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Roma 2017 – Dicas básicas: saindo do Aeroporto, Roma Pass, transporte e onde ficar

17 abril 2017

passioneperviaggio.blogspot.com

O Aeroporto Leonardo da Vinci, também conhecido como Fiumicino, é o principal de Roma e o mais movimentados do país. Existem diversas formas de se deslocar para a cidade:


1- Táxi

Essa é a forma mais cara, mas também a mais confortável. Dependendo do trânsito, pode ser a mais rápida, mas normalmente o trajeto demora 45 minutos. O preço é tabelado e em fevereiro de 2017 custava 48 até a região da estação de trem Termini.

Os táxis oficiais são brancos com um brasão  pintado na porta. Levam no máximo 4 passageiros e 4 malas. Cuidado para não pegar um táxi com placa de Fiumicino, pois eles são mais caros. Para saber quais são eles, basta olhar para o brasão na porta.

romapravoce.com

Alternativamente, pode-se reservar um táxi com um motorista fluente em inglês através deste site.


2- Trem expresso

O Leonardo Express, como é chamado o trem rápido entre o Aeroporto e Termini, faz o trajeto em 35 minutos sem paradas, mas o preço (14 o trecho, sem desconto se comprar ida e volta) é um pouco salgado para o que oferece: os trens não são luxuosos e o espaço para bagagens é pequeno.

raileurope.com

As saídas ocorrem a cada 30 minutos, entre as 6h38 e 23h38.

As passagens podem ser compradas nas máquinas automáticas que possuem instruções em inglês e ficam na entrada da estação. Existem também guichês com atendentes vendendo os tickets.

rommalanders.com

Se você for se hospedar nas imediações da estação pode ser uma boa pedida.


3- Trem parador

Esta opção de trem regional (linha FL1) serve para aqueles que irão se hospedar em outros bairros da cidade, como Trastevere, por exemplo. O seu custo é mais baixo (8) porém é mais demorado, já que para em algumas estações antes de chegar a Roma Trastevere (24 min), Roma Ostiense (28 min), Roma Tuscolana (35 min) e Roma Tiburtina (44 min).

Importante: este trem NÃO para em Termini, sendo necessário desembarcar em Roma Ostiense ou Roma Tiburtina e seguir viagem de metrô ou táxi.

Veja a diferença entre os dois trens no mapa ao lado.

Os trens partem a cada 15 minutos nos horários de pico (30 minutos nos outros períodos) das 6h às 23h.

As passagens também podem ser compradas nas mesmas máquinas e guichês do trem Leonardo Express.


4- Ônibus

Esta é a opção mais barata e foi a que utilizei nesta última viagem.

Existem 3 empresas que ligam o aeroporto a Termini: a Terravision (5,90 a ida, 8,90 ida e volta)  a TAM (esta empresa faz uma parada em Roma Ostiense) e a  SIT (esta linha passa no Vaticano antes de ir a Termini).

Os preços variam um pouco, mas como as saídas são intercaladas, você acabará pegando a que estiver prestes a sair. Os ônibus são confortáveis, pontuais e possuem wi-fi.

Nosso ônibus da empresa TAM fez o percurso, com parada em Roma Ostiense em cerca de 45 minutos. A volta ao Aeroporto, no sábado de manhã, foi mais rápida: menos de 40 minutos. Independente disto, conte com pelo menos 50 minutos de trajeto, com eventuais engarrafamentos.


HOSPEDAGEM

Em relação ao  local de hospedagem, no início relutei em ficar nas imediações da Termini, devido a ser uma região um tanto quanto decadente, como ocorre na maioria das grandes cidades nas proximidades das estações de trem.

vista do quarto do hotel

Com a inauguração recente do Mercatto na lateral da estação, porém, o fluxo de moradores e turistas ficou maior e mais selecionado, o que trouxe um pouco mais de segurança. Claro que, apesar disto, não se deve bobear.

Outro fator que conta em se hospedar por ali é a sua localização central, de onde se pode ir caminhando (ou mesmo de metrô, a estação Termini conecta as duas linhas de metrô) até as principais atrações da cidade.

Escolhemos o Hotel Serena na Via Principe Amedeo, um 3 estrelas bem razoável e com ótimo preço. O café da manhã e o quarto eram bons, mas o wi-fi deixou a desejar, por isso não posso recomendar totalmente.

Outros locais interessantes para ficar são o bairro contíguo de Monti, bem próximo ao Coliseu, com várias opções de restaurantes bons e baratos.

Outra opção mais alternativa seria ficar na região de Trastevere, podendo se beneficiar do trem parador, vindo de Fiumicino.


TRANSPORTE

Em relação ao transporte, fizemos quase tudo a pé, aproveitando que Roma é uma cidade compacta e com inúmeras atrações a cada esquina ou via, fazendo com que caminhar pela cidade seja uma experiência bem mais rica.

O metrô cobre boa parte da cidade e o bilhete custa 1,50€ (válido para uma viagem de metrô, mas também durante 100 minutos nos ônibus da cidade, com direito a transfers).

Além do bilhete unitário há o passe válido por 24 horas (7€), 48 horas (12,5€) ou 72 horas (18€).

Na minha humilde opinião estes passes não valem a pena: a possibilidade de você encontrar um lugar encantador ao andar a pé por Roma é muito grande e você não vai querer perder isso, né?


ROMA PASS: VALE A PENA COMPRAR?

Depende.

O passe de 72 horas custa 38,50 e te dá o direito de visitar duas atrações gratuitamente (o de 48 horas, valendo 28 , apenas uma). Ambos incluem o passe de transporte público (abrangendo metrô, ônibus e os poucos trams), mas se você seguir a regrinha de andar bastante por esta cidade encantadora, precisará usar o transporte público poucas vezes.

Mesmo se você considerar as duas atrações mais caras (Coliseu e Galeria Borghese, que custam respectivamente  12 e 15), ainda sobram 11,50para o transporte e descontos em outros locais. Se você fizer uma programação intensa nestes 3 dias, pode valer a pena sim. Já no passe de 48 horas, a economia não faz muito sentido.

A principal razão apontada para adquirir o Roma Pass é evitar as filas quilométricas no Coliseu, porém a fila da segurança continua valendo para todos os mortais.

Enfim, para o nosso caso não achei que valesse a pena (utilizamos o metrô em apenas 3 ocasiões nos 4 dias que ficamos por lá), além do que fomos na baixa estação (fevereiro) e a fila do Coliseu estava bem tranquila, mas você pode checar todas as opções no site do Roma Pass e decidir baseado na época da visita e no que pretende fazer.

Fim de semana – Florianópolis – domingo

30 março 2017



O domingo amanheceu nublado e com previsão de chuva, mas saímos esperançosos. Seguimos direto para a Praia Mole, na costa leste da ilha.

Outra praia preferida dos surfistas, ela possui este nome em função da areia fofa que faz com que caminhar nela se torne um exercício cansativo.

E foi o que fizemos, andando até a parte norte onde começa uma trilha que vai acabar na praia de naturismo da ilha: Galhetas. Levamos quase meia hora para andar cerca de 1km.

A trilha é bastante fácil e bonita (vide foto abaixo) mas não achamos que valia a pena continuar até o final e nos contentamos com a visão completa da praia que se tinha na metade do caminho. Linda mesmo!

Saímos de lá e seguimos para a Praia dos Ingleses para iniciar nossa expedição pela parte norte da ilha.

Decidimos não parar nem nos Ingleses nem em Canasvieiras, que é a praia seguinte e a preferida de nossos hermanos argentinos. Estas duas praias possuem uma vibe um tanto quanto urbana, não sendo muito diferentes de outras cidades à beira mar. Passo!

Seguimos pela orla passando por Canajurê que, como o nome diz, fica entre a praia de Canasvieiras e a de Jurerê.

Nesta foto abaixo pode-se ver a praia de Jurerê ao fundo.

A maioria das praias da parte norte possuem águas calmas e propícias para famílias com crianças, que eram a maioria neste domingo nublado.

Resolvemos almoçar em um restaurante a quilo em Jurerê e depois percorremos as ruas desertas e cheias de casas cinematográficas no bairro contíguo, Jurerê Internacional.

Há várias casas exuberantes, mas o bairro parece uma cidade fantasma, já que a maioria delas ficam fechadas fora da estação e algumas até apresentavam o cartaz de venda.

A praia de Jurerê Internacional não difere muito de suas vizinhas e estava praticamente vazia neste domingo chuvoso.

Logo ao lado da praia fica um dos quatro fortes da cidade: a Fortaleza de São José da Ponta Grossa, a única que fica na Ilha de Santa Catarina e que pode ser acessada por terra.

 

 

Este forte começou a ser construído em 1740, mas só foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1938, quando estava em ruínas.

Formando uma das pontas de um triângulo defensivo, juntamente com as fortalezas de Santa Cruz de Anhatomirim e de Santo Antonio de Ratones, nunca teve utilização efetiva, já que o alcance de seus canhões era menor do que a distância entre os fortes, não sendo suficiente para impedir o avanço dos barcos inimigos. Um pequeno erro estratégico e matemático.

O local fica aberto diariamente (até as 17hs fora de temporada; 19h no verão) e a entrada inteira custa R$ 8.

A última praia visitada antes do dilúvio que caiu foi a pacata Daniela, que mais parecia um lago e estava praticamente deserta.

Como já era final da tarde, voltamos ao hotel para nos preparar para o jantar: resolvemos experimentar um café colonial em uma cidadezinha bem próxima à Florianópolis (cerca de 30km) chamada São Pedro de Alcântara.

Situada em uma casa grande ao lado de um riacho com uma pequena queda d’água, o Café Colonial Girassol possui todos os quitutes salgados e doces, além de diversas bebidas que combinaram perfeitamente com o clima fresco que fazia.

Os salgados são razoáveis (destaque para o pão de queijo) e os doces muito variados. Não é o melhor café colonial que já provei, mas pelo preço honesto (R$30) cumpre o prometido, tanto é que fica lotado nos fins de semana e tivemos que esperar por 20 minutos para entrar.

E assim terminou nossa última noite na cidade.

Floripa continua encantadora, ainda que possua os mesmos problemas de antes, principalmente aqueles relacionados ao trânsito.

Merece bem mais do que um fim de semana, se você puder esticar em um feriado prolongado e fora de estação.

Vale a pena!

 

Fim de semana – Florianópolis – sábado

26 março 2017


Depois de algum tempo, consegui retomar o projeto de fim de semana voltando à bela capital de Santa Catarina após 15 anos da primeira visita. Embarcamos em um voo direto do Galeão, levando apenas 1h20 para chegar ao destino final.

Desta vez tivemos a companhia de um amigo nascido lá, que fez questão de nos ciceronear pelos recantos mais bonitos da ilha (Thanks!). Por conta do transporte público deficiente e de sua extensão – a ilha de Santa Catarina é a maior ilha marítima do Brasil – é fundamental alugar um carro para poder aproveitar melhor os passeios.

Ficamos hospedados no Ibis Florianópolis, bem no centro. Pelas razões expostas acima, deve-se optar por um hotel central por uma questão de logística.

Chegamos em uma sexta feira à noite e nossa primeira parada foi no agitado e compacto Mercado Municipal, repleto de boxes vendendo quitutes variados, com destaque para os frutos do mar. Os preços, principalmente os do tradicional Box 32, são um pouco salgados. As fotos, pelo menos, eram gratuitas…

Nosso anfitrião decidiu então nos levar ao Galeto da Mamma, que ficava no continente, no bairro de Coqueiros. Além da famosa sopa de capeletti e do galeto primo canto, havia vários tipos de massa (muito cozidas e com molho sem inspiração) e uma deliciosa polenta frita, que foi o ponto alto da noite.

No dia seguinte acordamos com o sol na janela e começamos a explorar a ilha pela parte sul, onde ficam as praias consideradas as mais bonitas da cidade, por serem mais selvagens e cercadas de natureza.

Um dos problemas de Florianópolis são suas estradas, normalmente de mão dupla e que não comportam o trânsito intenso em fins de semana e feriados. Engarrafamentos são bastante comuns, principalmente na direção das praias mais procuradas, portanto coloque uma dose extra de paciência na mala ou venha depois do Carnaval, quando se inicia a baixa estação e o fluxo de turistas cai.

A nossa primeira parada foi no Morro das Pedras, para uma visita à Casa de Retiro Vila Fátima, inaugurada em 1956 e local onde também funciona um hotel (e cuja arquitetura deu o nome ao morro). Sua construção teve contribuição de pedreiros filhos de imigrantes italianos vindos de Nova Trento e foram utilizadas pedras do próprio morro.

De seu mirante pode-se avistar toda a extensão da Praia da Armação, local que iríamos visitar mais tarde.

Passamos antes pela Lagoa do Peri, a segunda maior da ilha, embora seja a maior lagoa totalmente de água doce do estado. Sua profundidade chega a 11 metros, mas a “praia” fica restrita a uma área bem rasa.

Refúgio dos amantes dos esportes náuticos, também visitam o local famílias com crianças, que se aproveitam de suas águas calmas, agradáveis e próprias para o banho.

Durante a temporada de verão (dezembro a março) podem ser alugados pedalinhos,  stand-up paddle e caiaque. Diversão garantida!

Além dos banhos e esportes náuticos, pode-se fazer caminhadas pela Reserva Biológica em trilhas que levam a cachoeiras e antigos engenhos coloniais, podendo contar com o auxílio de guias.

Outra atração local é o Projeto Lontra, um criadouro científico destes animais, cuja visita deve ser agendada previamente.

No local há uma pequena lanchonete e um parquinho infantil. A maioria das pessoas prefere mesmo fazer um piquenique.

Seguimos então na direção da Praia da Armação, que se desenvolveu a partir de uma vila de pescadores. Sua simpática igrejinha fica em frente à praia.

A praia, de água calmas, perde um pouco do encanto por ser também “estacionamento” dos inúmeros barcos pesqueiros, mas há quem aprecie não ter que dividir a areia com uma multidão.

Preferimos fazer uma pequena trilha até a Praia de Matadeiros, logo adiante. O início da trilha fica ao final da ponte mostrada abaixo.

Cerca de 5 minutos depois já conseguimos avistar uma linda praia, sem dúvida uma das mais bonitas da ilha.

Com uma boa extensão, ondas pequenas, areia firme, águas límpidas e frequência eclética, a praia é um convite à contemplação. Se a temperatura estivesse um tantinho mais quente eu teria me arriscado a tomar um banho.

Ao invés disso, ficamos admirando a paisagem no barzinho local que tinha uma trilha sonora bem descolada.

Voltamos ao carro na direção da Lagoa da Conceição, ponto central do agito da ilha, principalmente à noite.

De dia, o local é povoado por esportistas, turistas em busca de um passeio pela lagoa e pessoas indo para um almoço em um de seus vários restaurantes. Fiquem avisados de que alguns deles são bem medianos, por isso faça uma pesquisa completa antes de parar em algum lugar para comer.

Digo isto porque aconteceu de pararmos em um restaurante chamado Maria Farinha que à primeira vista nos pareceu interessante, além de oferecer uma sequencia de camarão a preços razoáveis (R$99 para 3 pessoas!) para Florianópolis.

O que pensávamos ser um banquete se resumiu a um bolinho de peixe para cada um, alguns camarões à milanesa servidos com arroz, e filés de peixe grelhado, que estavam com um aspecto nada atraente. Fujam!

Conseguimos nos vingar na sobremesa: depois de alguma pesquisa básica na Internet, encontramos a Max Gelateria, super bem cotada e a menos de 1km de onde estávamos.

E que acerto: com cremosidade absurda  e sabores bem marcados, foi um dos melhores sorvetes que havia provado nos últimos tempos. Escolhi uma casquinha deliciosa com borda de chocolate e recheei com uma bola de chocolate com laranja e outra de cheesecake de frutas vermelhas. Sensacional!

Seguimos para a famosa Praia de Joaquina, passando antes pelas dunas, que servem para dar um toque diferente à paisagem e para o aluguel de sandboards.

Joaquina estava fervendo e foi difícil conseguir lugar para estacionar, isto porque estávamos no começo da baixa estação e o sol do meio da tarde não estava tão forte assim. Imaginem no verão!

Para quem não sabe, esta é uma das praias mais procuradas pelos surfistas da ilha.

Ainda na direção norte, paramos na Barra da Lagoa, uma praia de águas calmas e mornas.

Inicialmente uma pequena vila de pescadores, gradualmente ganhou casas de veraneio que fizeram o local tomar vulto e até se tornar independente do distrito da Lagoa da Conceição em 1995.

Ao lado da praia fica um canal que liga a Lagoa da Conceição ao mar (foto ao lado) – na época certa este canal tem águas esverdeadas formando um lindo complemento à praia, mas não tivemos esta sorte, ou talvez o sol não estivesse forte o suficiente.

Atravessando uma ponte há um caminho que passa inicialmente por várias casas de pescadores transformadas em pousadas alternativas que atraem turistas de várias partes do Brasil e do mundo.

Logo depois começa a trilha propriamente dita, que leva até às piscinas naturais em cerca de 15 minutos de caminhada e alguns aclives.

A maré estava alta, por isso não pudemos visualizar as piscinas naturais em seu esplendor. Só valeu mesmo pelo exercício físico.

Ainda seguimos até a Praia dos Ingleses mas não paramos, já que queríamos ver o por do sol em Santo Antônio de Lisboa.

Santo Antonio é uma belezura, com excesso de charme e tranquilidade. Um dos bairros mais antigos da cidade, é um reduto da colonização açoriana, com arquitetura típica bem preservada.

Desenvolvido em torno da Igreja de Nossa Senhora das Necessidades, fundada entre 1750 e 1756, recebeu inúmeros imigrantes e também se destacou como uma colônia pesqueira.

Não conseguimos entrar, mas o interior da Igreja possui vários objetos de arte da época barroca.

Também é uma tentação no quesito gastronomia, com vários restaurantes especializados em pratos de frutos do mar, além de food trucks de churros e barraquinhas vendendo deliciosos pavês de leite ninho com trufa de chocolate!

Resolvemos voltar à noite para jantar neste bairro adorável. Ficamos divididos entre dois restaurantes, mas acabamos nos decidindo pelo ótimo Marisqueira Sintra, que fica em frente ao mar.

Fizemos uma reserva (aconselhamos a fazer o mesmo!) e chegamos um pouco mais cedo, podendo apreciar o ritmo do local com a gostosa brisa marinha da noite.

Vejam como  a arquitetura típica fica  mais deslumbrante à noite e com a devida iluminação! A igreja estava ainda mais bonita, se é que isto é possível.

O restaurante é propriedade de um português nascido em Sintra que se casou com uma mato-grossense.  Possui também mesas na parte de fora, ao pé da areia, para aqueles dias mais frescos.

Preferimos ficar na parte de dentro, mas havia um grupo grande nas mesas ao lado que fazia um barulho acima do razoável. Ficamos mesmo assim, demonstrando nossa indignação, mas eles estavam muito absortos em suas conversas paralelas e não nos deram atenção. Foi o único senão da noite…

Os pratos de bacalhau são a pedida mais frequente da casa e não fugimos do script.

Meu amigo pediu uma posta de bacalhau  com batatas e amêndoas que parecia (e estava, depois soubemos) irresistível.

Fui de bacalhau desfiado com ovos, cebola e presunto de parma, irrepreensível. Pedimos uma garrafa de vinho branco português que casou perfeitamente com os pratos.

E de sobremesa, nada mais nada menos que baba de camelo: doce de leite batido com ovos e um toque de amêndoas. Juro que fiquei tentado a repetir!

Andamos pelo bairro mais um pouco para fazer a digestão, observando a oferta de restaurantes diversos, com música ao vivo ou sem, familiares e para grupos, tudo de forma ordeira, formando um espaço bastante democrático.

Sem dúvida se tornou meu local preferido na ilha.

Europa 2016 – Itália – Milão, parte 2

27 fevereiro 2017

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No dia seguinte começamos nosso passeio indo até a região do Parque Sempione.

Desta vez compramos o biglietto de 24 ore por €4,50, que dá direito ao transporte em metrô, ônibus e trams pelo dia inteiro.

Descemos na estação de Lanza (linha verde) e percorremos a Via Pontaccio até chegarmos na Pinacoteca di Brera, que fica no Palácio Histórico de Brera, que foi construido pelos jesuítas em 1764 e em cujo complexo se encontram a Academia de Belas Artes, a Biblioteca Braidense e o Jardim Botânico.

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dsc06819Também é a sede do Observatório astronômico di Brera, que foi nossa primeira parada. Aqui se encontram diversos instrumentos utilizados na observação e análises de corpos celestes.

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Foi aqui que, em 1877, o cientista italiano Giovanni Schiaparelli descobriu os canais de Marte .

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Infelizmente, desde 1920 a seção de observação propriamente dita foi trasladada para a cidade de Merate.

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O Jardim Botânico, ao lado do Observatório, contem algumas espécies e mudas de diversas partes do mundo, mas não tem aquela exuberância esperada, só valendo mesmo como um passeio ao ar livre, antes de irmos para nosso destino principal.

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Situado no primeiro andar do Palácio di Brera, a Pinacoteca abriga uma das mais importantes coleções de arte da Itália e, diferente de outros museus, seu acervo não foi construído com coleções privadas, mas sim do Governo.

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Idealizada pela imperatriz Maria Teresa da Áustria, aberta ao público em 1809 e transformada em museu graças a Napoleão Bonaparte, tem em seu acervo importantes artistas italianos como Rafaello, Tintoretto e Bellini.

Dentre as obras mais importantes está a  Cena in Emmaus, do artista local Caravaggio (procure pelo seu nome verdadeiro: Michelangelo Merisi), datada de 1605.

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Um dos quadros que mais me impressionou foi L’ Adorazione dei Magi , pintado pelo italiano Lorenzo Costa em 1499.

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A Pinacoteca fica aberta todos os dias das 8:30 às 19:15 (quintas até as 22:15).

Ingresso a €10 (às quintas, a partir das 18:00 o ingresso custa €2; na terceira quinta do mês paga-se €3 com direito a um concerto de jovens músicos; no primeiro domingo de cada mês o acesso é gratuito).


Resolvemos almoçar pelo simpático bairro de Brera, outrora reduto de artistas e prostitutas. Comemos um hambúrguer em um dos restaurantes que encontramos pelo caminho.

Depois do almoço seguimos a pé até o Castelo Sforzesco. Construído como um forte no início do século 14, foi destruído por diversas vezes até a sua forma final, capitaneada pelo então Duque de Milão, Francesco Sforza, no século 15.

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Em uma de suas últimas reformas, em 1905 foi inaugurada a Torre do Filarete (que pode ser vista na foto abaixo), em homenagem ao Rei Umberto I da Itália.

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Hoje em dia o Castelo abriga várias galerias de arte e museus diversos como a Pinacoteca del Castelo Sforzesco, o Museu de Instrumentos Musicais, o Museu Egípcio e o Museu de Rondanini Pietà, este último abriga a última escultura feita (e inacabada) por Michelangelo.

A escultura, chamada de Pietà Rondanini, foi trabalhada por Michelangelo nos seus últimos anos de vida, e retoma o tema da Virgem Maria diante da morte de Jesus Cristo.

Infelizmente este foi o único museu que tivemos tempo de visitar e continuamos a explorar o local, que costuma ser palco de eventos importantes como a Semana de Moda de Milão.

Logo estávamos no Parco del Sempione, que foi criado no começo do século passado, fazendo um belo complemento ao Castelo, além de possuir em sua área um Aquário, um estádio de esportes e o Arco de Napoleão.

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Também chamado de Arco della Pace, foi recentemente renovado. Feito de mármore e com carruagens em seu topo, o monumento celebra as vitórias de Napoleão Bonaparte.

Claro que não se compara ao seu irmão parisiense, mas faz um belo conjunto com o Castelo e os jardins.

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dsc06834 Tomamos um bonde próximo ao Arco e descemos nas proximidades da Piazza del Duomo.

Depois de tanto caminhar nada melhor que um gelato italiano. Um dos melhores exemplares da cidade fica ali nas imediações e tem o nome singelo de GROM. Não poderia ser mais recomendado!

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Seguimos então para finalmente visitar o interior do Duomo, entrando na fila que normalmente é bem grande. Há diversos tipos de combo, incluindo visitas à área arqueológica e ao topo da Catedral, mas preferimos comprar o ticket que dava direito apenas ao interior (custa €2 ).dsc06851dsc06840

Seu interior é belíssimo (mesmo só possuindo a fraca iluminação externa que é filtrada por seus belos vitrais), rivalizando com o seu exterior formado por placas de mármore branco e rosa vindos da cidade de Candoglia, à beira do Lago Maggiore.

Contendo centenas de estátuas góticas e pilares enormes, é uma festa para os olhos e pode-se ficar vários minutos admirando os detalhes arquitetônicos. Seu altar também é de uma beleza impressionante!

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O Duomo pode ser visitado todos os dias das 8 às 19h (a área arqueológica e o terrazze abrem às 9h).

Lembrando que as vendas terminas uma hora antes do horário de fechamento.

Vejam todas as possibilidades de visitas neste link.

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Não podíamos sair da cidade sem experimentar a famosa happy hour milanesa.

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A história é a seguinte: pelo preço de um drink, refrigerante, cerveja ou uma taça de vinho (com preços variando entre €8 e €10) leva-se inteiramente grátis várias idas ao buffet de pratos (quente e frios).

A região mais indicada para um passeio noturno é Navigli, que fica ao sul da cidade, nos arredores da estação de metrô Porta Gênova (linha verde).

O cardápio (e a qualidade dos petiscos) varia de bar para bar e vale a pena dar uma olhada antes de decidir onde fincar âncora. O nosso escolhido tinha preços e comidas honestas, mas sem muito brilho, queijos diversos, frios, muitas saladas, pães e alguns pratos quentes.

Pedi uma taça de um Pinot Grigio (€9) e ficamos petiscando e observando o movimento daquela noite agradável. Belo programa!

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Em resumo, como havia falado, nossa estada em Milão foi plenamente satisfatória, com o equilíbrio perfeito de opções culturais e gastronômicas, afinal de contas estamos na Itália. Precisa mais?

Não deixe que te convençam a descartar a cidade do seu plano e dedique ao menos dois dias inteiros para sua visita.

Europa 2016 – Itália – Milão, parte 1

19 fevereiro 2017

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Quando contei para amigos que tinha a intenção de ficar dois dias inteiros em Milão, todos tentaram me demover da ideia: “a cidade não tem muito para fazer”,  “bastam 3 horas para se visitar as principais atrações”, estas eram as principais críticas.

Depois de passar vários dias alternando entre cidades pequenas da Alemanha e Suíça, eu precisava do agito de Milão, urbano que sou, como quem precisa de ar para respirar. Mesmo com toda a corrente contrária, mantive os planos e não me arrependi nem um pouco.

Claro que, comparado ao que Roma, Veneza e Florença tem a oferecer, Milão perde de goleada, mas não vi nenhum motivo para tamanho desprezo pela cidade, nem mesmo presenciei alguma animosidade local contra os turistas (“estes italianos do norte tem o nariz empinado!”, diziam alguns). Curtimos nossos dois dias, comemos bem e barato, fizemos uma programação cultural tranquila e abrangente, enfim, nos divertimos muito.

Nossa saída de Como em trem estava prevista para a estação San Giovanni, mas como estávamos bem próximos à estação Como-Borghi, preferimos tomar um trem local, um pouco mais vagaroso, que nos deixou na estação Milano Centrale, com uma troca de trens em Milano Cadorna – no total a viagem demorou pouco mais de uma hora.

Nosso apartamento estava situado a duas quadras da estação, na Via Ponte Seveso, em um edifício bem antigo e com elevador apertado, que mal cabia nossas malas. O apartamento, ao contrário, tinha mobiliário novo e era bem aconchegante.

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Nossa primeira providência foi arrumar um lugar para almoçar, o que conseguimos fazendo uma rápida pesquisa na Internet. Havia um restaurante fora do circuito turístico, frequentado basicamente por italianos e que tinha uma comida bastante honesta e a preços nunca vistos até aquele momento – massas por 6 euros!!!

Depois do almoço tomamos o metrô até a estação Duomo pela linha amarela (M3), saindo em frente à praça.

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No final da tarde, não poderíamos ter sido agraciados com visão mais bonita da linda Catedral e da elegante Galleria Vittorio Emmanuelle, um par perfeito e seguramente os maiores ícones de cidade.

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A Galleria foi criada em meados do século 19 por Giuseppe Mengoni para unir as duas praças: Piazza del Duomo e a Piazza della Scala. Foi um dos primeiros shoppings construídos no mundo e seu nome homenageia aquele que foi o primeiro Rei da Itália.

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Dentro se encontram várias lojas sofisticadas e alguns dos restaurantes mais antigos da cidade, mas a maior parte do público quer mesmo é admirar esta belezura com teto de vidro e arcos de ferro fundido. Havia um Mc Donald’s dentro da Galeria (o Horror! o Horror!) mas sua licença não foi renovada pela prefeitura e uma loja da Prada foi aberta em seu lugar.

O centro da galeria, em formato octogonal tem quatro brasões na cúpula, representando as três capitais do Reino da Itália (Turim, Florença e Roma), além da própria Milão.

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Il Duomo di Milano, como é conhecida a Catedral da cidade, é a maior igreja da Itália (A Basílica de São Pedro fica no Vaticano, lembra?) e a quinta maior do mundo. Sua construção levou 6 séculos e utilizou dezenas de arquitetos e engenheiros, só terminando quando Napoleão, prestes a se tornar Rei da Itália, ordenou em 1805 que sua fachada fosse concluída, o que só ocorreu sete anos depois, a tempo dele ser coroado Rei.

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Com 45 metros de altura e em estilo gótico, a Catedral é mesmo impressionante, dominando o panorama da praça. Seu interior e os terraços podem ser visitados, mas decidimos deixar a visita para o próximo dia, com mais calma.

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Nesta praça ficam dois museus interessantes, mas que não houve tempo para visitar: o Museo del Novecento, que fica no Palazzo dell’ Arengario (foto abaixo à esquerda), tem ênfase na arte do século 20, abrangendo desde Picasso e Klee até artistas italianos modernos como Lucio Fontana. Abre todos os dias das 9:30 às 19:30; quintas e sábados fica até às 22:30 e na segunda abre a partir das 14:30. Entrada a €10.

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Logo ao lado fica o Palazzo Reale (foto acima à direita), por muito tempo sede do governo e que agora se transformou em um importante centro cultural – durante a nossa visita, a mostra em cartaz era sobre Rubens e o nascimento do barroco e atualmente está havendo uma exposição com obras do Keith Haring.

Os horários de abertura são idênticos ao do Museo del Novecento. A entrada é um pouco mais cara: €14.

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Atravessamos a Galeria mais uma vez até chegar na Piazza della Scala, que possui uma estátua em homenagem a Leonardo da Vinci, obra do escultor Pietro Magni erguida em 1872.

Em frente à praça fica o teatro de mesmo nome (foto acima), que foi construído em 1776 a mando da Imperatriz Maria Theresa da Áustria, para substituir o antigo Teatro Ducal que havia sido destruído por um incêndio. O local escolhido para o novo teatro ficava onde antes havia a igreja de Santa Maria alla Scala, por este motivo o nome foi mantido.

Verificamos que naquele dia haveria um espetáculo de balé (“Giselle”) e decidimos comprar entradas para o mesmo dia. Teríamos a oportunidade de assistir a um espetáculo no famoso teatro por menos de €10. Era uma oferta irrecusável!

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Por dentro o teatro revela toda a  sua pompa, com assentos de veludo vinho e lustres imponentes, revelando em seu interior a beleza que não se nota tão facilmente na parte externa – confesso que quando vi a fachada do teatro fiquei um pouco decepcionado com sua aparente “simplicidade” arquitetônica.

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O espetáculo foi bonito e relativamente curto, o que permitiu que a gente pudesse jantar logo em seguida.

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Escolhemos um restaurante nas imediações e mais uma vez escolhi um prato de massa – pappardelle a carbonara.

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Voltamos de metrô para o apartamento, descendo outra vez na estação Sondrio, na linha amarela, que ficava mais próxima de onde estávamos.

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E assim terminou nosso primeiro dia em Milão.

Europa 2016 – Suíça – Lugano

12 fevereiro 2017

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A cerca de 40km de Como, onde fizemos base, Lugano é a personificação da mistura da “alegria-de-viver” dos italianos com a “ordem-e-progresso” suíços, criando uma cidade encantadora e que merece uma atenção especial se você passar por esta região.

Maior cidade do cantão de Ticino, onde ficam os quase 10% dos suíços que falam italiano, a cidade fica à beira do lago de mesmo nome, o que lhe confere um ar ainda mais bonito, especialmente com as montanhas ao fundo. É também a maior cidade fora da Itália com população que fala majoritariamente italiano – na sua região metropolitana estão 145.000 habitantes.

Escolhi esta cidade para devolvermos o carro que alugamos, já que pela Hertz não haveria cobrança de adicional por devolução em outro local, desde que fosse no mesmo país. Como esta região é uma das minhas preferidas na Suíça, foi a desculpa perfeita para voltar a Lugano depois de quase 20 anos!

Saímos cedo de Como e enfrentamos um pequeno engarrafamento até atravessar a fronteira. Fizemos a última recarga de combustível bem próximo da cidade (a gasolina é um pouco mais cara aqui do que na Itália). Deixamos o carro na Hertz ao lado da estação ferroviária (Bahnhof) e em menos de 5 minutos (juro!) estávamos livres para iniciar a exploração da cidade.

A Bahnhof fica na parte alta da cidade e os pontos de interesse ficam nas proximidades do lago. As duas partes da cidade são ligadas por um funicular, mas preferimos descer a pé mesmo.

O centro histórico é bem compacto e fácil de se locomover. Um dos pontos mais conhecidos é a Piazza della Riforma, onde fica o edifício da Prefeitura e local de festivais, cinema ao ar livre e até feiras livre (às terças e sextas).

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Passamos pelo Cassino, de onde se pode ter uma bela vista do lago, mas não conseguimos entrar. Seguimos então na direção do parque da cidade, passando por esta bela escultura abaixo, chamada Eros Vendado, do artista polonês Igor Mitoraj, inaugurada em 1999.

Aparentemente a mesma escultura pode ser encontrada em outras cidades do mundo como Cracóvia, Roma e Vancouver.

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Construída em 1602 em estilo barroco, no local onde havia outra igreja consagrada a San Biagio, vemos abaixo à esquerda, a Chiesa di San Rocco.

Vale lembrar que 68% da população da cidade é católica.

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Chegamos então ao Parco Civico Villa Ciani, um dos locais mais agradáveis de Lugano, em uma localização perfeita. Seus jardins são meticulosamente arranjados para serem os mais coloridos possíveis e sua decoração muda a cada ano!

Dividido em duas áreas distintas: a primeira próxima ao Museu de Belas Artes, com jardins de inspiração inglesa e italiana; a outra parte, mais afastada e depois de um riacho, tem um aspecto mais natural e contem espécies de vegetação nativas, além de um playground infantil.

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O Museu de Belas Artes Villa Ciani é um dos dois museus do parque (o outro sendo o Museu Cantonal de História Natural) com obras de alguns impressionistas e de vários artistas da região, abrangendo outros períodos.

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O  portão acima traduz a era de ouro da aristocracia, quando o parque era propriedade privada da família Ciani, obviamente.

Da beira do lago se tem uma linda visão de parte da cidade.

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O passeio junto ao lago é bem agradável de se percorrer. Durante os fins de semana no verão, o tráfego é fechado para que possam ocorrer concertos e outros eventos. A ideia futura é barrar os carros nesta área, o que a tornaria ainda mais atraente.

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Passamos por esta simpática praça abaixo, que se chama Piazza Alessandro Manzoni.

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Decidimos fazer um passeio pelo lago, aproveitando que a previsão de chuva fina parecia se concretizar. Tomamos o barco que sai do cais na beira do lago, um pouco adiante da praça acima.

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O passeio básico, de uma hora de duração (custando 26,40 CHF) fazia a volta pelo lago, nos levando até Gandria, uma pequena vila de pescadores que fica aos pés do Monte Brè, um dos mais conhecidos da região.

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A vila é charmosinha, com ruelas íngremes e restaurantes românticos debruçados sobre a água, onde algumas pessoas desceram.

Por conta da chuva fina, decidimos continuar até o fim do loop. Daqui, pode-se retornar a Lugano também de ônibus.

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Antes de chegar a Gandria, passamos por uma cidadezinha chamada Campione d’Italia (literalmente “amostra da Itália”), pertencente à província de Como e um enclave italiano no meio da Suíça, separada do resto da Itália pelas montanhas que a circundam – é necessário uma volta de 14km até chegar na cidade italiana mais próxima!

A cidade desfruta de particularidades interessantes: as placas dos carros, o sistema telefônico e de saúde e até a moeda são suíços, mas a polícia é italiana.

A principal atração da cidade é o Casino di Campione, esta construção esquisita e de péssimo gosto, mostrado na foto abaixo. Na cidade, as leis que regem o jogo são menos rigorosas do que na Itália ou na Suíça, além de não haver a aplicação do imposto VAT.

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Na volta do passeio marítimo, continuamos seguindo pela orla até chegar à Chiesa Santa Maria degli Angioli, essa mostrada na foto abaixo.

Não se deixe enganar pelo aspecto humilde de sua fachada, construída em 1499: o principal tesouro fica mesmo do lado de dentro.

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Um lindo afresco chamado “Paixão e Crucificação de Cristo” vem a ser um dos mais importantes não só da Renascença mas também do país.

Obra do artista milanês Bernardino Luini, considerado por muitos o “Rafael do Norte“, desde 1529 adorna uma parede que separa a nave do altar e, como o nome diz, retrata as fases da Paixão de Cristo, tendo a Crucificação como tema central e o uso frequente de simbolismos – note, ao pé da cruz, o crânio, o fêmur de Adão e sua costela, de onde Eva teria sido criada.

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É uma obra fascinante, daquelas em que os olhos às vezes buscam os inúmeros detalhes, e depois apenas contemplam o afresco como um todo.

Ficamos tão magnetizados pela obra que até deixamos seu belo altar injustamente em segundo plano.
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Decorando a parede esquerda da nave, outras três pinturas, do mesmo artista, compõem a versão dele para a Última Ceia.dsc06707

Por todos estes motivos, considero que a visita a esta Igreja foi o ponto alto do dia.

Como a chuva insistia em cair, procuramos abrigo na próxima atração: o Centro Cultural LAC – Lugano Arte e Cultura, que ficava alguns metros adiante.

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Este espaço é dedicado às artes plásticas, música e performances e abriga o MASI – Museo d’Arte della Svizzera Italiana, dedicado às obras contemporâneas de diversos artistas da região.

Além do museu (que juntou peças de outros dois museus – o da “Cidade de Lugano” e do “Cantão de Ticino”) há um auditório com capacidade de 1.000 pessoas servindo para concertos, shows e peças de teatro. Em suma, é mesmo o centro cultural da região.

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Situado na beira do lago, onde ficava o Palace Hotel, seu projeto arquitetônico foi escolhido em 2001 dentre 130 concorrentes – o vencedor foi o local Ivano Gianola, que já demonstrava uma preocupação de adequar seus projetos às requisições ambientais.

Finalmente em 2010 foi iniciada a construção deste belíssimo espaço e o material escavado foi jogado diretamente no lago, onde plantas aquáticas floresceram, criando um ambiente propício para a proliferação da vida marinha.

Enfim, foi um ótimo lugar para se abrigar da chuvinha e revelou-se também perfeito para fotos, especialmente ao final da tarde.

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Continuamos nossa caminhada pelo centro da cidade seguindo a Via Nassa, agora em busca de um local para jantar. Acabamos escolhendo um restaurante italiano com preços razoáveis para a cidade – comi uma pizza que custava o dobro do que se estivesse em Como!

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Depois do jantar seguimos então para a estação ferroviária de onde partiria o nosso trem de volta à Como.

Esta visita, embora tenha sido de apenas um dia, mostrou uma faceta da cidade que não havia experimentado há 20 anos. Pude percorrer suas ruas com calma e aproveitar toda a tranquilidade e beleza de sua localização. Lugano é imperdível!

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Europa 2016- Itália – Como

7 fevereiro 2017

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Depois do passeio a Bellagio, pudemos nos concentrar em desbravar a pé a parte histórica – bastante compacta, por sinal –  de Como.dsc06643

Nosso apartamento alugado no Airbnb ficava fora do centro, mas com apenas 5 minutos de caminhada pela Via Milano já estávamos na Porta Torre, uma fortaleza de 40 metros (foto ao lado), construída com fins defensivos em 1192, na parte sul do centro histórico.

Através de suas ruelas e driblando a chuva fina conseguimos chegar até a principal atração de Como, sua belíssima Catedral, cuja construção começou em 1396 e perdurou por quase quatro séculos até que, finalmente, sua cúpula ficou pronta em 1740.

 

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Com seu estilo indefinido, misturando gótico, rococó e outros estilos, função da demora na sua construção, é um ícone que representa a posição de destaque que a cidade possuía, sendo uma importante ligação entra a Itália e os países vizinhos ao norte.

Apesar da mistura, os diversos arquitetos conseguiram uma harmonia impressionante. Em seu interior se encontram algumas estátuas, além dos sarcófagos de dois bispos.

A Catedral é também é conhecida como a Cattedrale di Santa Maria Assunta ou o  Duomo di Como.

Aberta nos dias de semana das 10h30 às 17h, nos fins de semana apenas das 13h às 16h30, tem entrada gratuita.

Continuando a caminhada pelo centro e passando pela parte de trás da Catedral, chegamos até o Teatro Sociale.

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O Teatro Sociale uma obra do arquiteto italiano Giuseppe Cusi, foi construído no antigo local onde ficavam as ruínas da Torre Rotonda do castelo medieval. Este teatro chegou a se transformar em um cinema por um período na década de 1930, mas ao final da Segunda Guerra, se tornou a alternativa do Teatro Scala de Milão quando este ficou avariado.

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Passamos pela bela Chiesa di San Giacomo, uma das mais antigas da cidade, construída no século 10.

Sua fachada de cor ocre é obra do arquiteto italiano Giovanni Antonio Piotti.

Em 1578, parte da igreja foi demolida, devido à maior influência da Catedral e nos séculos seguintes passou por algumas reformas até a década de 1970, quando a seu estilo renascentista foi restaurado.

Por fim chegamos à beira do lago, passando pela Piazza Cavour (foto abaixo) e saindo em frente ao Giardino dei Tempio Voltiano.

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Este jardim à beira do lago é uma ótima opção para um  passeio de fim de tarde – nesta época suas árvores coloridas denunciavam a estação do ano.

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Dos jardins pode-se ver ao fundo a Villa Olmo toda iluminada, uma da mais luxuosas mansões à beira do lago, construída no século 18. O complexo, com vários edifícios, hoje funciona como um centro de exposições, além de possuir cassinos, um hostel e até quadras de tênis.

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Ao fundo se vê parte de Brunate, uma comuna vizinha, com suas casas ocupando boa parte do morro. A cidadezinha é conhecida por abrigar um funicular de onde se pode ter uma vista panorâmica do lago e suas cidades, mas como o tempo estava feio, decidimos não subir.

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Funcionando todos os dias de 6h às 22h30 e até às 24h nos fins de semana, com saídas a cada meia hora, a viagem no funicular dura 7 minutos até o topo. Custo? 3€ ou 5,50€ ida e volta.

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Voltando ao parque, uma de suas atrações é o Templo de Volta (Tempio Voltiano), um museu dedicado a um dos cientistas italianos mais famosos, Alessandro Volta, inventor da pilha elétrica que nasceu aqui em 1745.

O edifício, em estilo neoclássico, foi erguido em 1927 para coincidir com o aniversário de 100 anos do cientista, mas só foi inaugurado no ano seguinte. Possui uma coleção de instrumentos científicos usados por Volta, além de alguns objetos de uso pessoal, incluindo os diversos prêmios recebidos por ele.

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Também em homenagem ao famoso cientista local, foi erguido em 2013 um monumento chamado “The Life Electric” ao final do pier. Obra do arquiteto Daniel Libeskind, tem quase 17 metros de altura e foi inspirado na tensão que ocorre entre dois polos de uma pilha elétrica.

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Voltamos ao centro histórico e desta vez passamos em frente à Basílica de San Fidele, uma das mais antigas da cidade, construída provavelmente em 1120 e modificada várias vezes com o passar dos tempos, especialmente a fachada e a torre do sino.

Logo ao lado, vimos um simpático mercado de rua e seguimos de volta (sem trocadilho!) para o apartamento.

Fomos jantar em uma pizzaria chamada Napole è, na Via Luigi Dottesio. Pela módica quantia de 8€ pude degustar uma deliciosa pizza à moda de Nápoli, com bordas aeradas e o verdadeiro tomate marzano, perfeito para degustar com um belo azeite de oliva. Escolhi a cobertura de prosciutto e carcioffi, sensacional!

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Esta pizza já valeu a pena ter vindo a Como, mas a cidade tem muito mais do que a gastronomia e vale a pena passar alguns dias pela região. Se o tempo for curto, faça um bate-e-volta de Milão para mudar um pouco de ares. Você não vai se arrepender!