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África do Sul 2019 – Johannesburg

13 setembro 2019

Maior cidade sul-africana e uma das mais populosas do continente, Johannesburg é uma aberração. Para começar, tem a localização mais improvável para uma metrópole: afastada de qualquer fonte de água e assolada por períodos de seca, principalmente no inverno, a cidade sofre com a escassez do precioso líquido.

Fundada em 1888 em função da descoberta de ouro e da exploração de diamantes, ainda hoje é um chamariz de empregos diversos, não só para os sul-africanos como imigrantes vindos de outros países africanos (vários motoristas de Uber vem de países próximos como o Zimbabwe).

Com população englobando quase 12 milhões de pessoas (dependendo do censo) é uma cidade feia, caótica, com pobreza aparente e pedintes nos bairros mais abastados, que tem cercas eletrificadas instaladas em todas as suas residências.

Era a minha quarta vez na cidade: em outras ocasiões, quando viajei a trabalho, a utilizei apenas como escala e fiquei hospedado ao lado do aeroporto pois pegaria um voo na manhã seguinte.

Desta vez resolvemos ficar dois dias na cidade e, na minha humilde opinião, não valeu a pena, considerando a grande oferta de locais interessantes no país. Com certeza teria preferido passar mais uns dias em Stellenbosch.

Em relação à hospedagem existem apenas dois bairros que aparentam maior segurança: Sandton e Rosebank.

Ficamos neste último, em um apartamento aconchegante em frente ao shopping The Zone, que acabou sendo nossa principal fonte de alimentação, com supermercados e áreas com restaurantes diversos.

Para sair do movimentado aeroporto OR Tambo pode-se tomar o moderno (e caro) Gautrain, que leva até os bairros nobres do norte e tem ponto final na cidade vizinha de Pretoria.

Caso esteja sozinho, esse pode ser o modo de transporte mais barato e rápido (cerca de 30 minutos até Sandton, um pouco mais para Rosebank) para sair do aeroporto.

Como estávamos em 3, utilizamos o Uber, que funcionou bem no país em todas as ocasiões e custa apenas poucos rands a mais do que a passagem do Gautrain.

Como era nossa primeira vez na cidade, e também por conta da segurança, decidimos iniciar nosso passeio apostando no ônibus hop-on hop-off , que funciona perfeitamente em Cape Town.

O ponto inicial do ônibus ficava justamente no The Zone, o que o tornava mesmo a opção mais prática.

O ingresso de 220 rands (200 rands se comprados pela Internet) dá direito a percorrer duas linhas em um ônibus de dois andares, como mostra o mapa abaixo.

A primeira linha (verde) é bem curta e passa pelos jardins do zoológico, local onde fizemos nossa primeira parada.

O parque é agradável, mas estava praticamente deserto naquela manhã de domingo, por isso andamos um pouco pelo local e ficamos esperando pelo próximo ônibus.

Tendo visto vários animais ao ar livre, não quisemos parar no zoológico nem no Museu Militar. A linha verde continuou por ruas arborizadas, na parte mais bonita do trajeto.

Passamos pelo bairro de Houghton onde ficam alguns dos colégios mais tradicionais da cidade como o St. John’s College mostrado na foto abaixo. Fundado em 1898, aceita apenas meninos.

A linha verde termina na Constitution Hill, local sede do Tribunal Constitucional da África do Sul. Ali também fica o Old Fort, construção de 1899 que foi utilizada como prisão para imigrantes britânicos que desrespeitassem as leis do país. Nelson Mandela chegou a ficar preso lá por cerca de um ano.

Nesse ponto final troca-se de ônibus para a linha vermelha, mais extensa.

 

 

Seguimos então em direção ao centro da cidade que nos ofereceu uma visão péssima, talvez por ser um domingo: com ruas desertas e mendigos vagando por todas as partes, era a imagem do abandono.

Uma das paradas era no Carlton Center, o edifício mais alto da África que possui um mirante de onde se tem uma visão desimpedida da cidade, mas não nos pareceu muito atraente, já que a cidade é bem plana.

Quem quisesse descer ali deveria aguardar até que viesse alguém do local para buscar o grupo. Imagino que seja por segurança…

Continuamos percorrendo o centro parando no James Hall Museum of Transport até que chegamos ao que parecia um oásis: o Gold Reef City Theme Park, parque de diversões que foi construído em uma antiga mina de ouro fechada em 1971.

Fazendo parte do mesmo complexo, logo foram erguidos ao lado um hotel e um cassino, o que garante diversão para a família inteira.

Ao lado fica o Museu do Apartheid, um dos mais importantes do país, contando a história da segregação racial na África do Sul através de vídeos, fotos e outros documentos, de maneira bem impactante.

Acabamos fazendo uma volta completa pela linha vermelha e decidimos retornar para Rosebank para um almoço tardio. Comi uma quiche deliciosa…

…e um fantástico carrot cake de sobremesa.

Para o jantar fomos ao The Firs, um shopping luxuoso construído na década de 70.

Escolhemos o simpático restaurante Doppio Zero e, apesar das mesas externas, escolhemos sentar no interior por conta do frio. Comi um espaguete com camarões que estava ok.

O passeio do dia foi válido para se ter uma ideia um pouco melhor da cidade e conhecer sua geografia. No entanto, não nos sentimos animados a explorar suas atrações e mesmo o Museu do Apartheid me pareceu um pouco pesado para aquele dia lindo.

Claro que existem atrativos na cidade e conheço pessoas que gostam muito de Johannesburgo, mas minha impressão não foi das melhores e, como disse acima, o país é cheio de lugares muito interessantes e que merecem maior destaque.

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África do Sul 2019 – Cidade do Cabo

8 setembro 2019

A Cidade do Cabo (Cape Town, como é conhecida por lá) continua sendo um dos locais mais interessantes do país com várias atrações no seu entorno.

Nessa minha segunda visita à cidade, mais curta, revisitamos alguns dos lugares preferidos e descobrimos outros ângulos dessa belezura sul-africana.

Alugamos um lindo apartamento em Green Point, na mesma rua que havíamos nos hospedado da primeira vez, o que facilitou o nosso reconhecimento do bairro. A posição central, próxima aos principais atrativos da cidade nos desanimaram a procurar outro bairro para nossa hospedagem. Não nos arrependemos!

Inicialmente pensamos em comprar dois dias do passe do ônibus hop-on-hop-off (veja o relato da visita anterior nesse post) mas acabamos desistindo por achar que valeria mais a pena usar o Uber tanto em termos econômicos quanto em relação ao tempo, já que não queríamos repetir tudo. Além do mais, como já tínhamos ido à Klein Constantia, as outras atrações estavam a poucos quilômetros.

Uma dessas era a subida à Table Mountain que, espantosamente, ficou “destampada” durante os dois primeiros dias de nossa estada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ainda é um programão subir de bondinho até os quase 1.000 metros de altitude (o ingresso fica um pouco mais barato se você subir depois das 13h).

Lá em cima encontram-se várias trilhas e as vistas em 360 graus da cidade.

O único senão foi que subimos próximo ao meio dia o que inviabilizou melhores fotos. Como dizem aqui na cidade, se você conseguir ver o topo da montanha sem nuvens, corra para lá e suba imediatamente!

Depois tomamos um Uber até Camps Bay para um super almoço no restaurante Mantra Café, à beira mar: com entrada, prato principal e sobremesa, ainda tivemos direito a uma taça de vinho por apenas 200 rands!

 

 

 

 

 

 

Camps Bay continua sendo uma ótima pedida para aquele passeio no calçadão, sempre muito movimentado, mesmo no inverno.

 

Seguimos então para o Victoria and Alfred Waterfront, sempre lotada de turistas. Acabamos nos encontrando com um casal que conhecemos durante a nossa travessia da Bloukrans Bridge (mundo pequeno, né?), que nos convenceu a fazer um passeio de barco para ver o por do sol.

Como estávamos em 5 conseguimos um excelente desconto – cada um pagou 200 rands (quando o preço normal era 350 rands). A baixa estação tem os seus encantos, né?

O barco na verdade era um catamarã, que deslizou silenciosamente pelo oceano sem maiores balanços, já que o mar estava bem calmo.

O passeio foi muito bom e ainda dava direito a uma taça de espumante, degustada exatamente ao por do sol.

Vimos outros ângulos da cidade, como na linda vista da foto que abre o post e também algumas focas descansando em uma boia…

… e pudemos acompanhar o sol se pondo criando imagens incríveis.

Se o dia estiver tão bonito quanto esse, o passeio marítimo é mesmo uma excelente pedida. Se você tiver tempo, faça!

No outro dia de manhã cedo tomamos mais um Uber para o colorido bairro de Bo Kaap, onde se instalaram os trabalhadores malaios que aqui chegaram. O local está mais atraente com algumas lojas e até cafés transados como o da foto abaixo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Continuamos andando pelo centro da cidade até o Company’s Garden, verdadeiro oásis no centro da cidade com plantas e animais.

Os esquilos locais são dos mais sociáveis ever, praticamente subindo nas roupas dos visitantes em busca de comida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao lado ficam alguns edifícios importantes como o lindo prédio do Parlamento da República Sul-Africana (Cape Town é a capital legislativa do país, sendo Bloemfontein a judicial e Pretoria a administrativa).

Um pouco mais a frente encontramos a Iziko National Gallery, que contem obras de artistas ingleses, holandeses e franceses, dos séculos 17 a 19.

O parque ainda abriga dois outros museus, o South African Museum e o Jewish Museum.

Continuamos andando pelo centro da cidade, passando pela praça mais icônica da cidade, a Grand Parade, que recebeu milhares de pessoas em 1990 para ouvir o discurso de Nelson Mandela, recém liberado da prisão, da varanda do imponente prédio da Prefeitura.

Logo ao lado da praça fica o Castelo da Boa Esperança, cuja visita foi descrita neste post.

O Victoria and Alfred Waterfront continua sendo o ímã da diversão em Cape Town, com novas atrações como o incrível Zeitz MOOCA (Museum of Contemporary Art Africa) construido em 2016 em um silo abandonado.

Visitamos a área do museu no nosso último dia, mas com o propósito de jantar em um restaurante que nos foi recomendado em Stellenbosch por um casal que vive em Cape Town: o novo Granary Cafe, que fica no super luxuoso Hotel Silo, ocupando seis andares bem em cima do MOOCA.

Além desse restaurante, o hotel possui um dos rooftops mais concorridos da cidade, onde se pode tomar um drink ou almoçar com uma das mais lindas vistas de Cape Town.

Comi um sensacional chicken supreme (peito de frango grelhado acompanhado de cogumelos selvagens e maionese de daikon).

O tagliatelli de camarão com queijo pecorino também parecia muito apetitoso.

O jantar foi uma delícia: além do serviço primoroso e da linda decoração do local, a comida estava maravilhosa e os preços bem razoáveis para o ambiente e a qualidade. Em suma, um custo benefício excelente.



Vejam mais posts da Cidade do Cabo:

Cidade do Cabo, parte 1

Cidade do Cabo, parte 2

Cidade do Cabo, parte 3

Cidade do Cabo, parte 4

Passeio ao Cabo da Boa Esperança e Kirstenbosch

Cidade do Cabo, ida ao restaurante Test Kitchen

África do Sul 2019 – de Stellenbosch à Cidade do Cabo

2 setembro 2019

No nosso último dia em Stellenbosch ainda deu tempo para visitar mais uma vinícola: escolhemos a charmosa Rust en Vrede, que ficava no caminho para nosso próximo destino que era Cape Town.

Essa linda propriedade tem quase 320 anos sempre dedicada à produção de vinhos, mas somente em 1977 a família proprietária resolveu se especializar apenas em vinhos tintos, a maioria deles varietais, ou seja, utilizando apenas um tipo de uva específica para cada produto, com foco nas 3 uvas cultivadas ali: syrah, cabernet sauvignon e merlot.

Além de ter sido a vinícola escolhida pelo Presidente Nelson Mandela por ocasião do jantar de gala do Prêmio Nobel da Paz, foi a primeira sul-africana a ter um vinho escolhido como um dos 100 melhores vinhos do mundo, o que foi repetido nos quatro anos posteriores.

Com várias opções de degustações, escolhemos a Estate Tasting que oferecia 3 exemplares de cada uma das uvas cultivadas no local (Merlot e Cabernet Sauvignon de 2017 e Syrah de 2016), além de um blend de 2015 – Estate – uma mistura das três variedades de uvas (no caso do nosso exemplar, que era de 2015, o percentual de Cabernet Sauvignon era 62%, com 31% de Syrah e 7% de Merlot).

 

Degustamos os vinhos no agradável jardim externo, nesse dia esplendoroso e com temperatura mais que perfeita, acompanhado das explicações detalhadas de nosso sommelier. Um setting perfeito!

Também fizemos uma visita curta ao local onde os barris ficam armazenados antes do vinho ser engarrafado.


INFO – RUST EN VREDE

Horário:

  • Segunda à sábado : 09h00 – 17h00
  • Domingo: 10h00 – 16h00

Preços: A Estate Tasting custa 60 rands. A degustação vertical dos Estate, assim como a Single Vineyard custa 120 rands. Se quiser provar 7 vinhos (Estate + Single Vineyard) vai gastar 150 rands.

Site: rustenvrede.com


Iniciamos então nossa viagem até Cape Town. Decidimos pegar a estrada que passava por Kayelitsha, uma das maiores comunidades, não só dessa região, mas de todo o país. É realmente impressionante o tamanho!

A estrada seguiu acompanhando o litoral, que tinha algumas dunas e vegetação rasteira, uma visão bem mais agradável, embora um pouco mais longa, do que a N2, que segue pelo interior.

Antes de chegarmos ao apartamento aproveitamos para visitar mais uma vinícola, a Klein Constantia. Acho que vocês já perceberam que a gente gosta muito da combinação de comida boa com vinhos, né?

Uma das mais antigas vinícolas sul-africanas, tendo sido estabelecida em 1685 e iniciada sua produção de vinhos em 1692, a propriedade foi inicialmente dividida em três, sendo a maior parte dedicada a criação de gado. As outras duas partes formaram a Groot (grande) Constantia e a Klein (pequena) Constantia.

Em pouco tempo os vinhos ganharam notoriedade dentre a realeza européia, que possuía vários exemplares em suas adegas (Maria Antonieta e Frederico o Grande, imperador da Prússia, foram alguns de seus consumidores). Até a escritora Jane Austen escreveu sobre a vinícola em seu primeiro romance!

Depois da abolição da escravatura e o acordo entre a Inglaterra e a França para um comércio livre de impostos entre as duas nações em 1860, houve um declínio na produção dos vinhos dessa vinícola, culminando com a interrupção total, que durou de 1890 a 1986!

A partir daí houve uma retomada da produção com a recriação do famoso Vin de Constance, um vinho de sobremesa muito apreciado nos séculos 18 e 19 e cuja garrafa de 500 ml custa atualmente o equivalente a R$350!

Decidimos não fazer a degustação e partir logo para o almoço no Bistro local, em um ambiente externo super agradável à sombra de jacarandás. O menu oferecia a opção de 2 ou 3 passos, que poderiam ou não ser harmonizados com vinhos.

Escolhi a opção de prato principal e sobremesa, pois queria provar o mítico Vin de Constance, que era justamente o acompanhamento da sobremesa.

O prato principal estava magnífico: um steak de lombo de porco com cogumelos assados, batatas rústicas e molho chimichurri, acompanhado do Riesling local, uma delícia!

Contudo, o melhor estava reservado para o final: um lava cake de chocolate quente, servido com um chantilly decorado com raspas de laranja.

O Vin de Constance era mesmo uma belezura, casando perfeitamente com a sobremesa. E o garçon ainda foi bem generoso, nos dando uma dose extra desse maravilhoso vinho!

Que sorte a nossa!


INFO – KLEIN CONSTANTIA

Horário:

  • Segunda à sexta : 09h00 – 17h00
  • Sábado: 10h00 – 16h00
  • Domingo:  Fechado
  • Feriados: 10h00 – 15h00

Preços: Degustação a 80 rands. O Bistro abre de terça à domingo para almoço até 15h.

Site: http://www.kleinconstantia.com


Depois do almoço rumamos para o apartamento alugado no Airbnb, que ficava na Main Road no bairro de Green Point, o mesmo que ficamos na visita anterior em 2014. Esse bairro é o mais recomendado para se hospedar na Cidade do Cabo, por sua localização central e proximidade da principal atração da cidade, que é o Victoria and Alfred Waterfront.

O apartamento era enorme, com quartos espaçosos com camas king, televisão 4K, sofás confortáveis  e uma varandinha super charmosa.

Devolvemos o carro no final da tarde e voltamos a pé para o supermercado que ficava ao lado do nosso prédio para comprar mantimentos para o jantar e o café da manhã.

Acabamos curtindo um pouco nosso apartamento, aproveitando para tomar mais um exemplar de vinho nacional.

África do Sul 2019 – Stellenbosch, dia 2

28 agosto 2019


Neste segundo dia, após a maratona etílica anterior, só conseguimos visitar três vinícolas:

1. THELEMA

A primeira foi essa vinícola jovem que fica ao lado da Tokara (vide post anterior). Foi fundada em 1983 quando um contador de Durban resolveu mudar de profissão e investir na viticutura.

Cinco anos depois de plantar os vinhedos, saíram os primeiros exemplares, que logo se tornaram alguns dos vinhos mais admirados do país.

Não tardou muito para a família adquirir outra propriedade em Elgin, para continuar com a vitoriosa história da vinícola.

Fizemos uma degustação dividida com direito a escolher 6 vinhos do catálogo básico: escolhi  um branco (Sauvignon Blanc) e dois tintos (Pinot Noir e um Syrah). Todos estavam muito bons, com destaque para os tintos.

Aproveitamos para  comprar uma embalagem simples de papelão e isopor para acomodar 6 garrafas de vinhos.


INFO – THELEMA

Horário: De segunda a sexta das 9 às 17h; sábados e feriados das 10 às 15h; domingos fechado

Preços: Degustação a partir de 80 rands

Site: http://www.thelema.co.za


2. BOSCHENDAL

Voltamos à região de Simonsberg para visitar uma das vinícolas mais conhecidas das região, a Boschendal, que também é uma das mais antigas.

Seu nome significa Floresta (“Bosch”) e Vale (“Dal”) no idioma afrikaner, já indicando a posição privilegiada da propriedade, que é uma belezura. Vejam o acesso à sede da vinícola!

Os jardins estavam impecavelmente bem cuidados e a presença de um gazebo no meio do gramado dava um charme especial ao lugar.

A Manor House da propriedade tem arquitetura tipicamente holandesa e foi erguida em 1812.

Ali ocorrem as degustações de vinhos premium (“connoisseur tasting“, com 5 dos melhores vinhos ali produzidos), além das degustações históricas (“historic tasting“, começando com um espumante e seguido de 4 vinhos icônicos).

Fizemos uma degustação ao ar livre (“Under the oak tree“) com 5 vinhos, com destaque para o Le Bouquet, um branco bastante aromático e corte de algumas uvas e o Lanoy, um corte de Cabernet Sauvignon e Merlot bem redondinho.

Para acompanhar pedimos uma tábua de queijos, que veio com algumas torradinhas.

Foi a degustação perfeita para o final da manhã e com certeza abriu o apetite para o almoço.

Existe a opção de degustações combinadas com queijos e chocolate, além de outras que privilegiam os espumantes locais ou vinhos de uma mesma série (Playpen ou 1685).

Com tantas opções de todos os preços, difícil é escolher qual degustação fazer.

 

A propriedade também se destaca por seus restaurantes: o Deli tem assentos ao ar livre, mas é o premiado The Werf (foto abaixo) que rouba a cena com decoração sóbria e uma vista matadora.


INFO – BOSCHENDAL

Horário: todos os dias das 10 às 18h

Preços: As degustações começam em 65 rands (“Under the Oak”) indo até 350 rands (“Heritage“); na Manor House, as degustações custam 250 rands e duram uma hora e são oferecidas todos os dias de hora em hora, das 10 às 17h (“Connoisseur“) ou todos os dias às 11 e às 15h (“Historic“).

Site: http://www.boschendal.com


3. SPIER

Nossa próxima vinícola ficava na direção oposta e tivemos que atravessar quase toda a cidade até chegarmos na Spier, uma linda propriedade que fica na beira da estrada R310.

Datando de 1692, é uma das mais antigas do país e tem uma preocupação com a sustentabilidade, tendo sido reconhecida como tal por algumas organizações externas. Desde 1993 vem sendo administrada pela família que adquiriu a propriedade naquele ano.

O local possui um leque de opções para os amantes do vinho e da natureza: um hotel luxuoso com um salão bem charmoso, degustações diversas, mercado de artesanato, oportunidade para fazer um picnic nos gramados e ótimas opções gastronômicas.

Quer mais? Que tal passear de Segway pelos vinhedos ou passar o dia no spa do hotel? Com tantas opções, dá para passar o dia inteiro aqui se divertindo.

A lojinha do local  tem, além dos vinhos, alguns produtos bem interessantes como essa embalagem de isopor com capacidade para 6 garrafas e com o logo da vinícola. Além de prática e bonita, aqui ela custa mais barato do que em outros locais – sai por 200 rands.

Almoçamos no restaurante do hotel que estava quase deserto às 15h. Melhor assim, pois tivemos um atendimento especial.

Comemos um super sanduíche de peito de frango com queijo, molho acridoce, batatas fritas e uma salada grega. Acompanhamos com uma garrafa do Syrah local que casou bem com nosso prato.

Depois do almoço passeamos pelo local. O lago artificial tornava a paisagem ainda mais bonita, não acham?

Além de possuir uma série de obras de arte no seu interior, como outras vinícolas da  região, a Spier tem várias obras espalhadas por seus jardins, com destaque para a instalação da “Escultura interativa de Som”.

Concebida pela artista Jenna Burchell, a obra contém rochas coletadas em três regiões históricas da África do Sul: o Grande Karoo, o Berço da Humanidade e o Domo Vredefort. As rochas foram tratadas com um método japonês que utiliza laca misturada com pó de ouro, prata e platina.

Cada  uma das rochas emite um som advindo das leituras eletromagnéticas obtidas do local original de onde foram retiradas. Bem interessante!


INFO – SPIER

Horário: Todos os dias das 9 às 17h

Preços: As degustações começam em 40 rands (6 vinhos); vinho e chocolate a 70 rands; Winemaker Selection a 90 rands; para as crianças, há a degustação de suco de uva (40 rands).

Site: http://www.spier.co.za


Para o jantar repetimos a experiência que tivemos 5 anos atrás no restaurante Wijnhaus (veja esse post). Pedimos exatamente o mesmo prato, um talharim com frango, abobrinha, pinoli que continuava inesquecível.

E de sobremesa, um dos pilares da culinária sul-africana: o delicioso malva pudding coberto por uma calda de caramelo e acompanhado de uma bola de sorvete de baunilha.

Não poderíamos ter finalizado a estadia na cidade de maneira melhor.

Veredito final: Stellenbosch continua sendo um dos mais adoráveis cantinhos sul-africanos. Como se não bastasse a sua localização, entre lindas cadeias de montanhas, suas ruas arborizadas e suas casinhas brancas, a oferta de vinícolas e restaurantes faz com que seja uma parada quase obrigatória no seu roteiro pelo país.

África do Sul 2019 – Stellenbosch, dia 1

19 agosto 2019

O primeiro dia do tour enogastronônico procurou visitar as vinícolas que ficam entre as cidades de Stellenbosch e Franschhoek e que fazem parte de uma das linhas do wine tram, que sai dessa última cidade.

Para quem não estiver de carro alugado, o wine tram é uma ótima opção e que foi utilizado na primeira vez que estivemos nessa região (vejam esse post). Como estávamos em 3 pessoas, ficava bem mais econômico ir de carro mesmo, pois teríamos mais liberdade de horários – sorte que havia uma pessoa no grupo que não bebia.

Neste primeiro dia visitamos cinco vinícolas, descritas abaixo:

1.SOLMS DELTA

Pequena vinícola que fica na região de Simonsberg, a Solms Delta foi estabelecida em 2001 quando o professor Mark Solms retornou a seu país depois da volta da democracia. Na propriedade que ele comprou, algumas famílias locais já estavam residindo há várias gerações o que tornou essa vinícola especial, pois o lucro obtido com a produção de vinho é dividido entre as famílias na proporção de 50 – 50.

Fizemos uma degustação simples (Lifestyle Collection) para iniciar os trabalhos com um vinho branco (chenin blanc), um rosé (grenache noir) e um tinto (shiraz).

Confesso que os vinhos não me agradaram muito e apenas o tinto tinha alguma estrutura. Se você não tiver muito tempo, sugiro que visite outras vinícolas.


INFO – SOLMS DELTA

Horário:  Aberto todos os dias das 10 às 18h (de sexta ao domingo das 9 às 18h).

Preços: Lifestyle Collection a 40 rands | Heritage Collection a 85 rands

Site: http://www.solms-delta.co.za


2. BABYLONSTOREN

Nossa segunda vinícola era bem mais interessante e percebemos isso logo no início, pois o estacionamento estava lotado apesar desta ser uma das pouquíssimas na região a cobrar ingresso para entrar (30 rands por pessoa).

Também pudera: além de um hotel luxuoso, dois restaurantes (Babel e Greenhouse), locais para degustação e até uma fábrica onde são engarrafados sucos e água mineral, a propriedade possui também uma loja de produtos super completa, com destaque para os azeites e as geléias.

Sua arquitetura, datando da época da fundação da vinícola em 1692, está muito bem preservada e é um dos muitos encantos desse local, que é uma das mais antigas propriedades da região.

 

 

 

 

Mesmo que você não goste de vinhos a visita aqui é bem recomendada pela variedade de opções de entretenimento.

É uma delícia passear por entre as laranjeiras e seus jardins bem cuidados contendo cerca de 300 variedades de plantas e legumes, tanto comestíveis (cogumelos, aspargos) como medicinais.

Para quem aprecia, há um tour pago pelos jardins, onde você poderá tocar, sentir os aromas e até provar algumas frutas.

Fizemos uma degustação de 6 exemplares em um grande salão com vista para os vinhedos. Os vinhos aqui eram de melhor qualidade, sem dúvida, com destaques para o viognier, com uma acidez perfeita e o shiraz, potente e elegante.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


INFO – BABYLONSTOREN

Horário: Diariamente das 10 às 17h (inverno) e até as 18h no verão.

Preços: Entrada a 30 rands por pessoa.

Degustações começam em 30 rands para 3 vinhos e 60 rands para 6 vinhos. Visitas guiadas à adega são efetuadas diariamente a cada hora entre 11 e 15h e custam 75 rands com provas de 6 vinhos.

Site: babylonstoren.com


3. BACKSBERG

A terceira parada era uma das mais aguardadas já que havíamos programado uma degustação com uma variedade de queijos.

A Backsberg é  uma vinícola familiar, tendo iniciado a produção de vinhos no início do século passado, graças ao pioneiro C.L. Back, que chegou à Cidade do Cabo sem um tostão, vindo da Lituânia como refugiado. Aos poucos foi melhorando de vida até adquirir essa propriedade na década de 1920, utilizando inicialmente para agricultura mas gradualmente a ênfase se tornou o vinho, que era exportado principalmente para a Inglaterra.

A propriedade é muito bonita e fizemos nossa degustação ao ar livre. Eram 5 vinhos (Sauvignon Blanc, Chardonnay, White Blend, um Late Harvest e um Red Blend) combinados com 5 variedades de queijos.

E que degustação:

1. O Sauvignon Blanc teve um brie com figo como acompanhante (gostei mais do queijo do que do vinho);

2. O Chardonnay casou-se perfeitamente com o  queijo amarelo e duro Boland na melhor combinação das 5;

3. O White Blend foi par de outro queijo amarelo e duro, o Huguenot – bom vinho, ótimo queijo;

4. O Late Harvest de Gewürztraminer foi o melhor vinho do lote, combinando com um brie com chili; segunda melhor harmonização, na minha opinião;

5. Por último, o Red Blend (único tinto do programa, corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec) foi acompanhado de um brie Dalewood style apenas razoável.


INFO – BACKSBERG

Horário: Todos os dias das 9 às 17h (domingos das 10 às 16h30).

Preços: Degustações de 5 vinhos premium a 50 rands; 5 vinhos exclusivos a 60 rands; harmonização com queijos ou com chocolates a 95 rands cada. Há também degustação de brandy a 60 rands e uma experiência de blending (125 rands), onde se aprendem técnicas para misturas dos diferentes tipos de uvas a fim de se conseguir mais estrutura ou corpo.

Site: backsberg.co.za


4. VREDE EN LUST

Essa linda vinícola foi onde passamos mais tempo, pois decidimos almoçar no Lust Bistro.

Como sempre, escolhemos uma mesa ao ar livre e fomos bastante felizes ao pedir um wok de filé mignon. A foto não tem cheiro nem sabor mas podem acreditar que o tempero, que misturava sabores doces e salgados, estava sensacional!

Após o almoço fomos para a sobremesa que aqui incluía mais vinhos! Não poderíamos deixar de experimentar a harmonização de 6 vinhos com 6 chocolates Lindt diferentes (na ordem da foto abaixo: com sal marinho, limão, gengibre, toranja, menta e pimenta).

As três primeiras variedades foram acompanhadas de vinhos brancos e as três últimas com tintos.

Funcionou como uma sobremesa perfeita, com destaque para a harmonização do chocolate com toranja e o vinho tinto. Tudo isso com o acompanhamento da maravilhosa paisagem mostrada na foto abaixo.

A vinícola foi fundada por um refugiado religioso belga que chegou a Cape Town em 1688, após 70 dias no mar em um barco de 50 metros.

Desde o início foi passando por várias mãos até 1996 quando seu 17° proprietário decidiu realizar um trabalho de renovação visando modernizar a produção de vinho e extrair todo o potencial do local.

Na propriedade também há uma pousada de luxo com 10 quartos.


INFO – VREDE EN LUST

Horário: Todos os dias das 10 às 17h.

Preços: Degustação premium (6 vinhos) a 50 rands; Degustação Black Label (4 vinhos) a 75 rands; Lindt Excellence Pairing a 100 rands.

O valor da degustação é descontado se forem adquiridos produtos no valor mínimo de 300 rands.

Site: http://www.vnl.co.za


5. TOKARA

Essa vinícola foi uma das que visitamos na primeira vez na África do Sul (veja esse post). Ficamos tão encantados que decidimos retornar, já que estava no nosso caminho de volta para casa.

A vinícola tem um estilo arquitetônico moderno exuberante, além de possuir uma quantidade impressionante de obras de arte espalhadas tanto pelo interior como nas áreas externas.

Qualidades essas que ficam ainda mais impressionantes quando a visita é feita próximo ao horário do por do sol, oferecendo oportunidades para fotos belíssimas dessa que é realmente uma das mais bonitas da região. Imperdível!

Infelizmente, dado ao adiantar da hora e por conta da quantidade de vinhos que já havíamos experimentado, decidimos não fazer a degustação. Produz também azeites de oliva de ótima qualidade e que podem ser degustados.

O seu restaurante, aberto de terça a domingo para almoço e de terça a sábado para o jantar, é um dos mais elogiados (e caros) da região.


INFO – TOKARA

Horário: Todos os dias das 10 às 17h30.

Preços: Degustação de 3 vinhos a 50 rands. Degustação de 4 azeites a  30 rands.

Site: http://www.tokara.com


Depois de tantas visitas a vinícolas, acabamos fazendo um jantar em casa com massa e… mais vinhos!

E no próximo post tem mais!

África do Sul 2019 – de Mossel Bay a Stellenbosch

12 agosto 2019


Saímos de casa logo após o café, percorremos as ruas desertas da cidade naquela manhã de domingo quase inverno e rumamos para uma das mais interessantes atrações da cidade de Mossel Bay: o complexo de museus dedicados a Bartolomeu Dias, navegador português que aportou por aqui em 1488.

Segundo maior complexo de museus da província do Cabo Oriental (Western Cape), possui 3 edifícios principais: o Museu Marítimo, o Museu das Conchas e o Granary, este último o ponto de entrada no complexo.

No Granary há pequenas exposições sobre a geografia da região além de uma sala de conferência.

O Museu Marítimo é a principal atração do local, contando a história da passagem dos navegadores portugueses pela região no final do século 15 e suas conexões com os desbravadores ingleses e holandeses.

Apresenta também peças de vestuário da época dos descobrimentos, além de artefatos náuticos do século 19 e um bom acervo de fotografias.

Um dos destaques do museu é a réplica em tamanho natural da embarcação utilizada por Bartolomeu Dias. Essa réplica foi construída em Portugal e enviada para Mossel Bay em 1988. Seu interior pode ser visitado mas para isso é cobrado uma entrada à parte.

O Museu das Conchas, o maior de seu tipo na África, possui uma coleção de conchas e moluscos, além de um pequeno aquário com outros animais marinhos. Infelizmente não visitamos esse museu.

O complexo fica aberto de segunda à sexta das 9 às 16h45 (fins de semana e feriados até às 15h45). A entrada custa 20 rands (40 rands se quiser visitar o interior da réplica da embarcação usada por Bartolomeu Dias).

Depois da visita, iniciamos nossa viagem até Stellenbosch nesse que seria o maior percurso diário da viagem (364 km) tomando a N2, não sem antes abastecermos o carro.

Fizemos uma parada no meio do caminho na cidade de Swellendam, considerada a terceira cidade mais antiga do país. A cidade possui  alguns encantos, razão pela qual a incluímos nesse roteiro.

Repleta de construções históricas do século 18, época da instalação da Dutch East India Company no país, seu mais famoso cartão postal é mesmo a Dutch Reformed Church.

Apesar dos diversos estilos arquitetônicos, com elementos góticos e renascentistas, a forma final da igreja é bem bonita. As visitas podem ser feitas de segunda à sexta de 8 às 13h e de 14 às 16h (às quintas somente de manhã) e custam 5 rands.

A cidade é bem pitoresca, ainda mais pelo fato de ser circundada pelas montanhas Langenberg.

Resolvemos almoçar no restaurante Old Gaol, um dos poucos que estava aberto naquele domingo e que ficava em frente à igreja. Como o próprio nome diz, fica no local onde funcionava a antiga cadeia da cidade.

Como não estava com muita fome, pedi apenas um sanduíche. Escolhi um single-sided roosterkoek (pão típico sul-africano) de queijo com geléia de youngberry, perfeito.

A cidadezinha estava deserta, talvez por ser um domingo. Quase não se via carros ou pessoas andando nas ruas.

Seguimos viagem, pois ainda faltavam quase 200km para o nosso destino final. Felizmente a estrada continuava um tapete, com paisagens belíssimas das montanhas.

Chegamos a Stellenbosch no finalzinho da tarde e rumamos para o nosso apartamento alugado pelo Airbnb. Tivemos um pequeno contratempo já que o proprietário não havia sido avisado pela sua agente de que iniciaríamos nossa hospedagem naquele dia.

Depois de alguns minutos pudemos deixar nossas bagagens no apartamento e saímos para um passeio pela cidade enquanto eles faziam a arrumação do local.

A cidade continua uma das mais charmosas do país, com suas ruas repletas de obras de arte e sua igrejinhas.

Ao anoitecer decidimos jantar e escolhemos o Java Bistro, que fica na esquina da Church com a Andringa. Pedimos uma mesa na calçada para ficar vendo o movimento na rua.

Comi uma massa com frango e espinafre, mas minha atenção estava mais voltada para a sobremesa: meu preferido malva pudding, que aqui vinha com uma bola de sorvete de creme. Não foi o melhor que já havia comido, mas serviu para matar as saudades.

Notei que o número de pousadas descoladas havia crescido, embora a que havíamos ficado 5 anos atrás tenha fechado as portas. O turismo aqui continua sendo a principal vocação da cidade e não é para menos, pois fica a apenas 60km de Cape Town.

Voltamos para o apartamento e dormimos relativamente cedo nos preparando para a maratona etílica dos dias seguintes.

África do Sul 2019 – de Knysna a Mossel Bay

6 agosto 2019


Saindo de Knysna, resolvemos tomar a 7 Passes Road para ir ao nosso próximo destino que era a cidade de Mossel Bay.

Essa estrada sinuosa de 75 km que era a principal ligação entre Knysna e George até 1952 (quando a N2 foi construida) é considerada uma alternativa mais pitoresca ao asfalto da N2 e foi recomendada em uma série de blogs que se derramavam em elogios a suas paisagens.

Infelizmente vou ter que discordar.

Tendo seu início logo após a saída de Knysna, a estrada não é asfaltada em boa parte dos trechos, com muitas curvas e a constante apreensão de encontrarmos um carro em alta velocidade na direção contrária. O limite de velocidade de 60km aparentemente não é respeitado por todos.

Além do mais, não vimos nada que justificasse a incursão pelo interior: as paisagens eram insossas, os rios meros filetes de água barrenta, as pontes bem simples, as pequenas vilas modorrentas, ou seja, o tempo gasto não era vantajoso sob nenhum aspecto.

Na verdade não posso afirmar que não vale a pena, pois só percorremos cerca de metade da estrada, quando desistimos de continuar e tomamos o caminho asfaltado à esquerda, desembocando em Wilderness, e posteriormente seguindo nossa velha conhecida N2.

Logo depois paramos em um mirante para observar a foz do rio Kaimaans junto ao mar. Pelo viaduto abaixo passava a última linha de trem a vapor do país, a Outenika Choo Tjoe, que foi desativada em 2006.

Com 130 mil habitantes, Mossel Bay fica a apenas 400km de Cape Town e de Port Elizabeth, o que favorece a invasão de turistas dessas duas cidades, principalmente durante o verão. Fora da estação, contudo, fica perfeita para uma estadia mais tranquila.

A cidade foi batizada com esse nome em razão da grande quantidade de mexilhões (mossel, em holandês) encontrados pelos navegadores holandeses que aportaram aqui.

Inicialmente dependente da pesca e agricultura e do seu porto movimentado, a cidade se transformou após a descoberta de campos de gás natural offshore em 1969, tendo crescido de tamanho desde então.

Ficamos na parte antiga da cidade, próximo do farol de St. Blaize, que infelizmente não pudemos visitar por estar fechado nos fins de semana (Abre de segunda a sexta das 10 às 15h – entrada a 30 rands).

Com 20 metros de altura e construído em 1864, era um dos dois faróis na costa sul-africana que funcionava 24 horas por dia naquela época.

Nossa casa, alugada pelo Airbnb, foi uma das mais espaçosas e bem decoradas da viagem. A foto que abre o post mostra a vista do por do sol da varanda de casa.

Ficava bem localizada, na parte da cidade onde os primeiros habitantes se instalaram.

Pena não podermos aproveitar a simpática piscina por conta da temperatura não estar suficientemente quente.

Como já estávamos no meio da tarde, fomos procurar um lugar para almoçar e acabamos no Delfino’s, um restaurante que tinha um cardápio bastante extenso em Point Road, com mesas no interior e uma deliciosa área aberta que ficava em frente à praia.

Pedimos alguns drinks para começar (os preços eram bem em conta). Escolhi um blushing mimosa, com espumante, suco de laranja e granadina.

Para a refeição principal resolvi comer algo mais leve, pedindo um prato de peito de frango grelhado com uma salada de tomate, folhas, lascas de amêndoa, pepino, cebola roxa e queijo feta, acompanhado de um delicioso molho  de mostarda e mel.

 

O cenário para o almoço não poderia ser mais bonito, especialmente em função do dia ensolarado que fazia. Com a temperatura beirando os 20 graus, o final de tarde à beira mar estava maravilhoso.

Depois do almoço, fizemos um passeio de carro pela cidade passando pelas imediações do farol.

Logo abaixo do farol de St. Blaize fica a caverna de mesmo nome, local de uma das mais antigas escavações arqueológicas do país, que revelaram indícios de atividade humana de 200 mil anos.

Voltamos para a casa para apreciar o por do sol não sem antes comprar alguns ingredientes para o jantar (fizemos uma massa ao pesto) além de vinhos nacionais.

No dia seguinte ainda visitaríamos algumas atrações na cidade, mas isso é assunto para o próximo post.