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Portugal – Vale do Douro – Peso da Régua e Pinhão

10 dezembro 2018


A região do Douro é uma das mais antigas áreas demarcadas para o cultivo de vinho no mundo, datando do século 16 . É dividida em Alto Douro, Alto Corgo e Baixo Corgo, únicas regiões onde se faz o vinho do Porto.

Uma das opções para explorar essa região é montar base em Régua, que fica a 96 km a leste da cidade de Porto. Há vários meios de transporte para chegar até lá, desde barco até o trem dependendo do tempo disponível e do orçamento.

Os trens partem da estação de Campanhã e custam pouco menos do que 10. Há 6 partidas diárias em cada direção. Veja os horários aqui.

Para quem tem mais tempo e gosta do transporte náutico, o barco pode ser uma boa opção embora seja mais caro. Se só tiver um período curto, sugiro que vá de trem e faça um pequeno trecho de barco no Douro, para ver a região por outros ângulos.

Outra opção é o aluguel de carro, que dá mais liberdade para conhecer cada canto da região mas ao mesmo tempo pode limitar as degustações (se beber, não dirija!).

Escolhi um hotel que fica em um edifício centenário, o Original Douro Hotel. A reforma da antiga construção ficou muito boa com escadas e portas de madeira, mas ainda conservando muito do charme da época. O único problema era o elevador, o mais lento que já vi.

Confesso que fiquei surpreso quando chegamos à Régua pois esperava encontrar uma cidade menor: a quantidade de prédios residenciais era enorme.

O percurso em trem desde Porto demora pouco menos de duas horas e na metade final os trilhos acompanham o Douro no que é indiscutivelmente a parte mais bonita da viagem.

Depois de deixar as malas no quarto fomos ao restaurante A Companhia, que fica no Museu do Douro e que tem um menu do dia, com sopa, prato principal e sobremesa por apenas 8.

Após o almoço fizemos uma visita ao Museu, que conta a história da região com ênfase no desenvolvimento da indústria de vinhos, além de possuir algumas exposições temporárias, como a de fotografias de ramais e estações de trem que foram desativadas.

O ingresso de 6 inclui, ao final, uma prova de vinho do Porto. É uma visita curta e bastante informativa, necessária para conhecer um pouco mais a historia da região.

Para o jantar fomos em um antigo armazém, ao lado da estação de trem, que abriga os melhores restaurantes da cidade.

Escolhemos o Locomotiva, um dos mais recentes a ser inaugurado, onde comi uma salada de polvo deliciosa com uma garrafa de vinho branco da Quinta da Pacheca.

No dia seguinte fomos de trem até a cidadezinha de Pinhão, cerca de 20 minutos de Régua. São poucas saídas diárias e cada trecho custa 2,55 . Consulte os horários aqui.

Pinhão é bem menor do que Régua, com menos de 1.000 habitantes, mas mesmo assim era maior do que eu imaginava. A cidade também é conhecida pelas suas quintas e hotéis sofisticados.

A estação de trem é uma pequena joia, com belos mosaicos em azulejo mostrando a colheita das uvas.

O seu calçadão à beira rio é charmoso e arborizado. Nele fica o luxuoso hotel The Vintage House, com uma piscina com vista privilegiada para o Douro.

Escolhemos Pinhão como base para fazer um passeio de barco pelo Douro.

De lá, além dos grandes navios que cruzam boa parte do rio desde Porto, saem pequenas embarcações construidas em madeira típicas do Rio Douro (chamadas rabelo) que fazem um percurso de uma hora até a Quinta da Romaneira, (10) ou de 2 horas até a vila de Tua, (20) e são perfeitos para se ter uma ideia das paisagens ribeirinhas, sem precisar gastar muito tempo ou dinheiro.

Normalmente os barcos saem a cada hora para o percurso menor e há duas empresas que ficam no cais e intercalam os horários, das 10 às 17h (no verão há mais horários).

Eis algumas paisagens que você poderá ver nesse passeio.

Uma sugestão de vinícola para visitar (e muito prática para quem não está motorizado) é a Quinta do Bonfim, pertencente à Symington (que também é responsável por várias marcas de vinho do Porto, entre elas Graham e Cockburn).

A quinta fica colada à estação de comboios em Pinhão e tem visitas guiadas custando a partir de 15 e que devem ser agendadas neste site.

Na volta de Pinhão ainda deu tempo de passear  um pouco mais por Régua indo até a ponte de pedestres que conecta a cidade com o distrito de Viseu.

Na travessia pode-se ver a Ponte da Régua e o elevado que também conectam os dois concelhos.

É uma região adorável e cheia de encantos, além da possibilidade de visitar as famosas quintas e provar dos melhores vinhos do país, como fizemos na Quinta da Pacheca (veja esse post).

Para ser melhor aproveitado, com a calma e tranquilidade que o lugar merece, sugiro ficar ao menos duas noites por aqui.

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Portugal – Vale do Douro – visita à Quinta da Pacheca

6 dezembro 2018

 

A região do Douro é conhecida mundialmente pela qualidade de seus vinhos e existem inúmeras quintas (como aqui são chamadas as propriedades dedicadas à produção de vinhos) espalhadas pelas encostas do rio até quase a fronteira com a Espanha.

Um dos passeios mais recomendados nessa região é a visita a uma dessas quintas, mesmo para quem não é profundo apreciador dessa bebida.

Escolhemos a Quinta da Pacheca que fica a uma curta caminhada da cidade de Régua, mas que também pode ser acessada de táxi (cerca de €15 ida e volta) ou com carro alugado.

A Quinta da Pacheca é uma das mais antigas da região, tendo sido propriedade da família Pacheco Pereira desde o início do século 18, quando a viúva decidiu iniciar a produção de vinhos e modificou o sobrenome para destacar que o negócio era (bem) administrado por uma mulher.

No início do século 20 a propriedade foi vendida a outra família que iniciou diversos melhoramentos no local, como a construção da residência principal, hoje transformada no hotel.

No início deste século, passou para as mãos de outra família Pereira (sem relação com a primeira), que construiu os simpáticos quartos em forma de barril de carvalho, sem dúvida a forma mais charmosa de se hospedar na propriedade.

Nossa visita começou nos tanques onde são colocadas as uvas para o processo de pisa, que ainda hoje é utilizado nessa propriedade, por acreditarem que sua pequena produção pode se beneficiar em qualidade com essa antiga técnica.

Nosso guia Hugo nos explicou o processo de fabricação do vinho do porto.

A fermentação para a fabricação de vinho do porto é interrompida depois de 3 dias (nos vinhos normais, a fermentação completa dura cerca de 8 dias) e adiciona-se uma quantidade de aguardente vínico (feito com a casca da uva) na proporção de para kg de uva. Com isso garante-se que parte do açúcar não se transformará em álcool, gerando um vinho ao mesmo tempo doce e forte – o teor alcoólico final fica entre 19 e 22 graus.

Depois passamos para o local onde ficam armazenados os barris com vinho do Porto.

Nos barris pequenos ficam os do tipo tawny que, por terem uma grande área de contato, promovem uma maior oxidação e portanto garantem uma coloração mais próximo do âmbar, já que ficam ao menos 6 anos nesses barris.

Os do tipo ruby, ao contrário, vão para os barris maiores onde ficam por pouco tempo, mantendo sua coloração violeta.

Os vinhos do tipo vintage são escolhidos pelos enólogos, nos anos em que se acredita que as condições meteorológicas foram excepcionais para o cultivo de uvas. A prova desse vinho deve ser então enviada ao Instituto de Vinho do Porto para que eles atestem a qualidade do produto e concedam o título de vintage. Quando isso acontece com pelo menos 50% das amostras em um ano em particular, diz-se que o produto é um vintage clássico (como foi o ano de 2016). Caso contrário, o título é dado apenas àquelas quintas que obtiverem a aprovação.

Caso o produto enviado não seja aprovado, ele continua mais um tempo nos barris e vira um LBV (Late Bottled Vintage).

Além desses dois tipos, também temos o porto branco e, mais recentemente, o Pink Porto (ou Porto rosé).

Outra opção mais exclusiva seria a produção de vinhos com 10 20, 30 e até 40 anos de envelhecimento, com maior qualidade e consequentemente preços bem mais altos.

A degustação foi feita na área externa de frente para os vinhedos e foram servidos 4 vinhos, sendo dois exemplares de vinho do Porto.

Inicialmente provamos um vinho branco 2017, corte das uvas cerceal, malvasia fina, gouveio e moscatel que não me agradou muito e um tinto Grande Reserva Touriga Nacional que estava muito bom.

Ao final, pudemos provar um exemplar do Porto Tawny 30 anos e um Vintage 2016 que eram tão distintos quanto bons no paladar.

Considerando que os vinhos do Porto servidos eram de qualidade superior, essa degustação por si só já valeu o preço do ingresso!


QUINTA DA PACHECA

Endereço: Rua do Relógio do Sol 261 Cambres – Lamego

Horário: todos os dias das 10 às 19h

Preços: A visita e degustação custam 9 e devem ser reservadas com antecedência.


Portugal – Porto – Atrações

2 dezembro 2018



Porto é uma cidade relativamente compacta e fácil de se locomover se você não se importar de subir e descer algumas ladeiras. Suas atrações estão concentradas em uma área que pode facilmente ser explorada em poucos dias.

Algumas delas estarão listadas a seguir e sua localização poderá ser visualizada no mapa acima.

Tomando como início a estação Trindade, toma-se a direção sul (descendo) até chegarmos na Câmara Municipal da cidade (item 1 no mapa), um bonito edifício construído em 1920 e com uma torre central com 70 metros de altura.

Em frente ao edifício fica a Praça da Liberdade, em cuja extremidade sul se encontra a estátua equestre de Dom Pedro IV, inaugurada em 1866, com 10 metros de altura.

Volte para o meio da praça e siga na direção leste, dobrando à esquerda na Rua Formosa até chegar ao Mercado do Bolhão (item 2 no mapa), um dos principais mercados da cidade. Atualmente ele se encontra em outro endereço próximo, já que a construção original está em obra.

Similar a outros mercados em várias cidades europeias, aqui também há a separação entre o mercado propriamente dito, com diversas seções de alimentos e produtos frescos, e a área de alimentação, com vários quiosques que vendem desde pratos e doces portugueses a queijos e vinhos.

Perfeito para um almoço leve ou para um aperitivo!

Tomamos um bom exemplar de alvarinho e petiscamos queijos locais. Também aproveitei para provar a famosa ginjinha, uma espécie de licor feito com uma fruta parente da cereja e que fica uma delícia quando consumida em um copo de chocolate.

Logo ao lado fica a Capela de Santa Catarina (ou Capela das Almas, item 3 no mapa), que começou como uma singela casa de madeira erguida no século 18 em homenagem à santa. Hoje é famosa por seu belo exterior repleto de azulejos que contam a história de São Francisco e Santa Catarina e que foram ali colocados no começo do século passado.

 

Volte para a Praça da Liberdade até sua extremidade sul para explorar o lado oeste. Seguindo pela Rua dos Clérigos, no alto da ladeira veremos o conjunto da Igreja e Torre dos Clérigos (item 4 no mapa).

Datando do século 18 em estilo barroco, é considerada a principal obra do arquiteto italiano Nicolau Masoni, cuja cripta se encontra no local.

A combinação da torre majestosa com os incríveis detalhes da igreja tornam o conjunto altamente cênico.

Um pouco mais à frente fica provavelmente um dos locais mais difíceis de visitar na cidade: a livraria Lello (item 5 no mapa), cujo foyer (dizem) inspirou a escritora na criação de Hogwarts. As filas cresceram de tal modo que agora só se entra pagando 5, que podem ser abatidos da sua compra de livros. Pela foto ao lado, a fila continua grande…

A Igreja do Carmo ou Igreja da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo (item 6 no mapa), fica um pouco mais à frente, também construída no século 18 e no estilo barroco/rococó.

Seus lindos azulejos também foram ali colocados no início do século 19, fazendo referência à criação da Ordem Carmelita.

Seu interior consegue ser igualmente impactante, com retábulos feitos pelo principal entalhador português Francisco Campanhã.

Já sua vizinha (literalmente colada e quase imperceptível), a Igreja dos Carmelitas (item 7 no mapa) é mais antiga, datando de 1628. Ambas foram classificadas como Monumento Nacional em 2013.

Siga na direção sul e entre na Rua de São Bento da Vitória. Ao final dessa rua estará um dos mirantes (aqui chamados de “miradouros“) mais bonitos da cidade: o Miradouro Vitória (item 8 no mapa).

Atravesse o portão (o local é propriedade privada, mas tem acesso liberado todos os dias das 9 às 20h) e maravilhe-se com a vista dos principais pontos turísticos da cidade, incluindo a Ponte Dom Luís, parte da cidade de Vila Nova de Gaia, além da Sé do Porto, atrações que estão descritas mais abaixo.

Depois de admirar a vista, desça pelas ruelas e ladeiras até o bairro da Ribeira (item 9 no mapa), coração da cidade.

O bairro possui um conjunto arquitetônico colorido e pitoresco à beira rio, além de muitos restaurantes e bares, sendo um chamariz natural de turistas, por isso muito provavelmente esse será o local mais movimentado da cidade que você irá visitar.

 

Atravessar a parte de baixo da Ponte Dom Luís (item 10 no mapa). Se quiser pode começar a visita às caves de vinho do Porto (veja esse post). Sugiro visitar ao menos uma para conhecer um pouco mais da história desse produto português mundialmente conhecido.

A melhor vista da cidade, contudo, fica na parte de cima de Vila Nova de Gaia em um lugar chamado Jardim do Morro (item 11 no mapa). Suba lentamente pela Calçada da Serra.

Volte pela parte de cima da ponte Dom Luís, até encontrar a Sé do Porto (item 12 no mapa), uma das construções mais antigas do país, datando do século 12 e cuja fachada foi modificada ao longo do tempo, com detalhes românicos, barrocos e rococós.

Nossa próxima parada é na Estação de comboios de Porto – São Bento (item 13 no mapa), sem dúvida, a mais bonita da cidade.

Oficialmente inaugurada em 1916 (apesar de estar pronta desde 1896) e tendo sido desenhada com nítida influência francesa por seu arquiteto, seu interior é lindamente decorado com painéis de azulejos com temas históricos, como a entrada de D. João I no Porto e a Conquista de Ceuta, além de retratar algumas cenas da vida campestre.

Esses painéis foram instalados em 1905, obra de um artista português chamado Jorge Colaço.

Os jardins do Palácio de Cristal  ficam na parte oeste da cidade e foram abertos em 1860. Em seu interior ficam um ginásio desportivo (o “palácio de cristal”) e uma biblioteca pública, além de lagos, estátuas  e fauna diversa com pavões e galinhas.

Há também jardins temáticos com plantas aromáticas e medicinais. Além de ser um local bastante agradável para um passeio, conta com vistas fabulosas da cidade e do Rio Douro.

Está aberto todos os dias das 8h às 21h (até às 19h de outubro a março). Pode-se perfeitamente caminhar até lá da parte central da cidade, mas se preferir, as linhas de autocarro 200, 201, 207, 302, 303, 501, 601 te deixam bem próximo.

Um pouco mais afastado da área turística, o Mercado Bom Sucesso tem tudo para repetir o sucesso de outros similares, com sua mistura de mercado de produtos alimentícios e 44 bancas oferecendo comidinhas gourmet (de petiscos a doces elaborados, passando por pratos portugueses) a preços acessíveis, fórmula que vem sendo copiada em toda a Europa.

Sua localização é privilegiada, no bairro alternativo de Cedofeita, uma das áreas mais atraentes da cidade.

Experimentei um risoto de linguiça com um cálice de vinho branco.

Além da experiência gastronômica, pode-se participar de workshops culinários e assistir a shows e atividades culturais (para crianças e adultos) toda semana. Também há diversas lojas alternativas e alguns serviços, como papelaria.

Se você vier de metrô, pare na estação Casa da Música: o Mercado Bom Sucesso fica a 5 minutos a pé. Se preferir viajar de autocarro, tome as linhas 204, 209, 902 ou 903 .

E tenha um bom proveito nessa linda e acolhedora cidade!

Portugal – caves de vinho do Porto

8 novembro 2018

Um dos passeios mais interessantes para fazer estando no Porto é atravessar a bela ponte de D. Luis e dar um pulo na linda cidade de Vila Nova de Gaia, onde ficam as principais caves de vinho do Porto.

O Vinho do Porto é um vinho fortificado, cuja produção é feita a partir de uvas colhidas no Vale do Douro, uma região demarcada que fica a cerca de 100km a leste da cidade do Porto. Sua fama se deu a partir da sua exportação pelos comerciantes ingleses no século 18, fazendo com que o vinho alcançasse um mercado mundial e fosse adotado o nome da cidade do Porto como referência.

São inúmeras as opções de visitas e degustações, sendo que Vila Nova de Gaia é considerado o local com maior concentração de álcool por metro quadrado do mundo.

Abaixo vou descrever as visitas feitas por mim em 2010, na primeira vez na cidade, quando grande parte das caves oferecia visitas e degustações gratuitas ou cobrando apenas alguns poucos euros. Hoje em dia, além de maior variedade nas degustações, os preços também subiram bastante e não há  mais gratuidade nas degustações.

1) Sandemans

A cave foi estabelecida em 1790 por um  escocês (de nome George Sandeman) e é bastante conhecida pelo seu logo que apresenta uma figura vestida com uma capa (e parecido com o Zorro!), desenhado em 1928 por um artista escocês que fingia ser francês.

A marca foi registrada em 1877, sendo a mais antiga marca de vinho do Porto ainda em uso atualmente. Além desses, também são fabricados vinhos Madeira e Jerez.

A visita que eu fiz em 2010 foi gratuita e além da visita à cave com exibição de um vídeo e da explicação sobre a confecção dos vinhos, nos serviram dois exemplares de vinho do Porto, sendo um branco e um ruby.


Endereço: Largo Miguel Bombarda 3, 4430-175 Vila Nova de Gaia, Portugal

Horário: as vistas podem ser feitas das 10 às 19h (de novembro a fevereiro: das 10 às 12h30 e das 14 às 18h)

Preços: Atualmente, além da degustação clássica (que custa €12), há a Premium (€15, com a inclusão de um tawny)  a 1790 (€22, com degustação de 5 vinhos) e a exclusiva 100 anos de Tawny, com exemplares de 10, 20, 30 e 40 anos de envelhecimento (custa €40).

Visite o site para maiores informações.


2) CAVES FERREIRA

A Caves Ferreira pertence à SOGRAPE, uma empresa que também possui outras marcas como a Offley e Sandeman, mostrada anteriormente.

Criada em 1751 por uma família do Douro, possui uma rica tradição na história do Vinho do Porto, principalmente pela atuação de Dona Antónia Adelaide Ferreira que contribuiu significativamente para a consolidação da marca.

A cave Ferreira é a única das grandes casas de Vinho do Porto que foi fundada e se manteve sempre em mãos portuguesas.

Nessa degustação de 2010 (também gratuita e bastante generosa), provamos alguns tipos de tawny e ruby, além de um belo exemplar do Porto branco.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Endereço:  Av. Ramos Pinto, 70 – Vila Nova de Gaia

Horário: todos os dias das 10h às 12h30 e das 14 às 18h.

Preços:  Visita Clássica | 12€ : Visita às Caves, incluindo a “Sala dos Pertences da Dona Antónia” e o “Museu”, com prova de dois Vinhos do Porto.

             Visita Premium | 15€ : Uma visita guiada pelas Caves Ferreira, com prova de três vinhos de categoria superior e representando os três estilos de Vinho do Porto – Branco, Ruby e Tawny.

           Visita Casa Ferreirinha | 16€: Visita às Caves com uma prova de três Vinhos do Douro DOP “Casa Ferreirinha”, produtora do famoso “Barca Velha”.

             Visita Dona Antónia | 22€ : Visita para pequenos grupos, inclui uma prova alargada e uma seleção de 5 Vinhos do Porto, num espaço reservado.

Visita o site para maiores informações.


3) Taylor’s

Empresa familiar criada em 1692, a Taylor’s é uma das mais antigas e conhecidas caves e que se dedica exclusivamente à produção de vinho do Porto.

Também ficou conhecida como a criadora do tipo LBV (Late Bottled Vintage) em que os vinhos provenientes de safras excepcionais (mas não aprovadas como vintage, a maior honraria para um vinho do Porto) permanecem de 4 a 6 anos adicionais nos barris de carvalho sendo então engarrafados como LBV.

Essa técnica produz o “arredondamento” do vinho e a possibilidade de consumo várias semanas após a garrafa ter sido aberta.

Por ter uma ótima relação custo/benefício, é o tipo mais apreciado pelos ingleses e canadenses.

A localização privilegiada, com uma vista belíssima da cidade, faz dessa cave uma das mais interessantes para visitar. Em 2010, a degustação custou €5.

O almoço no restaurante Barão de Fladgate foi um dos pontos altos da viagem e recomendo fortemente que se faça reserva.

taylor.pt


Endereço: Rua do Choupelo nº 250 – Vila Nova de Gaia

Horário : todos os dias das 10 às 18h; o restaurante aceita reservas das 12h30 às 15h e das 19h30 às 22h

Preços: 15€ com provas de Vinhos do Porto Taylor’s Chip Dry – Branco Extra Seco e Late Bottled Vintage (LBV); além dessa há outras experiências que podem ser arranjadas como workshops, provas de azeite e até degustações mais exclusivas que devem ser agendadas previamente.

Visite o site para maiores informações.


E você, visitou alguma cave em Vila Nova de Gaia? Recomenda alguma outra?

Portugal – Porto – Transportes

3 novembro 2018

Porto é a segunda maior cidade de Portugal, com uma região metropolitana que ultrapassa os 2 milhões de habitantes, mas a cidade é relativamente compacta e cheia de encantos.

Para melhor aproveitar sua estada na cidade, vou deixar aqui algumas dicas e informações.

TRANSPORTE

A cidade pode ser percorrida a pé, mas devido à quantidade de ladeiras o esforço ao final do dia pode ser grande. O transporte na cidade funciona muito bem e o metrô (diga metro aqui, sem o acento circunflexo)  é um primor de planejamento, alcançando até cidades vizinhas como Vila Nova de Gaia e Matosinhos a um custo bem acessível.

nit.pt

A primeira coisa a adquirir é o cartão Andante por 60 cêntimos de euro que te permite posteriormente incluir o que eles chamam de título (que pode ser uma passagem simples ou um um passe diário). O cartão pode ser usado tanto no metro quanto nos ônibus (aqui chamado de autocarros) e em algumas linhas de trem urbano (comboio, em Portugal), mas não serve para o Funicular dos Guindais e nem para os bondes (aqui, eléctricos).

A cidade é dividida em zonas e isso é importante para você poder calcular o valor da passagem ou do passe 24h, que são definidos baseado no número de zonas que você cruza.

A viagem do Aeroporto para o centro da cidade, por exemplo, atravessa 4 zonas (ou seja, é um Z4 e custa 2). Tirando esse exemplo, muito provavelmente você não irá precisar mais do que um Z2, cujo valor é de apenas 1,20. O passe 24h Z2 custa 4,15 e também deverá ser suficiente para seus passeios. Os passes podem ser utilizados por 24 horas após a primeira validação.

Existe também a opção do cartão Andante Tour, que simplifica o processo, já que vale para todas as zonas e custa 7 por 24 h e 15 para 72hs. Vale a pena se você não quiser se preocupar em fazer cálculos do número de zonas a atravessar ou se pretende visitar áreas mais afastadas da cidade.

Não se esqueça de validar o seu cartão no início E no final da viagem. Outra informação importante: o cartão é individual, ou seja, se estiver viajando com mais alguém cada um deve comprar o seu.

Veja mais informações no site oficial.

SAINDO DO AEROPORTO

Sim, isso mesmo: o Aeroporto  é ligado ao metro e é a opção mais barata e prática para ir até a cidade (linha E – violeta), chegando até lá em 30 minutos. Aproveite para comprar logo o seu cartão Andante e comece a utilizar. Há trens a cada 20 minutos (30 minutos fora do horários de pico ou nos fins de semana), começando pouco depois das 6 da manhã indo até cerca de uma da manhã.

Outra opção viável, se você estiver com muitas malas ou seu hotel ficar longe de uma estação de metro é o Uber. Uma corrida até a estação central Trindade custa entre 14 e 19 euros. O táxi custa um pouco mais – aproximadamente 25 euros.

Há também algumas linhas de autocarros que alcançam várias partes da cidade (veja horários e trajetos aqui) mas demoram cerca de uma hora até a cidade e custam o mesmo que o metro, por isso seriam os menos indicados.

ONDE FICAR

Como da primeira vez na cidade, fiquei na região da estação de metrô Trindade, alugando um simpático apartamento no Airbnb. Como todas as linhas de metrô passam por essa estação, o acesso a diversas partes da cidade (inclusive às duas estações de trem e ao Aeroporto) fica muito facilitado. Minha sugestão é você ficar em uma área central para facilitar os deslocamentos tanto a pé quanto usando o transporte público.

A oferta de apartamentos bem decorados para aluguel é grande (a The Porto Concierge tem cerca de 800 apartamentos para aluguel no Porto e anuncia tanto no Airbnb como no Booking) e o preço acaba compensando. Gostei muito da localização do apartamento e do processo de check in que foi rápido e simples. E ainda ganhamos uma garrafa de vinho tinto na chegada. Recomendo!

Para quem prefere um hotel, existem opções para todos os bolsos nessa área.

QUANDO IR

O Porto tem um clima bem ameno se compararmos com outras cidades da Europa, com um verão ensolarado e quente, com temperaturas chegando a 35 graus e pode ser uma boa ocasião para aproveitar as praias da cidade, apesar da água do mar ser bem fria.

Na primavera e outono a quantidade de turistas diminui, o que pode ser interessante em relação aos preços de hospedagem, embora as chuvas aumentem a partir de outubro.

O inverno não é tão rigoroso (apesar de continuar chuvoso). Visitei a cidade uma vez em fevereiro e peguei temperaturas acima dos 15 graus. Essa época, contudo, não vale a pena se você quiser visitar o vale do Douro, já que os passeios de barco são suspensos no inverno.

No próximo post vou falar um pouco sobre algumas das principais atrações da cidade.

Lituânia – ida a Kaunas

23 outubro 2018



Segunda maior cidade da Lituânia, com cerca de mil habitantes, Kaunas tem bastante atrações que justifiquem uma ida até lá.

Saindo da capital Vilnius, pode-se chegar facilmente de ônibus ou de trem em uma viagem que dura entre 1h e 1h30. A passagem de trem custa de 4,80 a 6,60 – veja os horários e preços.

Indo de ônibus, demora alguns minutos a mais e custa um pouco mais caro (entre 6 e 6,60). Veja os horários e preços.

Escolhemos ir de trem e descemos na estação central de Kaunas.

Caminhamos pela rua Vytauto até encontrar o parque Ramybes, cujos jardins estavam repletos de tulipas.

No período entre guerras, Kaunas foi capital do país, quando foram construídos diversos prédios art deco, o que levou a cidade a receber um prêmio da UNESCO.

Um pouco mais à frente ficava a Igreja de São Miguel Arcanjo.

Construída em 1895 no estilo neo-bizantino pelo czar russo Alexandre III, sua finalidade era ser a sede da Igreja Ortodoxa e seu interior foi todo decorado por artistas de St. Petersburg.

Em 1919 foi transformada em igreja católica, ganhando esculturas e vitrais em 1965.

Seu interior é simples e amplo, com destaque para as esculturas, para as pinturas no altar central e para as bandeiras com as cores da Lituânia pendendo do teto.

Hoje em dia, ao final de uma restauração pós independência do país,  é utilizada para concertos de música e apresentações diversas.

 

 

Em frente à igreja começa a mais longa rua de pedestres da Europa: a Laisvės Alėja (ou “Avenida da Liberdade“).

Com um canteiro central repleto de árvores, ela começa na Cidade Nova, passando pelo Centro Antigo e terminando próximo da confluência dos rios Neris e Nemunas, importante rota de comércio para o país.

A rua tem várias lojas, além de cafés e restaurantes. Fizemos um pit stop para o almoço no simpático italiano Casa Della Pasta.

Experimentei um delicioso penne a boscaiola, com cogumelos, presunto e ervilhas.

Para sobremesa, um dos melhores tiramisus da viagem. Perfeito!

Os preços eram bem convidativos, com os pratos principais variando de 6 a 8.

Continuamos nossa caminhada passando por alguns exemplares da street art que é um dos pontos altos do turismo da cidade, até chegarmos à estação do funicular.

A cidade tem dois sistemas de funiculares – os mais antigos dos países bálticos, estando em operação desde 1931: o Žaliakalnis e o Aleksotas.

Fomos no primeiro, que ficava na nossa rota. O segundo fica do outro lado do rio e não chegamos a conhecer.

Com capacidade para 25 passageiros, a subida pode ser feita a pé, mas preferimos ir do modo mais charmoso (e menos cansativo). A passagem custa apenas 0,50.

Lá em cima, encontramos a monumental Basílica da Ressureição de Cristo, a maior do seu típico nos países bálticos, com uma torre que alcança 70 metros de altura.

Sua construção começou em 1922 mas teve que ser interrompida logo depois durante a ocupação soviética e só foi retomada em 1934 após o país ter recuperado sua independência, sendo usada para outros fins após a segunda guerra.

Somente em 1990 a igreja voltou a seu objetivo inicial após um trabaho de renovação.

Hoje pode-se subir até o alto da torre para uma vista panorâmica da cidade. Preferimos observar um casamento que estava acontecendo exatamente quando passávamos.

Descemos pela escadaria e continuamos seguindo na direção dos rios.

O Castelo de Kaunas foi o primeiro castelo de pedra a ser construído no país e fica em uma posição estratégica, na confluência dos rios Neris e Nemeunas, dois importantes caminhos de comércio para o país.

Sua construção teve início no século 14 mas logo foi colocado abaixo pelos cruzados, que ergueram outro castelo nas proximidades e em torno dessa área a cidade de Kaunas floresceu. Esse castelo acabou sendo reforçado no século 15 com a construção de duas linhas de muros defensivos, mas colapsou parcialmente, levado pelas águas do rio Neris.

Sucessivas invasões da cidade pelos russos e suecos tiveram como consequência a reconstrução e reforço da segurança do castelo até que, em 1915, ele foi ocupado pelas forças alemãs que o utilizou como quartel para seu exército, o que permaneceu até a segunda guerra mundial.

Somente em 1993, após a retirada dos russos, o Castelo voltou para as mãos dos lituanos. Atualmente ali fica uma das sedes do Museu da Cidade de Kaunas.

Abaixo vemos a Igreja de São Jorge, que fica ao lado do Castelo e foi construída em estilo gótico no século 15, sendo uma das mais antigas da cidade.

O parque Santakos, que também fica ao lado do Castelo, é uma das áreas preferidas pelos habitantes da cidade para um passeio em um dia ensolarado, especialmente para as crianças que podem contar com um playground exclusivo.

Naquele domingo vimos muitas famílias passeando ou andando de bicicleta, uma feira de comidas e música e até um concurso de cachorros, ou seja, um típico domingo de quase verão.

Ao lado está a Igreja da Assunção da Sagrada Virgem Maria (ou Igreja de Vitautas, o Grande) a primeira construção em estilo gótico da cidade.

Fundada pelo onipresente Vytautas em 1400 em homenagem à virgem Maria que supostamente salvou sua vida após uma batalha, essa igreja chegou a ser incendiada pelos franceses em 1812 e renasceu em 1845 como uma igreja ortodoxa.

Depois de servir como armazém para os militares alemães, voltou a ser uma igreja católica em 1919, tendo sido restaurada diversas vezes, a útlima em 1982.

 

 

 

 

 

Ao lado vemos a Igreja de São Francisco Xavier, em estilo barroco, cuja construção terminou em 1720.

Pode-se subir em suas torres para ter uma vista completa da Cidade Antiga.

 

 

 

 

 

 

 

 

O prédio da Prefeitura da Cidade é um dos mais bonitos de Kaunas e também é chamado de “Cisne Branco” por conta de sua esbelta torre branca de 53 metros de altura, que mistura a arquitetura clássica com elementos góticos e barrocos.

Sua construção se iniciou em 1542 mas esse não foi o primeiro prédio da prefeitura – havia outro que foi destruído por um incêndio.

Antigamente, era ali que a principal feira da cidade era realizada. Atualmente o prédio é sede do Museu da Cidade além de abrigar o Centro de Informações Turísticas.

O edifício ao lado (Casa de Perkūnas) é um dos mais originais da cidade e é cercado de mistério.

Acredita-se que tenha sido construído em meados do século 15 e seu nome foi dado pelo fato de terem achado ali, no século 19, uma estatueta do Deus do Trovão (Perkūnas em lituano).

Atualmente a casa abriga um Museu mostrando a vida e obra de Adomas Mickevičius, um poeta polonês.

 

Voltamos para a estação de trem pela Rua Vilniaus, uma das mais belas da cidade antiga, com numerosos cafés e exclusiva para pedestres.

Foi um belo domingo ensolarado e recomendo fortemente reservar um dia para conhecer essa bela cidade.

Lituânia – Fotograma: Street art em Kaunas

18 outubro 2018

Kaunas é conhecida pela quantidade e qualidade de sua street art.

Em várias ruelas da cidade velha pode-se encontrar exemplares de artistas conhecidos, como os brasileiros Os Gêmeos (cuja mãe tem ascendência lituana). Seus trabalhos estão estampados nas paredes do Museu Têxtil da cidade.

 

Outra obra marcante é a do “Homem com Cachimbo” (“The Wise Old Man“) que fica nos muros de uma fábrica abandonada, próximo ao Castelo de Kaunas.

Este foi um dos primeiros exemplos de street art em Kaunas e inspiração para os demais.

Vejam mais exemplos do que você encontrará pelas ruas da cidade:

A cidade é um verdadeiro museu ao ar livre!