação (mostrada abaixo) foi construída em 1489 por arquitetos russos que misturaram estilos gregos e russos como uma igreja para os duques e czares celebrarem casamentos e batizados, e é uma das mais impressionantes catedrais do Kremlin.

A Catedral foi bastante avariada durante a Revolução Russa (1914-1917) sendo então reformada e fechada, e usada como Museu desde então.

Seu interior é impressionante, com diversos exemplares de ícones de vários artistas adornando as paredes.

A Catedral possuía inicialmente apenas 3 domos, que ganharam a companhia de seis outros com a construção de capelas laterais por Ivan, o Terrível no século 16, que também ordenou que os 9 domos fossem revestidos em ouro.

Ironicamente o próprio Czar acabou sendo impedido de entrar na Catedral quando se casou pela quarta vez, já que a Igreja permitia a presença de pessoas com, no máximo, três casamentos. A solução foi construir um pórtico do lado de fora apenas para o Czar ficar de pé durante as missas.

Logo ao lado fica o Campanário de Ivan, o Grande onde, nos meses de verão (maio a setembro), pode-se subir até o segundo andar para uma vista da Praça das Catedrais, com ingresso extra que deverá ser adquirido no local, não sendo vendido online. Apenas 15 pessoas são admitidas por sessão.

Há diversas exposições temporárias que são mostradas no Hall da Torre da Assunção, que fica ao lado e cujo acesso está incluído no ingresso da Praça das Catedrais.

A torre tem 81 metros de altura e foi, durante muito tempo, a construção mais alta da cidade.

O Sino do Czar (Tsar Kolokol) é outra peça muito popular entre os turistas e que apresenta um dano em sua estrutura, conforme mostra a foto abaixo.

Esse dano ocorreu durante o combate a um incêndio, ocorrido enquanto o sino ainda estava no molde, o que fez com que um pedaço se desprendesse.

 

Com 6 metros de altura e de diâmetro e pesando mais de 200 toneladas, o sino, similarmente ao Canhão, nunca foi utilizado e nunca se ouviu o som do seu badalo.

O Canhão do Czar (Tsar Pushka) é um monumento da artilharia russa, feito em bronze em 1586.

É o maior canhão do mundo, embora sua importância seja apenas simbólica, já que nunca foi utilizado em guerras.

É uma das atrações mais visitadas no Kremlin, especialmente por crianças.

A Igreja da Deposição das Vestes (mostrada abaixo à direita) foi construída em 1484 e serviu como igreja particular da família do czar.  Com apenas uma cúpula, fica ofuscada pelas 11 do edifício ao lado, o Palácio do Terem, um dos mais fotografados no interior do Kremlin.

Na parte de trás do Campanário do Ivan fica o Taynitsky Gardens, onde antes ficavam duas igrejas que foram destruídas pelos bolcheviques após a Revolução. Também conhecido como Jardim Secreto (“taynitsky” significa “secreto” em russo), é muito bem cuidado e um dos locais favoritos para fotos. Ali havia um carvalho que foi plantado pelo Yuri Gagarin apenas dois dias depois de sua famosa viagem lunar.

Em frente ficam os Jardins Públicos do Kremlin, um ótimo local para um descanso ou se você estiver apenas esperando a hora de visitar aquela que é, para muitos, a principal atração do Kremlin: o Palácio do Arsenal.

 

O Palácio do Arsenal é o maior museu e a atração mais impressionante do Kremlin, sendo parte do complexo do Grande palácio do Kremlin, edifício que começou a ser construído em 1505 mas cujo formato atual data de 1851. A admissão é feita em 4 horários diários com ingresso que dever ser comprado separadamente.

A coleção, espalhada por várias salas ricamente decoradas, apresenta mais de 4 mil itens pertencentes aos czares e patriarcas, como vestimentas e tronos luxuosamente adornados, além de presentes, muitos deles de ouro e prata, recebidos de monarcas de outros países europeus. A seção dedicada às carruagens é de cair o queixo.

kremlintour.com

O destaque fica com a maior exposição de ovos Fabergé do mundo. Essas maravilhas são ideia de Gustave Fabergé, cuja firma de fabricação de jóias foi fundada em 1842 em St. Petersburg, mas cujo ápice ocorreu sob a direção de seu filho Carl que contou com a maestria de um de seus quase 500 empregados: Mikkhail Perkhin.

Durante 11 anos, a fábrica foi responsável por fornecer seus famosos Ovos de Páscoa para a família real russa. Esses ovos eram fabricados com técnica apurada e muita criatividade e quase sempre tinham uma “surpresa” no seu interior.

A maioria dos ovos foi vendida depois que os bolcheviques assumiram o poder em 1917 e hoje estima-se em 46 o numero de ovos originais restantes e que estão espalhados pelo mundo, sendo que 19 deles na Rússia (10 no Kremlin e 9 em St. Petersburg).

Considero esse um dos mais interessantes museus que já visitei e recomendo fortemente que você não deixe escapar a oportunidade de apreciar tamanha riqueza.

O Palácio Estatal do Kremlin, próximo à entrada pela Torre Kutafya, é o edifício mais recente do local, datando de 1961. Funciona hoje como uma importante Sala de Concertos e abriga o balé do Kremlin.

Com arquitetura um pouco diferente das demais construções, esse prédio é fechado a visitantes e foi palco de reuniões do Partido Comunista.

Hoje se apresenta aqui a Companhia de Balé do Kremlin, além de ocasionalmente receber espetáculos de ópera e teatro.


INFO – KREMLIN

  • Horário:  Todos os dias das 10 às 18h (até às 17h de outubro a maio); Fechado às quintas.

Dica: Evite visitar o Kremlin nos feriados russos, principalmente nos mais importantes (9 de maio, 12 de junho e 4 de novembro). Bolsas ou mochilas devem ser deixadas gratuitamente no guarda volumes.

Ingressos: há 3 tipos de ingressos:

1) o que dá acesso à Praça das Catedrais (500 rublos), incluindo o interior de todas as Catedrais e às exposições temporárias na Torre da Assunção.

2) o que permite a entrada no Palácio do Arsenal (700 rublos – entradas em quatro horários diários: 10h, 12h, 14h30 e 16h30); os ingressos da próxima sessão só são vendidos depois que a primeira sessão se esgote, ou seja, você não pode escolher o horário de entrada.

Dica: Chegue pelo menos 15 minutos antes do horário marcado pois pode haver filas no controle de segurança.

3) o que dá acesso ao Campanário do Ivan, o Grande (250 rublos), incluindo a subida na torre (durante o verão) e uma exposição, cuja entrada deve ocorrer em um desses horários: 10h15, 11h15, 13h, 14h, 15h, 16h e 17h (este último apenas no verão). Esse ingresso também dá direito a visitar a Praça das Catedrais porém SEM acesso ao interior das mesmas.

Lembrando: se você quiser visitar tudo, deverá comprar os 3 ingressos!

  • Onde comprar: os ingressos podem (e devem) ser adquiridos online até 14 dias antes de sua visita ou na bilheteria oficial do Kremlin que fica nos Jardins do Alexandre (na parte oeste, próximo à Torre Kutafya) e que fica aberta todos os dias (menos às quintas) das 9h30 às 16h30. Há máquinas automáticas que também vendem os ingressos, mas estranhamente não são muito utilizadas.

Dica: a bilheteria fica lotada até umas 11h que é também o horário onde vários grupos de turistas se aglomeram para a entrada propriamente dita no Kremlin. Se puder chegue um pouco depois deste horário.

  • Como chegar: as estações de metrô mais próximas são: Biblioteka Lenina (Библиотека им. Ленина) e Teatralnaya (Театральная) ambas na linha 3 e Okhotny Ryad (Охотный Ряд) na linha 1.
  • Importante 1: Não existem lanchonetes ou restaurantes no Kremlin e não se pode entrar com comida
  • Importante 2: No interior do Kremlin deve-se respeitar todas as regras de visitação, sob pena de levar uma advertência sonora dos inúmeros guardas locais. Há locais onde o acesso e fotografias são proibidos e as faixas nas ruas devem ser rigorosamente obedecidas nas travessias.